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Assembleia Provincial – 24-28/agosto/2009

15 de maio de 2014
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O caminho feito depois da AG2004

1. Revitalizar nossa vocação. Como você manifesta concretamente (como indivíduo, como comunidade local, como Província) a revitalização de sua vocação depois da AG2004?

Nossa vocação missionária tem adquirido mais sentido, entusiasmo e dinamismo, especialmente a partir de nossa inserção no meio dos Pobres e de nosso apostolado em áreas eminentemente missionárias. As Missões Populares, realizadas com a participação dos vários ramos da Família Vicentina, assim como os trabalhos que vêm sendo realizados em comum (atividades pastorais, de assessoria, de reflexão e formação), com especial destaque para a parceria com movimentos leigos vicentinos, têm ajudado na revitalização de nossa vocação e no aprimoramento de nossas convicções missionárias. Outros fatores que merecem destaque são: os Projetos Sociais da Província Brasileira da Congregação da Missão que, sendo desenvolvidos na perspectiva da cooperação e aprimoramento missionários, causam significativos impactos na obra das Missões; a participação na Conferência dos Religiosos do Brasil e em pastorais específicas, ampliando os horizontes de nossa consagração e nos inserindo nas grandes urgências da Igreja e do mundo atual; e a inter-relação e intercâmbio de pessoal e para os estudos com as Províncias da América Latina e Moçambique. No âmbito da formação permanente, tem havido grande investimento na valorização da dimensão humana e na capacitação dos Coirmãos para os mais diversos ministérios. Além dos vários encontros e cursos promovidos pela Conferência dos Bispos do Brasil, Conferência dos Religiosos do Brasil e Conferência Latino-Americana das Províncias Vicentinas, a Província Brasileira da Congregação da Missão tem pautado sua formação permanente na promoção de várias atividades formativas, como Encontro de Formadores, de Coirmãos Jovens, de Irmãos, de Párocos e Vigários Paroquiais, de Superiores e Ecônomos. Na mesma linha, tem havido liberação total ou parcial de alguns Coirmãos para os cursos de especialização e aprimoramento em vista de uma melhor resposta aos desafios apresentados por nossas obras. No âmbito da formação inicial, destacam-se as iniciativas para a integração do processo formativo e a pastoral dos Estudantes dentro do contexto latino-americano.

Por outro lado, deixamos de dar alguns passos significativos para a revitalização de nossa vocação. Ainda não conseguimos superar o individualismo e o fechamento que atravancam nossa vocação missionária. Falta-nos ampliar os horizontes da compreensão de nossa vocação como vocação inserida numa realidade específica que exige de nós posturas claras e respostas concretas. Nossa integração com o mundo dos Pobres muitas vezes fica no plano teórico e não nos mobiliza para o engajamento. No âmbito da formação permanente, ainda nos falta uma melhor organização dos estudos de especialização a fim de garantir uma resposta aos desafios do mundo e de nossas obras, ampliando, a partir do estudo do Coirmão, os horizontes de toda a Província. Para tanto, seria muito útil um Plano de Formação Permanente que contemplasse objetivos, urgências, programas, datas, repercussão, etc. dos estudos. No âmbito da formação inicial, falta-nos ainda uma maior estabilidade no processo formativo, especialmente quanto à organização das casas, etapas e quadro de formadores.

2. Fortalecer a atividade apostólica. Quando o Espírito de Deus levou você (como indivíduo, como comunidade local, como Província) a dar novo impulso a seu trabalho apostólico, como respondeu concretamente? 

Percebemos o dinamismo missionário da nossa Província quando se faz presente em áreas pobres e na abertura de novas frentes missionárias e no fortalecimento de nossa presença nas paróquias das periferias das grandes cidades. Houve também grande empenho na revisão da Ratio Formationis; empenho nas atividades ministeriais, na direção espiritual, nas assessorias. Temos procurado sempre aliar nosso trabalho administrativo com a dimensão vocacional que nos é própria. Temos avançado na compreensão de que a formação específica não é apenas para as questões relativas à administração, mas para todos os nossos trabalhos apostólicos específicos (educação, formação, pastoral…).  Além disso, a Província tem se preocupado em criar condições adequadas para a pessoa se formar e ir também se formando ao assumir determinada obra. A partir da formação inicial tem-se procurado fomentar, cada vez mais, a nossa presença junto às novas realidades de pobreza. Também tem-se trabalhado a consciência de que somos uma Congregação internacional e que desde o princípio precisamos estar disponíveis à missão no mundo inteiro. Descobrimos cada vez mais que a clareza quanto à especificidade de nosso trabalho vicentino é o principal fortalecedor de nossa atividade apostólica.

