Missa de Encerramento

HOMILIA¹

Pe. G. Gregory GAY, C. M.

“Ser ou não ser, essa é a questão”, escreveu Shakespeare. Qual é a pergunta? Na perspectiva desta Assembleia Geral, partindo da motivação de seu tema Fidelidade Criativa para a Missão, atrevo-me a dizer que nosso problema é fazer ou não fazer. Sim, está é a questão, meus irmãos, realizar ou não a missão que o Senhor Jesus Cristo nos confiou como missionários, sacerdotes e irmãos, na Congregação da Missão.

“Passou pelo mundo fazendo o bem” (“Pertransit benefaciendo”). Nossos historiadores afirmam que este foi o primeiro lema que São Vicente de Paulo escolheu para a Congregação da Missão. Imitando a Jesus Cristo, centrado na Palavra de Deus, Vicente de Paulo sentiu-se interpelado por essa frase dos Atos dos Apóstolos. Foi Pedro quem proclamou como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e sua força e “passou pelo mundo fazendo o bem”.

Meus Irmãos, “fazendo o bem” foi a nossa ocupação central durante esta Assembleia Geral: como temos feito o bem, como podemos ser melhores ao fazer o bem e em que medida nós somos capazes de realizar o bem em fidelidade a nossa herança e, no entanto, sempre com criatividade em suas expressões. Em meu relatório à Assembleia Geral sobre o estado da Congregação da Missão nos últimos seis anos, disse de forma simples, mas claramente que um dos desdobramentos mais importantes, não só para a Congregação, mas também para a Família Vicentina, que temos trabalhado com muita intensidade é a questão da Mudança de Estruturas. Mudança de Estruturas como tenho falado é uma forma contemporânea de viver que nos motiva a fazer o bem, a caridade de Cristo Crucificado.

Tem-se expressado temores, dizendo que centrar-se na Mudança de Estruturas poderia converter-nos em uma ONG. Não é o caso quando temos clareza do que se trata. Quem é o que nos motiva a fazer o que fazemos? Para nós é necessário fazer tal conexão, essa relação integral entre a contemplação da bondade de Deus que aprofunda o conhecimento de seu amor por nós e transforma isso em ação amorosa pelos pobres, por palavra e por obra, através da evangelização e do serviço aos Pobres.

Senhores permitam-me recordar-lhes o que São Vicente disse à Congregação nas Regras Comuns, capítulo I, art. 1 “De maneira que, se houver alguém entre nós que pense estar na Missão para evangelizar os pobres e não para socorrê-los, para remediar suas necessidades espirituais e não as temporais, respondo que devemos assisti-los e fazê-los assistir de todas as maneiras, por nós e por outrem, se quisermos ouvir estas consoladoras palavras do soberano Juiz dos vivos e dos mortos: ‘Vinde, benditos de meu pai; possuí o reino que foi preparado para vós, porque tive fome e me destes de comer; estava nu e me vestistes; doente, e me socorrestes’. Fazer isto é evangelizar por palavras e por obras e é o mais perfeito e foi também o que nosso Senhor praticou e o que devem fazer aqueles que o representam na terra”.

A base de nossa renovação, de nossa Fidelidade Criativa para a Missão está unida: ao nosso amor a Deus, sendo homens de oração; nosso amor pela Congregação, sendo homens que trabalham na vida comunitária, que é participativa e unificadora; e, homens que permanecem próximo dos pobres para escutar-lhes e mover-se diante dos seus pedidos, sendo seus servidores; com um desejo de obedecer-lhes como nossos senhores e mestres e, por conseguinte abrir nossos corações a essa experiência transformadora do amor de Deus que se realiza em nosso trato com os que são pobres. E fazemos isto em comunidade. Atuamos assim movidos pelo amor de Deus.

Depois de nutrir-nos com a Palavra de Deus, alimentemo-nos com o Corpo e o Sangue do Senhor e saiamos para levar a Boa Notícia. Façamos isto, como portadores da paz com a humilde confiança de saber que é Deus quem trabalha em nós. Ele nos arma de coragem para libertar-nos dos nossos temores, renovarmo-nos e seguir caminhando, preocupados unicamente pelo que disse Jesus Cristo “que passou pelo mundo fazendo o bem” em favor dos menores de nossos irmãos e irmãs. Que assim seja para a Congregação da Missão ao embarcar-se em uma nova era, em um período novo de seis anos de seguimento de Jesus Cristo, evangelizador dos Pobres.

1 Texto original em inglês. Esta tradução foi feita a partir da tradução do espanhol.