Santas Missões Populares Vicentinas

Padres, Irmãs, Leigas e Leigos Vicentinos

Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Monteiro
Campo Grande – Rio de Janeiro

“A missão é tarefa de todos os cristãos, não somente de alguns (…)
A nossa vocação cristã nos pede para sermos portadores deste espírito missionário
para que aconteça uma verdadeira ‘conversão missionária’ de toda a Igreja, (…)”
(Papa Francisco) 

A Família Vicentina dos Regionais do Rio de Janeiro e Belo Horizonte celebrou entre os dias 13 a 28 de janeiro de 2018 as Santas Missões Populares Vicentinas (SMPV). A participação de setenta e nove missionários/as oriundos de diversas partes de Minas Gerais, de Prudentópolis (PR), de Moçambique, do Timor Leste, da Indonésia e do Estado do Rio de Janeiro deu visibilidade e efetivou as missões. As presenças alegres e místicas das Irmãs de Gysegem, dos Fráteres da Misericórdia, dos Seminaristas, Irmãos e Padres da Congregação da Missão, das Filhas da Caridade, dos Leigos e Leigas Vicentinos e do querido pároco, Padre André, permitiram que os vínculos da Família Vicentina se fortalecessem.

O alojamento e a acomodação dos missionários e missionárias ficaram por conta das Filhas da Caridade, da Província do Rio de Janeiro, que abriram, com muito carinho, as portas do Colégio Rural São Vicente de Paulo, fornecendo uma estadia calorosa e acolhedora.

No intuito de dar continuidade às Missões de janeiro de 2017, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Monteiro (NSCM), em Campo Grande-RJ e, de fortalecer os laços da Rede de Comunidades, os/as missionários/as foram divididos em cinco equipes para atuar em três setores. Neste ano os setores e respectivas comunidades missionadas foram:

Setor Matriz-Salvador – Comunidade Nossa Senhora da Conceição do Monteiro (Matriz) e Comunidade Jesus Salvador do Mundo;

Setor Lavoura – Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santo Antônio de Santana Galvão e Comunidade Nossa Senhora Aparecida e São Francisco de Assis;

Setor Jardim Monteiro – Comunidade Nossa Senhora das Graças e São José.

Cada equipe missionária teve como primeira atividade a tarefa de reconhecimento da área a ser missionada, com o objetivo de conhecer as características sócio-político-econômicas e culturais da região.

Inspirados diariamente pela oração da manhã, os grupos caminhavam atentamente, acompanhados pelos/as missionários/as locais, verificando assim, uma realidade diversificada, num paradoxo encontro de ruas principais, hipermovimentadas por intenso tráfego, com descobertas de lugares com falta de infraestruturas, saneamentos básicos, becos e vielas sem asfaltos numa relativa dificuldade de acesso e de grande distância do comércio, do centro da cidade e de locais públicos que ofereçam atendimentos básicos à comunidade.

Uma região marcada por histórias de grandes sítios, de disputa entre donos e posseiros; invasões de terrenos; vendas ilegais e irregulares de lotes, são expressões da sofrida caminhada de pessoas que buscam o mínimo de dignidade, trabalho, moradia própria, na tentativa de terem segurança e um espaço para chamar de lar. Por causa do descaso e abandono das autoridades públicas, algumas comunidades ficam à mercê de situações de risco sob a influência de chefes de bairros e/ou de milicianos.

Durante o período das missões várias atividades foram executadas com alegria e determinação, o que favoreceu às comunidades e aos missionários e às missionárias, momentos únicos de espiritualidade; de celebrações: eucarísticas, unção dos enfermos e misericórdia; de encontros de formação com a juventude, as crianças, lideranças, famílias, os catecúmenos, os círculos bíblicos e as pastorais sociais, reunidas no Fórum da Caridade, contaram com a presença, participação e incentivo de representantes dos/as missionários/as. Divertidos momentos de confraternização e festividades aconteceram por ocasião da celebração dos padroeiros das Comunidades São Sebastião e São Paulo Apóstolo.

As procissões foram um dos momentos que mais marcaram. Não apenas para os/as missionários/as, mas também para as comunidades, por terem sido ocasião de troca, assim como de unidade, o que proporcionou às pessoas, que estavam nas ruas e viam a movimentação dos/as missionários/as que cantavam e rezavam, uma visibilidade da presença da Igreja Católica em missão.

