A. Natureza e finalidade

A PBCM considera o Seminário Interno o coração da formação vicentina, o tempo em que o candidato amadurece sua opção fundamental de se consagrar a Deus na Congregação. Seu objetivo geral é o aprofundamento da formação vicentina iniciada no Propedêutico. É o núcleo dessa iniciação. É um momento muito especial para que os seminaristas:

a. Conheçam e interiorizem mais a vocação da CM.

b. Façam uma experiência mais profunda de intimidade com o Senhor, que os leve a renunciarem a si mesmos, para se revestirem do espírito de Cristo, e a descobrirem-no melhor como o centro de nossa vida e Regra da Missão (CC 5)[1].

c. Procurem, com o auxílio dos Formadores, melhor discernimento do apelo de Deus para seguir a Cristo evangelizador dos Pobres na Congregação (RC I, 3; CC 5, 77)[2]. Por não ser a primeira iniciação, o Seminário Interno, situando-se depois do Propedêutico e do primeiro ano de Filosofia, supõe maior maturidade.

O Seminário Interno é o momento apropriado para aprofundar o conhecimento do carisma, da história, da missão e da espiritualidade vicentina. Não se trata de adquirir simplesmente um conhecimento teórico, mas de confrontar a história e a espiritualidade da Congregação da Missão com a própria vocação, para adquirir o “sensus Congregationis” e uma adesão afetiva que ajude o Formando a experimentar um forte senso de pertença.

Um candidato é admitido na Congregação, quando, a seu pedido, é recebido para o período de prova no Seminário Interno (CC 53, §1). O Seminário Interno se inicia, quando os seminaristas são declarados recebidos pelo Diretor ou por seu substituto legal (cf. EE 20, §1; NNPP, 34). Para os candidatos ao Presbiterato isto se dá após o primeiro ano de Filosofia (cf. NNPP 34, §1). Para os candidatos a Irmão isto se dá após o Propedêutico (cf. NNPP 34, §2). Os casos de exceção serão tratados pelo Visitador, de acordo com o nº 44 dos Estatutos da Congregação (cf. NNPP 34, §3). O Seminário Interno durará 12 meses, sendo 11 contínuos[3].

B. Requisitos para a admissão

Ter concluído, de maneira considerada satisfatória pelos Formadores, a etapa anterior ao Seminário Interno.

Redigir uma declaração (cf. NNPP 40, §1) (manuscrita) endereçada ao Visitador e aguardar resposta, de acordo com as NNPP.

O Formador responsável pela orientação do candidato deverá enviar toda a documentação necessária, bem como o parecer da equipe de Formadores a respeito do candidato.

C. Direitos e deveres do admitido

Ao ser recebido no Seminário Interno, o seminarista passa a ser membro admitido da CM (cf. CC 53, §1), gozando dos direitos, privilégios e graças espirituais, concedidos à Congregação, dentro das normas do Direito universal e assumindo as obrigações determinadas pelo Direito próprio e universal (cf. CC 59, §1). Os coirmãos apenas admitidos na Congregação possuem os direitos e obrigações que constam nas Constituições, nos Estatutos e nas Normas Provinciais (CC 59, §2).

Na PBCM, terão direito à manutenção financeira completa: alimentação, moradia, estudos, roupas, viagens, saúde e previdência, na base de um piso salarial de contribuição (CC 59, §2; NNPP, 41). Os direitos e obrigações referentes à prática da pobreza devem ser, após discussão nas respectivas comunidades, determinados pela Comissão de Formação e aprovados pelo Visitador e seu Conselho (NNPP, 42). Por outro lado, terão o dever de assumir a vida na Congregação em relação à prática dos votos, às orientações da vida comunitária e apostólica, prestando obediência ativa e responsável às Constituições e Estatutos, às Normas Provinciais e às outras normas em vigor na Congregação.

No final do Seminário Interno, o Coirmão mostrará sua vontade de dedicar-se, por toda a vida, à evangelização dos Pobres, na Congregação, de acordo com as CC e EE, fazendo o Bom Propósito, que deverá ser renovado, anualmente, até a emissão dos Votos (NNPP, 39).

a) Para emiti-lo, o Coirmão deverá dirigir ao Visitador um pedido, por escrito, e aguardar a resposta do mesmo.

b) O Bom Propósito será precedido de um retiro espiritual.

c) Será emitido, segundo o costume da Congregação, diante do Superior, de acordo com uma das fórmulas aprovadas (cf. CC 54, §2 e §3; EE 21).

D. Normas e pistas de ação

O objetivo do Seminário Interno concretiza-se em normas e pistas de ação, de acordo com as cinco dimensões da formação. A ordem delas é ditada pela finalidade do Seminário Interno; por isto, começamos pela formação vicentina, que dá às outras dimensões a tonalidade fundamental.

1. Dimensão Vicentina

O Seminário Interno funcionará, sempre que possível, inserido numa comunidade apostólica de trabalho vicentino.

Promovam-se pesquisas, a partir dos escritos de São Vicente, para conhecer o seu pensamento a respeito da oração, do serviço missionário aos Pobres, da formação do clero, dos votos na Congregação, das cinco virtudes, confrontando as intuições do nosso fundador com o atual magistério da Igreja.

Estudar-se-ão, também, a história da Congregação no Brasil e no mundo, bem como seus principais modelos de santidade e a história das Filhas da Caridade.

Lugar especial ocuparão o estudo das CC e EE, o das NNPP e o das RC. Nas CC e EE, se dará atenção especial aos capítulos que se referem à vocação, à atividade apostólica, à vida comunitária, à castidade, à pobreza, à obediência e à oração.

Promovam-se, oportunamente, um trabalho planejado em obras ou atividades vicentinas significativas para hoje, participação em palestras e semanas vicentinas e maior contato com a Família Vicentina.

