DOCUMENTO FINAL DA 40ª ASSEMBLEIA GERAL DA CONGREGAÇÃO DA MISSÃO
NOSSA IDENTIDADE VICENTINA HOJE À LUZ DAS CONSTITUIÇÕES: AVALIAÇÃO E DESAFIOS

“Queridos irmãos, os senhores não só deram uma notável contribuição para a ação da Igreja nos últimos quatro séculos, pela qual lhes está profundamente agradecida, mas também têm ‘uma grande história que construir’ (Vita Consecrata, 110). Enquanto buscam como viver melhor o carisma vicentino, minha mensagem é esta: “Duc in altum!”, “Avancem para águas mais profundas!”[1].

I – UM OLHAR SINCERO PARA O PASSADO IMEDIATO

As Constituições da Congregação da Missão são o resultado de um longo caminho de discernimento em resposta ao chamado feito pelo Concílio Vaticano II para que se expressasse, de um modo novo, o carisma próprio e se revisse a organização jurídica das comunidades. 

O trabalho atento e delicado de três Assembléias Gerais se concluiu com a redação do texto definitivo, promulgado dia 27 de setembro de 1984, depois de aprovado pela Santa Sé[2]. 

Ao promulgar as novas Constituições, o Superior Geral, Pe. Richard McCullen, declarava: “A identidade da Congregação dentro da Igreja está delineada nas páginas deste livro”, eexpressava seu fervoroso desejo: “Devemos agora imprimir o texto das Constituições no mais fundo de nosso coração e exprimi-lo na vida quotidiana, para realizar plenamente nossa vocação de evangelizadores dos Pobres”.

Revimos e avaliamos nossa vida e missão à luz das Constituições. Assim, tentamos ver como a Congregação, em seu conjunto, viveu a identidade que está descrita nelas.

Comprometemo-nos a fazer das Constituições um eixo permanente de referência. Descobrimos que, em meio às atividades diárias, damos muitas vezes por supostos os princípios inspiradores de nossa vida e mal olhamos as Constituições, com que deveríamos confrontar-nos constantemente.

Juntos, damos graças a Deus porque nossas Constituições atualizam as intuições de São Vicente de Paulo e a tradição vicentina e impulsionam nossa vida no seguimento de Cristo evangelizador dos Pobres.

A Congregação, reunida em Assembléia Geral, reitera a qualidade e riqueza de nossas Constituições ao definir nossa identidade. Manifestamos com clareza nosso apreço por elas, assim como pelos êxitos obtidos sob sua inspiração. Ao mesmo tempo, constatamos as dificuldades encontradas no caminho e a urgência de desenvolver em nossa vida, em nossos ministérios e nas estruturas da Congregação a identidade que aceitamos teoricamente. 

A pergunta sobre nossa identidade – quem somos? – se responde com um novo entusiasmo, um fogo vibrante, uma esperança renovada e um ir deixando para trás nossas acomodações, abrindo-nos ao sinal profético da entrega generosa para o serviço urgente da missão.

Congregação da Missão, sê o que és! Não te conformes com a mediocridade. Transforma-te em fogo. Caminha com paixão no seguimento de Jesus Cristo Evangelizador dos Pobres, a exemplo de São Vicente. Aviva o carisma, dom que o Espírito te confiou. Trabalha e estende incansavelmente as fronteiras da missão. Vive como testemunha convicto e propaga a vitalidade de tua vocação!

A partir desta fidelidade criativa poderemos dar razão de nossa identidade e responder aos novos desafios nos próximos anos.

II – UM OLHAR ATENTO AO PRESENTE

Desde a promulgação das Constituições até hoje, foram muitas e notáveis as mudanças ocorridas e vividas no mundo, na Igreja e também nas nossas Províncias, Vice-Províncias e Comunidades. As últimas Assembléias da Congregação ofereceram pautas para atualizar nossa vocação e nossa missão[3]. 