Por outro lado, percebemos que precisamos caminhar e aprofundar a nossa formação para uma maior inserção junto aos Pobres, nas missões. Algo que poderia ajudar quanto a isto seria refletir mais sobre as questões missionárias e pastorais. Podemos avançar quanto à formação dos leigos (formação ampla) de modo a ampliá-la para além daquela fornecida nas paróquias, abrindo os horizontes missionários para além das paróquias, promover interligações com as Pastorais específicas, movimentos diocesanos e outros.  Também precisamos ampliar, na formação inicial e permanente, as questões referentes à administração em função do nosso carisma. Há necessidade de investir na elaboração de um Projeto Missionário e incentivá-la, para garantir a continuidade e a linha de trabalho das nossas obras e assegurar também o bem do povo de Deus a nós confiado. Quanto à Família Vicentina faz-se também necessária a ampliação dos trabalhos para um atendimento mais adequado das demandas que são cada vez mais crescentes e de acordo com o nosso carisma.

3. Renovar nossa vida comunitária. São Vicente nos chama a viver “como amigos que se querem bem” (C 25,1º): De que maneira prática você respondeu a este chamado à luz das indicações da AG2004?

Vivemos em Comunidade em vista da missão. Em nossa Província, percebemos crescimento e avanços. São significativos a superação das tensões e pesados confrontos do passado e o clima de paz e entendimento entre os Coirmãos, nas assembléias provinciais, nas reuniões e encontros provinciais.  A direção provincial tem se empenhado em caminhar à luz do Projeto Provincial, motivando a elaboração do Projeto Comunitário. Através dele a vida comunitária com as suas várias atividades nos ajuda a preparar-nos bem para melhor servir os Pobres. Há o esforço por parte de algumas comunidades em elaborá-lo, acompanhá-lo e revisá-lo. Tem havido, também, um esforço, ainda que tímido, de uma cooperação interprovincial através de encontros, reuniões e ajuda mútua. Tem havido atenção e cuidado para com os Coirmãos mais idosos e enfermos através do seu acolhimento em casa devidamente equipada para atendê-los. No processo de formação inicial, tem-se investido na consciência de pertença à Congregação e na dimensão comunitária em vista da missão no mundo dos Pobres.

Por outro lado, percebemos que a nossa vida comunitária tem sido marcada também pelo modo de vida da pós-modernidade, que se caracteriza, entre outras coisas, pelo individualismo e pela fragmentação de ideias, valores e situações. Muitos Coirmãos não têm assumido integralmente o Projeto Comunitário, gerando, com isso, incoerências, falta de comunicação para as iniciativas dos trabalhos, faltas de compreensão e solidariedade, desatenção para com o outro, gestos de discórdia, desrespeito e separação. Um longo caminho há de ser feito, sobretudo nas comunidades locais quanto à oração, aos momentos comunitários de lazer, de leitura e formação permanente, ao empenho no trabalho em equipe. Notamos que é necessário buscar humanizar a vida comunitária em vista da missão através do perdão, para que as nossas ações correspondam ao Projeto de Deus e a nosso carisma missionário.

O tema da Assembleia Geral de 2010

A formação permanente

4. Os textos formativos (Constituições, Estatutos, Normas Provinciais, etc.) teriam de exercer alguma influência em seu crescimento vicentino: Como os tem valorizado? Até que ponto incidem em seu processo de crescimento contínuo?

A leitura constante dos textos vicentinos é um meio seguro de responder à nossa vocação. Entretanto, essa leitura é pouco feita e, consequentemente, tem com pouca incidência em nossa vida pessoal e missionária, ficando, em geral, só com os estudos realizados no Seminário Interno, salvo raras exceções individuais. Sente-se também deficiência de estudos e reflexões mais decisivos em encontros provinciais. Percebe-se uma carência de planejamento mais adequado quanto a cursos de especialização, levando-se em conta mais o plano provincial e os dons pessoais.

Nossas atividades diárias (homilias, assessorias, retiros, aulas, reuniões comunitárias), quando nos empenhamos de verdade em sua preparação, são momentos importantes para nossa formação permanente. Até mesmo os conteúdos disponibilizados pela Congregação, pela Província, pela Conferência dos Religiosos do Brasil, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pela Internet, são ótimos instrumentos para o processo de nosso crescimento contínuo.

5. Dada a importância das motivações pessoais, quais experiências contribuem para fortalecer em você o desejo de um processo de formação contínua?