2. Dimensão Espiritual

Estudar temas de espiritualidade: a Reconciliação e a Eucaristia na vida da Igreja; a vocação universal à santidade na Lumen Gentium, as raízes da espiritualidade cristã libertadora na América Latina; a iniciação litúrgica e bíblica; alguns aspectos da Cristologia e da Mariologia; a história da Vida Religiosa e o capítulo sobre os religiosos, na Lumen Gentium, complementando tudo isso com o Código de Direito Canônico no tocante aos Institutos de Vida Consagrada e às Sociedades de Vida Apostólica.

O Formando procurará tornar-se homem de oração, procurando a vontade de Deus e mostrando-se disponível e apto para o trabalho missionário através das seguintes atitudes ou atividades:

a) Abertura à proposta da participação diária na Eucaristia. Essa participação se fará de modo criativo e encarnado[4].

b) Oração diária, em particular e em comum (CC 47, 1º), incluindo a recitação de alguma hora litúrgica (CC 45, 3º; NNPP, 15).

c) Os atos de piedade tradicionais na Congregação, conforme o projeto comunitário, principalmente a leitura da Sagrada Escritura e sobretudo do Novo Testamento, o culto da Ss. Eucaristia, a meditação em comum, o exame de consciência, a leitura espiritual, o retiro anual, bem como a prática da direção espiritual (EE 19).

d) Tempos fortes de experiência espiritual, como dias de recolhimento, vigílias de oração, etc.

e) O amor e a confiança para com Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, dedicando-lhe espaços na vida de oração, em comum e em particular (CC 49, 1-2). Renovar nossa piedade para com ela, inspirando-nos na tradição vicentina.

f) As festas vicentinas, celebradas com amor e criatividade.

3. Dimensão Apostólica

Elaborar planejamento das atividades pastorais a serem desenvolvidas durante o ano.

Rezar e partilhar o trabalho pastoral nas orações comunitárias e nas revisões freqüentes.

Estudar os subsídios da Campanha da Fraternidade.

Ler revistas e boletins alternativos de formação, assim como revistas missionárias.

Sempre que possível, consagrar, cada ano, um mês a um estágio pastoral, em comum, numa obra da Província, marcadamente vicentina.

Participar, no último mês, das Santas Missões Populares Vicentinas.

4. Dimensão Comunitária

Além dos meios comuns a todas as etapas de formação, durante o Seminário Interno, será oportuno aprimorar-se nos seguintes aspectos:

Observação de algumas normas que possam garantir o melhor funcionamento da casa, num ambiente favorável à interiorização, ao melhor aproveitamento do tempo, ao crescimento na responsabilidade, na fraternidade e no uso da liberdade.

O projeto comunitário, feito no início do Seminário Interno, suporá um núcleo estrutural de tempo bem determinado, em todo o período da manhã, em que todos os seminaristas, em comum ou em particular, se dedicarão às atividades específicas do Seminário Interno. Esse Projeto deverá ser aprovado pelo Visitador e seu Conselho e poderá ser revisto mensalmente (cf. CC 27; EE 16; NNPP, 23).

Além do projeto comunitário, cada seminarista fará ainda seu planejamento pessoal, que deve ser discutido com o Diretor e por ele aprovado. Nele serão incluídas as atividades não previstas no projeto comunitário. Seu objetivo é organizar bem a vida. Deverá prever espaços para os exercícios de piedade não realizados em comum, leituras, lazer individual, alguma atividade pastoral, de tal modo que por ele se evite a dispersão e se respeite a sujeição à lei comum do trabalho.

Tanto o projeto comunitário como o pessoal respeitarão o calendário do Seminário Interno, que supõe seis dias de trabalho por semana e um dia de descanso, com espaço de lazer comunitário. O domingo, dedicado à pastoral, considera-se dia de atividade.

Organizar trabalhos em grupos, mesmo nos estudos, para se exercitar o senso comunitário.

Assumir uma participação maior nos serviços mais simples, como limpeza da casa, trabalho na horta, no jardim e na cozinha, e a realização de algumas funções, como cronista, compras, pagamentos, relações sociais, etc.

Participar de tempos de descanso e lazer comunitário: recreios, jogos, esportes, passeios.

Respeitar a oração, o trabalho e o sono dos outros, cultivando um clima de silêncio.

Alimentar o interesse pelas outras comunidades da Província e pelas outras Províncias, para desenvolver a compreensão da universalidade da CM e da Família Vicentina.

5. Dimensão Humana

O Seminário Interno constitui um momento privilegiado para dar continuidade ao trabalho desenvolvido na etapa anterior, nesta dimensão. Ajudar o Formando na reflexão e aquisição do conhecimento do seu próprio ser, sem o qual será impossível construir sua vida, e na aquisição dos elementos que o capacitem a dispor de si mesmo, em liberdade e consciência, e a abraçar a vida consagrada vicentina.

Entre os diversos meios que contribuem para o amadurecimento pessoal, destacamos os seguintes:

O acompanhamento constante e atento de cada Formando por parte do Diretor nos trabalhos de reflexão é particularmente importante para avaliar o aproveitamento dos conteúdos. Esta etapa da formação exige um Diretor completamente liberado para sua função. Não lhe seja atribuída outra atividade ou responsabilidade que possa vir a prejudicar seu primeiro ministério.

Participação em cursos de atualização promovidos para religiosos, sobretudo o Novinter.

[1] RFPSI, II, 1.

[2] Cf. RFPSI, II, 2.

[3] Cf. CC 83; NNPP, 35; RFPSI, II, 3.

[4] Cf. NNPP, 14; PDV, 48; CNBB, 1984, n.132.