Seguindo a mesma orientação pastoral de nossas anteriores Assembléias, a 40ª Assembléia Geral oferece a todos os membros da Congregação sua reflexão sobre o impacto que produziram sobre nossa identidade as principais mudanças que estão ocorrendo na sociedade e na Igreja. Também oferece sua reflexão sobre os principais desafios que devemos enfrentar nos próximos anos. 

1- Em relação aos valores

Vivemos um momento histórico que constitui uma verdadeira mudança de época. Somos testemunhas do nascimento e desenvolvimento de uma cultura que produz novos modelos de vida. Por um lado, aparecem novas formas de relação e de solidariedade em favor da paz, uma consciência universal mais acentuada, um apreço do valor da dignidade da pessoa humana, o reconhecimento progressivo dos direitos da mulher e um crescente interesse pela defesa da vida. E, no contexto da fé, há sinais e manifestações de fidelidade a Jesus Cristo. Por outro lado, existe uma crise crescente das instituições sociais, políticas e familiares. E também um enfraquecimento dos valores cristãos, devido ao auge de um estilo de vida socialmente individualista, economicamente consumista e religiosamente intimista.

Estas mudanças produzem um forte impacto em nossa identidade vicentina, porque exigem de nós novas formas de relação, de presença e inserção no mundo e uma postura crítica com relação aos valores contemporâneos. Estas exigências implicam uma contagiante experiência espiritual vicentina, uma formação inicial e contínua, teórica e humanamente consistente, e uma presença profética de comprometimento com os Pobres.

Tudo isso nos leva a viver nossa identidade e os valores vicentinos, expressos em nossos votos e nas cinco virtudes próprias de nosso carisma, de tal maneira que sejam mais críveis, tanto para nós como para a sociedade em que estão sendo constantemente desvalorizados.

2 – Em relação a nossa atividade apostólica

Estamos experimentando os complexos efeitos da globalização. De um lado, efeitos positivos, como o avanço dos meios de comunicação, o interesse e a solidariedade com a causa dos Pobres, e, na Igreja, o protagonismo dos leigos e os esforços realizados para transformar a sociedade. De outro lado, existe uma distância cada vez maior entre ricos e pobres, destruição de culturas locais e deterioração do meio ambiente, estruturas injustas, exploração dos trabalhadores, corrupção, consumismo, crescimento do número de refugiados e de emigrantes, incremento do tráfico de mulheres e de crianças e uma ampla variedade de problemas como o fundamentalismo, as guerras e o terrorismo e a ameaça de doenças mortais de transmissão em massa.

O impacto destas mudanças em nossa identidade vicentina se manifesta em:

– uma consciência crescente da necessidade de conseguir uma compreensão adequada da Igreja e da missão vicentina;

– uma disposição criativa para ter iniciativas de ajuda e colaboração na Igreja e na sociedade;

– uma vontade mais forte de compartilhar em toda a Congregação nossos recursos, humanos e econômicos, para responder o melhor possível aos chamados dos Pobres.

Tudo isso implica em que nos esforcemos para partilhar o espírito comum com os outros ramos da Família Vicentina e que escutemos juntos o chamado a uma conversão contínua, integrando-nos mais profundamente no mundo e na realidade dos Pobres. 

3 – Em relação às vocações e à vida comunitária

Constatamos que em algumas Províncias da Congregação está crescendo o número das vocações e dos missionários jovens, ao passo que noutras diminuem seus membros e sua idade é avançada. 

Esta situação produz seu impacto em nossa identidade vicentina. Nas Províncias com aumento de vocações e de missionários jovens se faz um esforço por realizar planejamentos de longo prazo e há uma preocupação por dispor de recursos econômicos para sua manutenção. Nas Províncias que experimentam a diminuição de seus membros e a idade avançada dos mesmos, existe agora um compromisso renovado na promoção vocacional e um interesse maior em expressar o caráter vicentino de nossos ministérios e de nossa vida apostólica.