O mais das vezes, a interpelação que nos faz a realidade em que estamos inseridos torna-se uma motivação preciosa para a formação permanente. Podemos aprender em cursos externos, voltados para a área de atuação, como com a experiência e a prática diária. Vários momentos de nossa ação vicentina podem compor uma metodologia de formação permanente: fazer uso diretamente das fontes vicentinas, conhecendo São Vicente e a sua prática em seu tempo (especialmente agora com a tradução da obra de Pierre Coste); investir em encontros de formação nas comunidades locais; participar de movimentos sociais e grupos de reflexão não ligados diretamente à Família Vicentina; dedicar-se às visitas aos Pobres e voltar o olhar para a nossa prática atual, atentos ao que é positivo e àquilo que precisa melhorar; projetar nossa ação para o futuro, preocupados em ser verdadeiros missionários vicentinos e em agir como tal.

Algumas experiências têm contribuído também para o crescimento na formação permanente, tais como a participação em encontros de Missionários jovens, de Párocos e de Irmãos, em atividades sugeridas pela Província, nos retiros provinciais, nos eventos promovidos pela Família Vicentina como as Missões Populares Vicentinas, na participação nos encontros internacionais promovidos pela Conferência Latino-Americana das Províncias Vicentinas e pela Cúria Geral, no envolvimento dos Coirmãos na ação social e na mobilidade não só geográfica, mas também de área de atuação. Os encontros de formadores, em níveis interprovincial e latino-americano, bem como a participação em cursos intensivos de pós-graduação e na Escola de Espiritualidade Vicentina, têm contribuído para o fortalecimento da formação permanente. Também o investimento na formação de leigos da Família Vicentina tem ajudado alguns coirmãos a se empenharem nesse aspecto.

6. Você tem experiências, ideias, sugestões ou propostas para compartilhar?

A direção da Província Brasileira da Congregação Missão não tem medido esforços para criar com os Coirmãos condições para melhor desenvolverem sua formação permanente, incentivando a continuidade dos estudos acadêmicos, em encontros formativos promovidos pela Igreja, pela Província, pela Conferência Latino-Americana de Províncias Vicentinas e pela Cúria Geral.

Uma proposta fundamental para a Formação Permanente de todos os Coirmãos é o repasse das informações e a repercussão de seus estudos e aprendizados na vida provincial. Também se faz necessário incentivar a produção do conhecimento e da pesquisa e uma participação maior em outros movimentos sociais junto de povos e grupos menos favorecidos.

Considerando que a Formação Permanente não deve ser episódica, faz-se necessária a criação de um Plano de Formação Permanente para melhor orientar todo o processo de formação dos Coirmãos.

Fidelidade criativa à missão

7.  O art. 2 de nossas Constituições nos convida a uma “fidelidade criativa à missão”. Sabendo que Jesus Cristo, Regra da Missão, é o centro de nossa vida e de nossa atividade (CC 5), o que poderíamos fazer concretamente, nos próximos anos, para: a) responder às exigências da fidelidade ao evangelho como seguidores de Jesus Cristo Evangelizador dos Pobres; b) responder aos sinais dos tempos como pessoas do século XXI; c) “abrir novos caminhos e empregar novos meios” como homens novos; d) responder aos “clamores da Igreja” como filhos seus?

É essencial à Congregação estar em estado permanente de missão e definir o nosso lugar apostólico sabendo ler os sinais dos tempos e do Reino com consciência crítica e coragem evangélica.  Assim, seremos fiéis à nossa identidade vicentina na medida em que formos missionários coerentes com o que pregamos. Para isso, a vivência das cinco virtudes, tão querida de São Vicente, é primordial para a nossa proximidade com os Pobres. Estar no meio deles convivendo e partilhando de sua vida em seus momentos de alegrias e de dificuldades nos torna verdadeiramente missionários de acordo com o coração de Deus e o desejo de São Vicente.

Somos, pessoal e comunitariamente, interpelados a ser criativos, dinâmicos e abertos a novos meios que nos ajudem a desenvolver nossos ministérios atuais. Nossa disponibilidade não pode resumir-se apenas ao nosso gosto ou preferência, mas deve ser regrada pela necessidade da missão e pela obediência de que fizemos voto.

