ASSEMBLEIA GERAL – DIA 9 DE JULHO DE 2010

Memória dos Mártires da China

HOMILIA
Pe. Yohanes KUSNO BINTORO, C. M.

Leituras:     Os 14,2-10
Sl 50
Mt 10,16-23

Queridos missionários

Ao celebrar nossos Mártires da China, recordemos também dos missionários que sacrificaram suas vidas por Cristo, mas que por uma razão ou outra, não estavam entre os 120 mártires. Com efeito, se voltarmos os olhos para a história da Igreja na China veremos quanto esforço se fez para participar da Missão na China. Poderíamos contar quantos bispos, sacerdotes e irmãos vicentinos estiveram em missão no Reino Médio. Quantos foram executados por sua decisão de permanecer firmes em sua fé e em suas crenças.

Mesmo não celebrando hoje a festa do Martírio de João Gabriel, nesta ocasião, devemos mencionar a importância que ele teve na canonização dos 120 Mártires. Nossos missionários em Taiwan recordaram sempre desta data quando recebemos a notícia de que João Gabriel seria canonizado como santo. Todos nós estávamos repletos de alegria. Muitas pessoas foram de Taiwan a Roma para assistir e unir-se com a Igreja Universal para dar as boas vindas a um novo santo. Foi um tempo de grande expectativa enquanto esperávamos que estes Mártires da China fossem declarados nossos novos Santos. Assim podemos dizer, com certeza, que a canonização de João Gabriel Perboyre foi uma abertura ampla da porta permitindo que fossem canonizados mais Mártires da China. E, sem dúvida, é verdade, quatro anos depois da Canonização de Perboyre aconteceu a Canonização de 120 Mártires.

Podemos perguntar o que aconteceu neste lugar que fez com que tantas pessoas sacrificassem suas vidas pela sua fé. A história nos diz que não foi, não é, e não será fácil evangelizar o povo da China. A Igreja na China no século 20 foi uma “Igreja Sofredora”. Cresceu durante 100 anos apesar das muitas perseguições. Os católicos esperavam pacientemente na escuridão da noite e guardaram viva sua esperança e acreditaram que a escuridão se dissiparia um dia e que os sofrimentos desapareceriam também. Acreditavam que viria imediatamente para resgatá-los a luz da verdadeira e a liberdade em Nosso Senhor. Como ocorriam com frequência, as autoridades governamentais se opunham habitualmente com veemência. Ser enviado à China poderia comparar-se com o que o evangelho de hoje nos diz “somos como ovelhas enviadas em meio de lobos”. Era e continua sendo um lugar perigoso, e, no entanto, precisamos ir para lá. Todos esses missionários sabiam qual poderia ser o seu destino final. Quando começou o trabalho dos missionários havia muitos mal-entendidos sobre a cultura local e era inevitável que se pensasse, com frequência, que os missionários teriam estreitas ligações com os poderes militares estrangeiros e com o processo de colonização.

A colonização japonesa foi um momento horrível, não só para o povo da China, mas também para os mesmos missionários. Permitam-me dar um exemplo: o Martírio de Mons. Schraven (1873-1973). Auando os japoneses chegaram à China ele era bispo da Diocese de Chungtin. Em 1937, durante a invasão japonesa da China, ele e seus compatriotas foram queimados porque procuraram proteger os fiéis. Na noite do dia 10 de outubro, uma torre próxima da catedral ardia em chamas e se pode ouvir um grito em língua estrangeira: “Mon Dieu, mon Dieu” que significa “Meu Deus, Meu Deus.” Um seminarista austríaco que estava na vinha voltou à catedral e também saia à rua todos os dias com a esperança de encontrar alguma pista do desaparecimento do bispo. Um dia ele encontrou debaixo a torre o rosário de Mons. Schraven que estava completamente consumido pelo fogo, assim como sua Medalha Milagrosa. Também encontrou duas pequenas tigelas que haviam pertencido a um dos sacerdotes franceses e também encontrou restos do calçado do bispo. Seu Martírio é uma página gloriosa da história de nossa Igreja assim como um exemplo para nós, Pastores.

O começo do comunismo que dominou na China foi um pesadelo para nossa Igreja. O Partido Comunista em resposta à política vaticana de não reconhecer seu governo começou por suprimir nossa Igreja. Continuaram com a divisão da Igreja em a “Igreja Patriótica” que é fiel ao governo e a “Igreja Clandestina” formada por aqueles que permaneciam fiéis ao Papa e ao Vaticano. Nosso missionário Joseph Zhou era bispo de Shijazhuang, uma cidade da Província de Hebei, não muito distante de Pequim. O governo lhe convidou para ser o Papa da Igreja Patriótica da China. Tal e qual podemos ler em um dos livros do Pe. Maloney, o delegado e Joseph Zhou travaram esta conversa:

  • “Você é uma pessoa ricamente dotada. Todos pensam em você como a melhor pessoa para ser o líder da “Igreja Progressista da China”. Aceitaria você ser nomeado Papa da China?
  • Crê você que tenho todas as qualidades necessárias?
  • Certamente.
  • Em tal caso, preferia ser o Papa do mundo inteiro.

O delegado marchou furioso com sua negativa. Desde esse momento permaneceu sob constante vigilância. Esteve preso e, quando já estava morrendo o deixaram livre e levaram à casa de um cristão em Nanchang. Ali morreu.

A influência do Partido Comunista sobre a Igreja é muito forte. Sacerdotes e féis buscam formas de praticar livremente sua fé. Nem todos os caminhos são iguais. É visível e clara uma separação na Igreja Católica. Oremos para que as palavras do Papa Bento possa unir lá, a assim chamada “Igreja Patriótica” e a assim chamada “Igreja Clandestina”. É preciso dar passos gigantes de reconciliação. “Reconciliação, perdão, aceitação” – as pessoas precisam acreditar que isto é possível para além de todo sofrimento. Pedimos a todos os mártires da China que intercedam por nós, especialmente pedimos pelo esforço que nossa Igreja está realizando, contribuindo para a unidade da Igreja na China.

Texto original em inglês. Esta tradução foi feita a partir da tradução do espanhol.