As implicações que brotam destas mudanças são:

– um renovado compromisso com o seguimento de Cristo evangelizador dos Pobres;

– um convite aos jovens para partilhar nossa oração, nossa vida fraterna e os trabalhos de evangelização;

– uma insistência na importância de nossa vida comunitária como testemunho de nossa vocação, de nossa missão e de nossa realidade multicultural.


III – UM OLHAR CORAJOSO PARA O FUTURO

1 – REVITALIZAR NOSSA VOCAÇÃO 

“O espírito da Congregação é a participação no espírito do próprio Cristo, do modo como é proposto por São Vicente: ‘Enviou-me para evangelizar os Pobres’ (Lc 4, 18). Por conseguinte, ‘Jesus Cristo é a regra da Missão’ e será tido como o centro de sua vida e de sua atividade (SV XII, 130)” [Const. 5].

Fiéis à nossa vocação, somos chamados a:

* Oferecer uma formação inicial e contínua, segundo o modelo de Cristo, Evangelizador dos Pobres, aprofundando no conhecimento de nossa identidade vicentina por meio do estudo, dos encontros de missionários jovens, das reuniões provinciais, interprovinciais e internacionais, e da participação nos exercícios espirituais e retiros.

* Acudir com freqüência à fonte das Constituições, nos momentos de oração e nas reuniões de formação, tanto comunitárias como provinciais.

* Expressar com fidelidade criativa o carisma vicentino nas culturas dos diversos povos e nas novas culturas de nosso tempo.

* Desenvolver uma pastoral vocacional eficaz, tendo em conta a formação de equipes que aanimem e coordenem.

* Acolher com gosto em nossa vida comunitária, em nossa oração e em nosso trabalho evangelizador os possíveis candidatos a serem missionários.

* Estar abertos a novos estilos de vida comunitária com leigos, em função da missão.

* Criar e promover grupos da Família Vicentina em nossas obras, oferecendo-lhes uma sólida formação vicentina.

Durante a Assembléia, os Coirmãos se reuniram por grupos continentais e, depois de ter considerado estes desafios, propuseram as seguintes linhas de ação para revitalizar a vocação: 


África (COVIAM)

1. Formação de formadores (continuação em Quênia).

2. Colaboração interprovincial de pessoal e de estudantes.

3. Estudar inglês e francês (para melhor comunicação e proximidade das Províncias e Vice-Províncias).


América do Norte (CUSAV)

1. Uma cooperação sistemática e contínua entre os diretores de pastoral vocacional de cada uma das cinco Províncias dos Estados Unidos da América.

2. Um apoio contínuo (econômico e de outro tipo) para os projetos de tradução e trabalhos do Instituto de Estudos Vicentinos.

3. Uma iniciativa nacional (possivelmente Internet) para estudar e assimilar mais as Constituições.


América Latina (CLAPVI)

1. Continuar aprofundando nossa experiência e seguimento de Jesus Cristo, evangelizador e servidor dos Pobres na realidade latino-americana, através de encontros, cursos zonais da CLAPVI, etc.

2. Prosseguir atualizando nosso carisma, mediante a reflexão antropológica sobre o Pobre, e inculturando-o através do contato direto e do serviço aos Pobres.

3. Apoiar a Escola Latino-americana de Espiritualidade Vicentina e participar em suas promoções.


Ásia – Pacífico (APVC)

1. Dar prioridade aos encontros de formação de formadores.

2. Intensificar um diálogo que estude o rosto de São Vicente de Paulo na Ásia e no Pacífico (exemplos: Carisma e Cultura, Fórum de Teólogos – peritos).

3. Por ocasião dos encontros de formação de formadores, dedicar uma atenção particular à formação permanente.


Europa – Oriente Médio (CEVIM)

1. Reforçar a Conferência de Visitadores da Europa e do Oriente Médio (CEVIM) com um novo estatuto e uma nova estrutura.

2. Dar vida a um projeto europeu de formação vicentina inicial e permanente.

3. Cuidar da dimensão vocacional em todas as nossas atividades apostólicas.


2 – REFORÇAR NOSSA ATIVIDADE APOSTÓLICA

“A caridade de Cristo quando se compadeceu da multidão (cf. Mc 8, 2) é a fonte de toda a nossa atividade apostólica” (Const. 11).