Os obstáculos da missão foram superados dia após dia. As idas e vindas sob o sol forte serviram para aquecer os corações dos/as missionários/as e das comunidades. Não foram motivos de desânimo, mas serviram para manter nos corações dos missionários/as a certeza de que “a alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária” (Evangelli Gaudium, 21). Sendo assim, a cansativa caminhada, o bater de porta em porta, os ‘nãos’ recebidos, e as diversas situações de desalento eram transformados em Boa Nova, quando, nos lugares imprevisíveis se encontrava uma acolhida simples e verdadeira de uma família pobre; quando numa casa era esperada ardentemente a chegada dos/as missionários/as para um momento de oração e partilha; quando na pessoa de um/uma doente as súplicas pelo restabelecimento da saúde eram celebradas; quando, mesmo tendo outra religião, a família abria a porta de sua casa para partilhar a fé num mesmo Deus; e, quando um simples copo d’água, era visto como o símbolo de ter dado certo o dia inteiro de uma caminhada.

Após duas semanas de visitas, dedicação e evangelização, no momento da avaliação, foram feitas as observações sobre as forças de crescimento e resistência e sugestões. Ocasião em que se ressaltou as experiências do início ao encerramento das missões, dando assim, oportunidade para todos/das missionários/as apresentarem testemunhos dos momentos vividos em cada comunidade. Durante a partilha o desejo de melhorias para as próximas missões, em 2019, ficou evidente não apenas no que se refere a organização e estrutura, mas, também, na qualificação do estilo de vida e no testemunho pessoal quanto a preocupação com o próximo.

A Igreja «em saída» é a comunidade de discípulos missionários que «primeireiam», que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa!  (Evangelli Gaudium, 24).

A iniciativa, dedicação e união das pessoas de todas as comunidades, o acolhimento de cada missionário/a, os momentos de partilha – não apenas dos alimentos -, a estrutura e organização dos espaços físicos para a realização dos eventos programados permitem perceber que cada semente lançada trará muitos frutos pois, cada comunidade é solo fértil que foi sendo cultivado pela missão. Um dos pontos a ser ressaltado, dos frutos já colhidos, é a gestação de uma nova comunidade. Nessa missão colheu-se um fruto, a nascente comunidade batizada de Santa Luísa de Marillac. Fruto que só foi possível graças à constante atuação da paróquia NSCM no atendimento às pessoas mais necessitadas e por causa das visitas e atividades dos/as missionários/as nesta região muito carente. Já faz tempo que a semente vem sendo lançada e com as missões foi cultivada. Temos a certeza que tudo isto provém do intermédio de nossos Fundadores São Vicente e Santa Luísa, que, cremos, devem estar alegres, visto que, eles próprios, cumpriam e ensinavam o que Cristo dizia: ‘quando o fizestes a um destes meus pequeninos, a mim o fizestes’ (Mateus 25:40).

 “E, nesse momento particular da história do Brasil, é preciso que os cristãos assumam a responsabilidade de ser o fermento de uma sociedade renovada, onde a corrupção e a desigualdade deem lugar à justiça e solidariedade” (Papa Francisco, Carta pela abertura do Ano Nacional do Laicato). 

O término das Santas Missões Populares Vicentinas de 2018, em Campo Grande, não ficará marcado apenas pelas visitas dos/as missionários/as, mas em cada pessoa que participou da construção de um mundo de esperança e equidade. As missões finalizaram, mas não voltamos para nossas casas de mãos vazias, pois o Bom Deus preencheu o nosso vazio com alegres experiências, nos permitiu ir além de nossas próprias limitações, nos proporcionou reencontros e nos presenteou com novas e verdadeiras amizades, além de nos ter dado inúmeras bênçãos por termos vivido momentos intensos de serviço e doação. Sendo assim, “(…) hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária” (Evangelli Gaudium, 20), somos continuadores desta Boa Nova, sendo sal da terra e luz do mundo.

As missões de janeiro de 2019 ainda não têm lugar definido, porém os/as missionários/as já desejam que Maria, primeira missionária, visite e guie todas as pessoas que farão parte de mais um momento forte de missão.

Benedita Lurdes da Silva – Paroquiana da Comunidade São João Batista – Prudentópolis, PR.

Celso Luiz Dias do Nascimento – Seminarista Propedêutico CMPS.

Elena Camelo Nunes – MISEVI – Niterói, RJ.