Atentos à nossa maneira de evangelizar, é importante atualizar-nos constantemente, quanto ao conteúdo e às técnicas, para podermos colaborar com organismos de defesa da vida e de movimentos que, com os Pobres, lutam pelas suas causas. Concretamente, podemos atuar na formação de lideranças e de voluntários leigos dentro da metodologia da ação social vicentina, especialmente intensificando nossa presença junto à Família Vicentina; desenvolver projetos sociais e educacionais que atendam às necessidades dos mais pobres, ampliando seus horizontes para uma colaboração maior com as Missões; participar dos Conselhos municipais (saúde, assistência social, da educação, do idoso, da criança, do adolescente e da juventude) para melhor conhecer os direitos e os meios disponíveis para a melhoria do atendimento do povo; assumir realidades extremamente pobres, no intuito de pensar uma Missão Itinerante, baseada em Pastorais Específicas e numa forma de atuação junto dos Pobres; estudar novas formas de colaboração com o Clero diocesano, especialmente em dioceses mais pobres e distantes dos grandes centros; concretizar o intercâmbio de estudos entre os Estudantes vicentinos e favorecer a integração entre os formandos dos vários ramos da Família Vicentina; intensificar a colaboração com a missão além fronteiras, especialmente com a África.

8. A Congregação da Missão, dispersa por todo o mundo, tem consideráveis recursos humanos e financeiros. De que maneira podemos responder às necessidades do mundo de hoje com maior rapidez e flexibilidade? Quais mudanças estruturais você pensa que fazem falta para uma efetividade criativa?

Para uma mudança estrutural verdadeiramente efetiva, requer-se uma consciência maior de que somos uma Congregação internacional. Para isso, foi importante a criação de diversos fundos para ajudar as Províncias mais pobres, para incentivar e financiar atividades missionárias e para estimular projetos significativos. Entretanto, é importante que se promova uma lúcida revisão de obras com objetivos definidos e significativos de nossa identidade e carisma.

Faz-se necessária uma mudança de mentalidade que nos leve a abandonar o assistencialismo e voltar-nos com mais afinco para projetos sociais e de evangelização mais condizentes com as necessidades atuais e a nossa missão. É importante, então, uma capacitação profissional adequada, sem amadorismo e improvisação, através do investimento na formação técnica que possibilite uma administração mais de acordo com essas necessidades. Ademais, é preciso gerenciar de maneira mais eficaz os recursos em vista de sua destinação aos Pobres.

Nos últimos anos, a união de forças com a Família Vicentina tem crescido muito, podendo, no entanto, crescer ainda mais, inclusive liberando totalmente alguns Coirmãos para a assessoria e acompanhamento dos grupos. A integração dos leigos em nossas atividades poderia ser maior e mais efetiva, na medida em que os ajudássemos a se sentirem corresponsáveis e não apenas ajudantes. Nesse sentido, poderiam ser acolhidos, mediante definição de critérios, os ex-Padres lazaristas e ex-Alunos que queiram trabalhar conosco.

Outra força de mudança estrutural é a participação de Coirmãos em conselhos municipais e em movimentos sociais.

9.  Desde muito tempo, na Congregação se fala em reconfiguração, um conceito que pode ter significados diversos. As Constituições (nº 2) nos convidam a revisar atentamente e a coordenar obras e ministérios para permanecer em estado de renovação contínua: você tem experiências de sucesso no processo dereconfiguração (em nível de Província, de atividade apostólica, de bens econômicos, etc.), que queira compartilhar?

Entre nós, as experiências de reconfiguração mais significativas são as Missões Permanentes em áreas carentes, as Missões Populares Vicentinas com o Curso de Formação Missionária, a colaboração interprovincial, a Assessoria à Família Vicentina, a atuação de alguns Coirmãos em Pastorais Específicas e em Movimentos Sociais, e, na formação inicial, a participação dos Formandos, ainda durante o processo formativo, nessas Pastorais, dando-lhes oportunidade de estarem mais próximos da realidade e de melhor se identificarem com o carisma vicentino. Há de se ressaltar, também, a participação dos Formandos, em suas várias etapas, nas atividades formativas e de evangelização promovidos por organismos da Igreja do Brasil.

Convite ao diálogo com outras realidades

10. Com os Pobres: já que não só evangelizamos os Pobres, mas também somos evangelizados por eles (CC 12,3º), o que eles lhe dizem de sua situação e de suas necessidades?

Como a Província Brasileira da Congregação da Missão se encontra em realidades bastante distintas, lidamos com os mais diversos tipos de pobreza. Muitos dos Pobres com quem lidamos diretamente são trabalhadores que procuram, na medida do possível, viver com alegria, não são passivos e já não se entregam ao fatalismo, pois têm esperança de melhorar sua situação no futuro. Poucos têm um engajamento social nos trabalhos das associações comunitárias, nos sindicatos, nas Comunidades eclesiais e manifestam disposição para o trabalho voluntário.

