Pe. Brian MOORE,CM

Visitador da Província da Irlanda

Como Congregação, experimentamos momentos de celebração e momentos de aflição. A criação de uma nova Província – por exemplo, Nigéria em outubro de 2010 – o começo de uma nova missão, o início de um novo ministério, são momentos de celebração, alento e esperança. Igualmente, algumas províncias estão experimentando a diminuição de membros, uma média de idade alta dos missionários, o fechamento de algumas casas e obras – momentos de perdas e dores que caem pesadamente sobre as espáduas e corações de muitos missionários, especialmente em algumas Províncias da Europa.

O Evangelho de hoje centra-se em uma história de dor, um pai que perdeu a sua filha. Este oficial da sinagoga, um judeu estrito, ortodoxo encarregado da manutenção da sinagoga e de designar os que deviam participar do serviço programado, tinha visto Jesus como uma ameaça à fé judaica, no entanto, neste momento de necessidade se volta para Jesus, como aquele que cura. A família do oficial e os amigos se reuniam para organizar um velório e os flautistas para acompanhar com as canções fúnebres. Apesar dos flautistas terem se reunido para as lamentações, apesar da aparente morte de sua filha ele tinha fé em Jesus e em seu ministério.

Esta fé do oficial da sinagoga é vital para nós como congregação, tanto nos momentos de celebração quanto nos momentos de aflição, especialmente em momentos de aflição. Estamos vivenciando um tempo árduo e difícil, especialmente nas Províncias da Europa. Algumas Províncias estão experimentando uma cultura pós-cristã, meios de comunicação que colocam a Igreja a margem, como “irrelevante”, as consequências do abuso de crianças por parte de clérigos e os poucos que respondem ao chamado ao Sacerdócio e como Irmãos no caminho de Vicente de Paulo.

Para o oficial da sinagoga, o momento crucial de aflição durante a celebração foi o leito mortuário de sua filha. Foi ali onde ele viu vida “Minha filha acaba de morrer, mas vem e põe tua mão sobre ela e ela viverá.”

Onde está nosso momento crucial?

1 – Em primeiro lugar e antes de tudo, o nosso momento crucial está em reconhecer o amor de Deus por cada membro da Congregação. Isto está magnificamente expresso na Reflexão Jubilar n.2 de Luigi Mezzadri, CM:

São Vicente utilizou muito a imagem do coração. Deus é Deus do coração (XI, 156), “o Amante do seu coração” (XI, 102; 145-147): “Eia, pois, peçamos a Deus que dê à Companhia este espírito, este coração, este coração que nos faça ir por toda parte, este coração do Filho de Deus,  coração de Nosso Senhor, coração de Nosso Senhor, coração de Nosso Senhor, que nos disponha a ir, como ele iria e como teria ido, se sua Sabedoria Eterna tivesse julgado oportuno trabalhar para a conversão das nações pobres” (XI, 291).

2 – A pessoa do pobre amada por Deus e ver a Cristo no Pobre. Já que os pobres, regularmente, são marginalizados pelos governos e pela sociedade, eles continuam como centro de nossa atenção para adquirir deles a confiança, reconhecer sua dignidade, acompanhar-lhes em sua viagem rumo a uma vida nova e convidar-lhes para participar em nossa missão.

3 – Compartilhar nosso espírito:
O espírito vicentino atrai a pessoa de todas as culturas e de todos os credos. A espiritualidade de São Vicente é centrada na dignidade de cada pessoa. Este compartilhar a espiritualidade vicentina constrói uma unidade de presença e uma unidade de propósito. O fruto de uma missão colaboradora com outros grupos inspirados por São Vicente e com muitos leigos é a abertura de novas janelas à vida e visão de Vicente.

A vitalidade das organizações vicentinas leigas é sempre alentadora. A adaptação da visão de São Vicente de Paulo aos distintos momentos e culturas, e a pertinência de seu espírito carismático a jovens e idosos na sociedade são sempre inspiradores.

4 – A repetição constante do pensamento de Vicente de ser amado por Deus para amar ao Pobre é um momento crucial do lamento à celebração. Esta transformação aponta vida nova e nova esperança, uma transformação aberta a toda pessoa de fé, como se diz em Mateus 9,23: “Ânimo, filha minha, tua fé te devolveu a vida.”

Que Jesus, o Pão da Vida, restabeleça nossas Províncias na vida e na esperança.