ASSEMBLEIA GERAL – DIA 6 DE JULHO DE 2010

MISSA EM HONRA DE SÃO JUSTINO DE JACOBIS

HOMILIA

Pe. Abba  Zeracristos Yosief, C. M.

Leituras:     Ez 34,11-16
Sl 22
Jo 17,6-19

I -Introdução

Em primeiro lugar, dou graças à Comissão de Liturgia desta Assembeia por dar-me a possibilidade de celebrar hoje a memória de São Justino de Jacobis.
A primeira leitura tirada do profeta Ezequiel, parece ter sido escolhida com este propósito, mas é, na verdade, a leitura do dia.  O profeta diz: “Buscarei a ovelha perdida e devolverei ao redil a que havia se extraviado; curarei a enferma…” Esta foi a verdadeira intenção de São Justino já que a terra, ao menos a parte que ele teria que evangelizar, a Abissínia, era cristã, mas não católica. Na imagem sugestiva do pastor e da ovelha se manifesta a ternura de Deus, seu amor providencial e solícito a favor do homem. Bem sabemos que nesta imagem do Bom Pastor tem-se visto a pessoa de Jesus. No evangelho que acabamos de ler, Jesus diz: “Pai Santo, guarda em teu nome os que me destes para que seja um como nós o somos” (Jo 17,11ª). É Ele, o Bom Pastor que se doa totalmente, se oferece e se entrega pela ovelha que somos todos nós, a humanidade inteira. Ele é o verdadeiro modelo e a porta que as leva ao redil. Os discípulos têm que ser consagrados na Verdade do Pai para atuar no mundo que lhes odiará; e tem que fazê-lo sem ser absorvidos, conservando interiormente a plenitude da alegria de Cristo. Confiados ao Pai, ficam preservados do maligno.

II – São Justino: um homem virtuoso

Caríssimos coirmãos, Deus também nos chama ao seu seguimento na pessoa de Jesus. O objetivo do nosso chamado não é outro que o de ser de Jesus no Espírito. Com efeito, nossa vocação como a dos doze, antes de pregar é a de Ser e a de Testemunhar. Ser de Jesus e aprender de Jesus com o objetivo de sermos, depois, enviados a pregar a boa nova da salvação em nome de Jesus. O evangelista Marcos diz isso com clareza: “Os elegeu para tê-los consigo com o objetivo de mandá-los a pregar” (Mc 3,14).
Por desgraça, nem sempre e nem todos aprendemos a lição de Jesus. No entanto, alguns, graças a Deus, a aprenderam e a viveram em sua vida de missionários. Assim se converteram em modelos de missionários, santos e zelosos; e deixaram rastros indeléveis na história. São Justino foi um destes. A Abissínia já era uma terra cristã; desde o século I tinha conhecido a muitos missionários católicos, como os Jesuítas que tiveram que deixar o país por causa da proibição legal de entrar na Abissínia como missionários. Onde estava o problema e qual foi o erro histórico que eles cometeram? Haviam conseguido conquistar o palácio real a ponto de proclamar a religião católica como uma das religiões do estado Abissínio. No entanto para os missionários, a atitude é fundamental. A mudança do responsável da missão pode mudá-lo totalmente. A atitude de superioridade e a desatenção à cultura da Igreja Abissínia desencadearam a ira dos monges abissínios contra os Jesuítas e contra a Igreja Católica como se fosse uma mesma realidade.

Deste episódio histórico aprendemos uma lição clara: a humildade constrói e a soberba destrói. Como diz Santo Agostinho, “a soberba transforma os anjos em demônios e a humildade, ao contrário, transforma os homens mortais em anjos.” O modelo do ano sacerdotal recentemente encerrado, foi São João Maria Vianey que humanamente falando parecia não ter as qualidades humanas e intelectuais que nós, homens, queríamos. Sem ter em conta os critérios humanos, ele, graças à sua humildade e a sua generosa adesão ao plano divino, conseguiu o que conseguiu.

Devo dizer que São Justino de Jacobis, com sua humildade autêntica, não só reverteu o prejuízo do confronto com a Igreja Católica Romana, mas ganhou a estima do clero Abissínio que o chamou de “o santo Blanco” vivo no meio deles. Se a Igreja Católica está agora bem plantada e floresce na Abissínia, na Etiópia e na Eritréia, é graças a ele, o Pai e Fundador indiscutível de nossa fé católica.

III – São Justino verdadeiro Missionário Vicentino

São Justino foi um filho fiel e um seguidor acreditado de São Vicente de Paulo, além de sê-lo de Jesus de Nazaré. Em sua obra missionária vemos o triunfo das virtudes vicentinas: a caridade, a humildade, a simplicidade, a mortificação e o zelo. Seu modo de atuar simples e sua humildade na caridade permitiram que fosse acolhido amigavelmente pelo clero abissínio. Deixando de lado os problemas e as dificuldades de toda classe, a missão que a Igreja lhe confiou era difícil; toda ela montanhosa e selvagem (Le haut plat de Eritréia e de Etiópia atual). Geograficamente, também, era muito difícil. Ainda hoje nos causa surpresa compreender como foi andando de Halay a Alitiena ou a Gondar.

Em sua primeira pregação em Adwa em 1840, São Justino chegou a dizer: … Vós sois os donos da minha vida porque Deus me deu a vós! Se quiserdes meu sangue, vem, abri minhas veias e as deixarei correr: vós sois meus donos! A vida terra de São Justino de Jacobis não terminou no leito de um hospital, mas aos seus sessenta anos, cansado, enfermo morreu na estrada enquanto andava de Massaia a Halay. Na Itália se diz: “Se morre como se vive”. São Justino morreu como havia vivido: como um missionário generoso que se entregou em humildade cheia de zelo infatigável. Verdadeiro filho de São Vicente cumpriu a profecia de seu Fundador: “Se Deus permitisse que fossem reduzidos à necessidade de ir servir como vigários em um vilarejo para encontrar do que viver, ou mesmo se algum entre eles se visse obrigado a mendigar o pão ou a dormir no canto de uma cerca, todo rasgado e transido de frio, e nesse estado viesse a um deles e lhe perguntasse ‘pobre sacerdote da Missão, o que te reduziu a tal extremo? Que felicidade, meus irmãos poder responder: ‘foi a caridade’…” (Coste XI, conferência aos Missionários nº 60)

IV – Conclusão

  • Ao celebrar hoje a memória de São Justino desejo a todos e cada um a virtude mestra de São Justino: a humildade.
  • São Justino é um pastor que não abandou o seu rebanho. Esteve sempre próximo dos seus sacerdotes e do clero local, aos quais amava segundo suas próprias palavras “até a morte”.
  • Como São Vicente, São Justino, viveu um amor compassivo pelos pobres, descobriu no rosto desfigurado e perseguido dos pobres, o rosto de Jesus a quem amou e serviu com todas as suas forças. Amou de verdade ao homem e sempre se preocupou com a sua formação integral. Como São Vicente, seguiu a providência sem passar à sua frente. Como no final da vida seremos julgados no amor, sigamos as pegadas de São Justino, para estarmos seguros de chegarmos lá em cima onde se encontram nossos fundadores. Que assim seja!