Entretanto, em alguns contextos eclesiais, nem sempre a Igreja tem a atitude que os Pobres esperam dela. Em algumas cidades grandes e em outros lugares onde atuamos mais diretamente, no mais comum das vezes, a Igreja tem pouca presença nas periferias (onde se encontra a maioria dos Pobres), assim, ao invés de a Igreja ir aos Pobres, os Pobres é que têm de ir à Igreja. Muitas vezes esta distância se torna um fator decisivo para os Pobres não participarem na vida da Comunidade eclesial.

Os Pobres necessitam de uma Igreja que os acolha em todas as suas necessidades. Para isso, somos instados, malgrado nossas inquietações e impotência, a ser Igreja que vai às periferias, que se aproxima dos Pobres para ser-lhes solidários na reivindicação de direitos e no combate às injustiças. Para tanto, precisamos estar bem preparados para a realização de nossos ministérios, oferecendo sempre o melhor de nós para os Pobres, falando uma linguagem que sejasimples, a ponto de ser compreendida por todos;  forte, de maneira a animá-los a empreenderem ações transformadoras, ecom conteúdo, a ponto de capacitá-los para se tornarem multiplicadores daquilo que aprenderem. Com eles, com certeza, aprendemos a paciência, a resistência, a “verdadeira religião” e temos de exercitar a escuta, a fim de que todos os projetos missionários partam de suas reais necessidades. Eles nos questionam, principalmente em nosso estilo de vida e esperam de nós presença de qualidade.

11. Com os apostolados dinâmicos: Você conhece novas formas de apostolado que nestes últimos tempos o impactaram por seu dinamismo e criatividade? Em que é baseado seu sucesso?

Chamam a atenção o grande número de leigos presentes nas comunidades eclesiais e nos novos Movimentos, e as novas Formas de Vida Consagrada. Acreditamos que o sucesso destes últimos se deva, em parte, à radicalidade com que vivem o seu estilo de vida, à flexibilidade de sua organização, ao resgate do laicato e à valorização de sua formação, especialmente em relação ao protagonismo da juventude, e à atuação e presença nos Meios de Comunicação Social.  Outro elemento de sucesso é a busca de respostas frente às decepções do mundo de hoje. Destacamos a dimensão orante desses movimentos, embora com características intimistas. Salienta-se a dimensão afetiva, com posturas moralistas e de respostas imediatas, e a provisoriedade e rotatividade de seus membros.

Como percebemos certa dissociação entre fé e vida, acreditamos que nossa missão junto desses movimentos seja ajudá-los a despertar para um maior compromisso com os Pobres e com a transformação da sociedade.

Nas Comunidades Eclesiais, destacam-se as diversas Pastorais Específicas que primam pela presença solidária e pelo apoio às suas lutas. Nelas, o engajamento social e político através da participação nos diversos espaços (Conselhos municipais, Movimentos sociais, ONGs) nos faz ver que a busca do resgate da cidadania faz parte de uma evangelização integral que visa a pessoa como um todo.  Neste sentido, alguns desafios tornam-se prementes, como o acompanhamento da juventude, a presença nos Meios de Comunicação Social e a inclusão da questão ecológica em nosso apostolado.

Sobressaem também projetos sociais com uma nova metodologia evangelizadora. Neles é apresentado um rosto de Igreja diferente daquela que exclui, porque se mostra preocupada com a pessoa e tenta ajudá-la em suas maiores necessidades.

12. Com a Família Vicentina: O que nos podem ensinar os outros membros da Família Vicentina? A que nos chamam?

O convívio com os ramos da Família Vicentina representa para nós um valoroso espaço para a troca de experiências.  Por um lado, nos enriquecemos quando somos por eles assessorados e vemos seu amor a São Vicente e sua fidelidade aos Pobres, suas metodologias, suas dinâmicas, seus meios de comunicação e, ao mesmo tempo, somos questionados por muitas de suas obras e por sua presença junto aos mais Pobres.

Sentimos que ainda precisamos criar espaços cada vez mais amplos para atuarmos em comunhão, especialmente intensificando a assessoria aos movimentos leigos vicentinos. O tempo todo, somos chamados a fazer-nos presentes junto aos ramos da Família Vicentina. Muitas vezes, somos convidados a liderar os diversos regionais, mas não podemos confundir liderança com chefia. Nossa liderança deve estimular uma melhor e maior participação de todos os ramos nos encontros, nos projetos comuns, nas celebrações.