ASSEMBLEIA GERAL – DIA 7 DE JULHO DE 2010

ENCERRAMENTO DO DIA DE RETIRO

HOMILIA

Pe. Francisco Javier ÁLVAREZ MUNGUÍA, C. M.

Leituras:     Os 10,1-3,7-8.12
Sl 104
Mt 10,1-7

Muitas foram às vezes que já escutamos e meditamos o Evangelho que acaba de ser proclamado sobre a eleição e o envio dos doze. Pessoalmente, este relato me leva a recordar meu tempo de Seminário Interno, porque frequentemente orientou minha meditação, junto com aquele texto de São Vicente em que ele nos diz que nossa vocação consiste em fazer o mesmo que fez o Filho de Deus na Terra. Imaginava-me, então, e agora também, que quando os Apóstolos escutaram este envio dos lábios de Jesus, chegaram realmente a sentir que sua vocação consistia em fazer o mesmo que havia visto seu mestre fazer. O Senhor, inclusive, lhes deu o mesmo poder de “expulsar os espíritos imundos e de curar toda enfermidade e doença”, para que a identificação com a sua vocação fosse ainda mais clara.

O que pode acrescentar este relato vocacional tão conhecido de todos nós? Que pode dizer-nos? É algo assim como voltar a escutar uma velha canção, ou como voltar a ler aquela novela que nos marcou em nossa juventude. Não nos diz nada de novo, mas nos recorda que há anos, também nós, nos sentimos tão eleitos e tão nomeados como aqueles que aparecem neste Evangelho. E que, também, nos sentimos chamados, eleitos e enviados por aquele mesmo que chamou e enviou os doze. Os cristãos vivemos de recordações, mas não são recordações nostálgicas que encerram-se no passado, mas sim recordações que avivam e refrescam o presente. Acolher novamente este Evangelho é como tornar um copo de água fresca em uma tarde ensolarada de verão, refresca nossa vocação.

A partir de outro ponto de vista, creio que este Evangelho ilumina bem o tema deste Retiro. Jesus aparece na comunidade dos doze exercendo sua autoridade, precisamente no momento solene do envio. Foram muitas horas de paciência e de empenho para conseguir que aqueles homens entendessem um pouco da novidade daquela mensagem que Jesus trazia. Tampouco foi fácil para ele harmonizar, em torno a um único objetivo, personalidades tão fortemente distintas e mentalidades tão difíceis de juntar. E, sem dúvida, ele o conseguiu: aquele grupo de pescadores meio-analfabetos se converteu em evangelizadores, a ponto de revolucionar o mundo! Em nosso tempo as coisas mudaram consideravelmente: agora necessitamos de anos e mais anos de estudo, e parece que nunca estamos suficientemente preparados para ser instrumentos evangelizadores. Com isto, de maneira alguma estou insinuando que se tem que canonizar a mediocridade. Sem uma preparação séria não é possível conectar-se com nosso mundo, nem dialogar com nossa cultura, nem comunicar nada medianamente consistente, nem sequer manter-se com elegância na própria opção vocacional. Digo que sob este envio pode-se ver facilmente paixão, convencimento, idealismo. E sem estes motores a missão não avança mesmo que se tenha muita preparação e por melhores que sejam as orientações dadas pela Assembleia Geral.

A comunidade dos doze se converteu em uma comunidade evangelizadora ativa graças a estes dois fatores: 1) a autoridade de Jesus que lhes foi preparando e animando para lançar-lhes ao mundo, 2) e a importância e urgência da missão. Cristo e o mundo, ou a vocação-missão, tem sido desde sempre a voz mais forte que a Igreja vem dirigindo à vida consagrada ativa. “A vida consagrada – se diz em Vita Consecrata, nº 72 – será tanto mais apostólica quanto mais íntima for a entrega ao Senhor”. Depois, cada família na Igreja tem sua própria maneira de seguir a Jesus Cristo, assim como sua parcela de onde construir o Reino, mas parece que o segredo da renovação se encontra nestes dois pilares. É significativo que o primeiro capítulo de nossas Constituições trate da Vocação e o segundo da Atividade Apostólica. “Paixão por Cristo, paixão pela humanidade” foi o lema do Congresso da Vida Consagrada celebrado em Roma em 2004. Melhor comentário não se pode fazer do Evangelho que hoje nos propõe a Igreja.

Digamos uma palavra sobre a missão. Os rios desembocam no mar; o Evangelho no envio. Temos escutado: “Ide e proclamai que o Reino de Deus está próximo”. Esta mesma expressão é encontrada no final do Evangelho de São Mateus, com um tom mais universal. Para nós a missão tem tanta força que, além de assinalar a finalidade de nossa Congregação, tem-se convertido em um princípio inspirador. Já o foi no Tempo de São Vicente. Segundo o Pe. Dodin, a evangelização dos pobres não deixou de desenvolver-se e de enriquecer-se, desde 1625 até dois ou três anos antes da morte de São Vicente. E, evidentemente, este desenvolvimento não deixou indiferente nossa vocação, senão que a enriqueceu na mesma medida. Em 2010, a Congregação se propõe aqui encontra uma verdadeira fonte de energia, um manancial de vida que pode refrescar as comunidades e as Províncias. Como no Evangelho, será necessário que alguém esteja especialmente atento para impulsionar a Comunidade, a Província ou a Companhia. Será o serviço da autoridade.