Texto 4 – Pré Assembléia Doméstica

Carta 18/02/2008

CONGREGAZIONE DELLA MISSIONE
CURIA GENERALIZIA


Via dei Capasso, 30
00164 Roma – Italia
Tel. (39) 06 661 3061
Fax (39) 06 666 3831
e-mail: cmcuria@cmglobal.org

18 de fevereiro de 2008
Festa de São Francisco Regis Clet

A  todos os membros da Congregação da Missão

Caríssimos irmãos em São Vicente de Paulo,

A graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo encham seus corações agora e sempre!

Gostaria de fazer-lhes uma pergunta: O que os Pobres podem esperar de nós? Podem esperar que sejamos rotineiros, sem interesse, homens sem inspiração, satisfeitos com o que sabemos e com nosso modo atual de trabalhar? Ou os Pobres podem esperar mais dos seguidores de São Vicente de Paulo?

Vocês já sabem minha resposta. Fiz estas perguntas para que saibam aonde quero chegar. Nenhum de nós negará, estou seguro, que os Pobres poderiam esperar mais dos Vicentinos. Eles ouviram falar de nosso Fundador. Ficaram impressionados com a visão que ele tinha das coisas. Ouviram contar como encontrou meios criativos para devolver-lhes a esperança. São Vicente lhes mostrou o amor de Deus.

Meus irmãos, faz parte de nossa vocação vicentina que também nós sejamos criativos e originais em nosso serviço aos Pobres. Não podemos fazer menos que isso. A chave de nossa própria renovação permanente e de nosso ministério é a formação contínua.

Fiel à vontade dos Visitadores, e contando com o apoio unânime de meu Conselho, escrevo-lhes a todos e a cada um de vocês para refletir profundamente sobre a importância da formação permanente em sua vida pessoal, assim como na vida da comunidade local, em sua Província e em toda a Congregação.

No México, nosso debate sobre a importância da formação vicentina nos levou a formular claramente que nós mesmos somos nossos melhores recursos; não há outros melhores. Por conseguinte somos moralmente obrigados a fazer tudo o que esteja em nossas mãos para assegurar que a todos e a cada um dos Coirmãos da Congregação da Missão se dá a oportunidade de se prepararem a partir de uma base permanente para serem fiéis à nossa missão de seguir Jesus Cristo, evangelizador dos Pobres. Como estabelece o artigo 2 de nossas Constituições: “Em razão de seu fim, tendo em vista o Evangelho e sempre atenta aos sinais dos tempos e aos apelos mais urgentes da Igreja, a Congregação da Missão procurará abrir caminhos novos e empregar meios adequados às circunstâncias dos tempos e dos lugares. Além disso, terá o cuidado de avaliar e organizar suas obras e ministérios, de modo a permanecer em estado de renovação contínua.

Meus irmãos, as Constituições o dizem claramente. Somos chamados a viver num estado de renovação contínua, pessoal e comunitariamente, para responder fielmente ao Evangelho, aos sinais dos tempos e aos apelos da Igreja.  Mais ainda, nossos senhores e mestres merecem o melhor de nós mesmos.

Faremos bem em ser fiéis a isto, se não quisermos ouvir palavras semelhantes às que foram escritas à Igreja da Laodicéia: “conheço teu modo de viver: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Pois bem, porque és morno, e não frio nem quente, vou vomitar-te de minha boca” (Ap 3, 15-16). Nossas Constituições definem nossos direitos e deveres. Se as vivemos fielmente e permitimos que nos formem e renovem, seremos capazes de viver nosso carisma vicentino com vitalidade e gosto.

Na síntese do Encontro Internacional de Visitadores, refletiu-se sobre certos aspectos básicos da formação vicentina. Gostaria de destacar estes aspectos:

1. Perspectivas fundamentais para a formação  permanente vicentina: Cultivar nossa vocação missionária.

O seguimento de Cristo, evangelizador dos Pobres, constitui o principal eixo da formação vicentina. Nossa identidade como missionários não nos é dada de uma vez por todas; é antes o resultado de nossa relação diária com Cristo, com a comunidade a que pertencemos, com o mundo e com os Pobres. Estamos convencidos de que a formação não é um estado já adquirido mas antes um caminho: a formação inicial é uma introdução a este caminho que dura toda a vida.

2. Os objetivos que devemos alcançar na formação permanente.

O primeiro objetivo da formação permanente é a santidade que corresponde à vida do missionário (RC I, 3). Unido a este objetivo fundamental está o crescimento contínuo no âmbito humano e profissional, que leva o Coirmão a adquirir uma capacidade ainda mais profunda para relacionar-se com os outros e a ser competente na proclamação da Palavra e na prática da caridade. Como se disse anteriormente, o missionário vicentino é chamado por conseguinte a estar sempre em sintonia com os tempos, a sentir-se intimamente afetado por tudo o que acontece ao seu redor, sabendo discernir nos acontecimentos diários a missão a que Deus o chama. Isto o leva, em fidelidade ao Evangelho, a adaptar seu próprio ministério às necessidades reais das pessoas, aprendendo a ser flexível e criativo em seu apostolado.

3. Os níveis operativos da formação permanente

– No nível pessoal, o Coirmão assume a responsabilidade de sua formação contínua; não pode delegá-la ou fazer-se substituir por outra pessoa ou estratégia. Nas distintas etapas de nossa vida (juventude, adultez, maturidade e idade avançada) e em qualquer dos ministérios que exerçamos, todos os Coirmãos temos que cultivar a disciplina constante da formação permanente.

– No nível local, a comunidade constitui o contexto principal da formação em que cada Coirmão é desafiado constantemente a crescer.

– No nível provincial, o Visitador é chamado a criar, onde ainda não exista, a Comissão para a formação permanente, dando-lhe os meios para que ajude o desenvolvimento da motivação pessoal sobre a importância da formação permanente em todos os Coirmãos.

– No nível das Conferências de Visitadores e de Províncias, hoje são indispensáveis os   encontros de formação, os intercâmbios e as avaliações.

– No nível da Congregação,  é necessário desenvolver algumas linhas de formação específica vicentina (Ratio Formationis, Guia Prático para a Formação Permanente ou Linhas de Ação).

4. Obstáculos encontrados na formação permanente

No caminho da formação, os Coirmãos encontram, ao longo de sua vida, muitos obstáculos, começando pelos que  se manifestam no nível pessoal, tais como a debilidade da dimensão espiritual, a preguiça intelectual, a falta de interesse pela leitura e pelo estudo, o abuso dos meios de comunicação (Internet), o pragmatismo apostólico que não deixa espaço para uma reflexão atenta e constante sobre os sinais dos tempos, o individualismo nos ministérios, que se deixa levar pelo desejo da realização pessoal.

No nível comunitário, os obstáculos assumem a forma duma mudança para valores e um estilo de vida burgueses, falta de projetos de formação e de programas concretos operativos, dificuldade na relação de uns com os outros de forma responsável e madura, distanciamento em relação aos Pobres que torna proporcionalmente mais difícil o conhecimento da realidade deles.

Finalmente, no nível cultural, os principais obstáculos na formação permanente incluem aspectos como o consumismo, o fundamentalismo, o relativismo, o debilitamento da verdade, etc. Tudo isto contrasta com o viver, buscar e testemunhar a verdade com simplicidade e humildade, que constituem os primeiros passos no seguimento de Cristo.

5. Os valores da formação permanente

A formação permanente, voltando às fontes que a alimentam, revendo e atualizando as ferramentas recebidas na formação inicial, mantém vivo o carisma vicentino, aprofunda-o, aperfeiçoa-o e o reinterpreta frente aos novos desafios.

A formação permanente é parte importante da ajuda para aperfeiçoar-nos na arte de amar os Pobres. Ao mesmo tempo, a formação permanente nos proporciona os instrumentos necessários para compartilhar, de modo autêntico, o amor de Deus com todas as pessoas.

Recomendo encarecidamente a cada um de vocês, individual e comunitariamente, que cumpram o que foi escrito nesta carta e especialmente os objetivos assinalados. Sei que em muitas Províncias já se reconhece a importância da formação permanente para os Coirmãos de todas as idades. Impressionou-me muito o número de programas criados para que os Coirmãos possam preparar-se adequadamente para a missão que lhes foi confiada. Por outra parte, as conseqüências duma falta de formação permanente são nefastas. E os que mais as sofrem são os Pobres que somos chamados a servir.

A formação permanente, quando bem feita, só pode melhorar a qualidade de nossa missão. Com relação ao tema da formação permanente, o número 3 da Vincentiana de 2007 foi dedicado aos conteúdos da reunião do México. Ali vocês encontrarão a apresentação que fundamentou a reflexão dos Visitadores e também o processo que indicou o caminho a seguir para realizá-la e os resultados desse caminho, como aparecem no resumo apresentado pelos que sintetizaram as idéias dos grupos.

Peço a todos vocês que reflitam seriamente sobre o que dizem nossas Constituições e Estatutos acerca da formação permanente. Aceitem essa reflexão como um desafio para uma fidelidade criativa cada vez maior. Além do artigo 2 das Constituições, já mencionado, peço-lhes que reflitam e rezem estes outros artigos das Constituições: 25 § 2 (e o artigo 42 dos Estatutos); 77 § 1 e § 2;  78,  § 1, § 2 e § 4; e 81.

Seu irmão em São Vicente,

G. Gregory Gay, C. M.,
Superior Geral