A fidelidade à nossa vocação nos urge a todos, nos próximos anos, a:

* Usar os critérios estabelecidos nas Constituições (art. 2 e 12) para rever as obras que temos, abandonar as que não respondem a esses critérios e dar novo vigor aos ministérios vicentinos atuais.

* Comprometer-nos a trabalhar na evangelização dos Pobres, junto com os membros da Família Vicentina e de outros grupos eclesiais, e a trabalhar também com organismos sociais na defesa e promoção dos Pobres.

* Fomentar a colaboração interprovincial em nossa atividade apostólica para que a evangelização dos Pobres seja mais eficaz.

* Desenvolver, articular e aplicar critérios que acentuem o caráter missionário e profético de nosso carisma em cada um dos ministérios, obras e iniciativas de formação contínua.

* Promover, como verdadeiros discípulos de Cristo, a disponibilidade e mobilidade na aceitação de ministérios próprios de nosso carisma.

* Encontrar novas formas para integrar em nosso ministério o anúncio da palavra e a celebração dos sacramentos com o serviço direto ao Pobre.

* Proporcionar uma formação inicial e contínua que responda aos desafios que a sociedade apresenta à nossa atividade apostólica.

* Investir novas energias na formação dos formadores dos Nossos, do clero diocesano e dos leigos.

Durante a Assembléia, os Coirmãos se reuniram por grupos continentais e, depois de ter considerado estes desafios, propuseram as seguintes linhas de ação para reforçar a atividade apostólica:

África e Madagascar

1. Compromisso com a Missão”‘ad Gentes” de Moçambique.

2. Ajudar na formação do clero diocesano.

3. Colaboração com a Família Vicentina na luta contra a pobreza, especialmente contra a malária e a AIDS.

América do Norte

1. O estabelecimento de um trabalho apostólico subvencionado em nível estatal, com autoridade dada à Conferência Nacional de Visitadores, para designar Coirmãos de cada Província para dotá-la de pessoal.

2. Uma exploração mais ampla de:

a) Um centro (ou centros) para a formação de membros leigos da Família Vicentina; 

b) Formas adicionais para oferecer uma formação especificamente vicentina às associações leigas vicentinas;

c) Oportunidades mais estruturadas para a juventude, para que possa servir os Pobres na tradição vicentina.

3. Organizar uma promoção, cada dois anos, para a formação de Formadores.

América Latina

1. Continuar as experiências missionárias interprovinciais e estar disponíveis à missão “ad Gentes”.

2. Intensificar a colaboração e a articulação com a Família Vicentina para chegar a ser agentes ativos e reconhecidos de mudança social no Continente.

3. Fazer de nossas obras e ministérios escolas de formação missionária e de caridade, com atenção específica para a pastoral juvenil vicentina.

Ásia – Pacífico

1. Realizar programas de colaboração interprovincial em nosso apostolado a curto e longo prazo (China, Ilhas Salomão, Papua-Nova Guiné, Tanzânia, etc).

2. Animar as Províncias a encontrar maneiras concretas de combinar “o ministério do sacerdote com o serviço direto aos Pobres”. As experiências das Províncias serão compartilhadas anualmente por ocasião dos encontros regionais de Visitadores.

3. Reforçar os programas de intercâmbios com o mundo secularizado e as outras religiões.

Europa

1. Promover nas Províncias européias um estilo comum na evangelização e na atividade caritativa.

2. Promover a colaboração com a Família Vicentina e outros organismos que já trabalham em Bruxelas, para participar em projetos de solidariedade social da Comunidade Européia.

3. Promover encontros de estudo e intercâmbio de Coirmãos, para enfrentar o fenômeno da imigração e do Islã na Europa com uma perspectiva comum vicentina.


3 – RENOVAR NOSSA VIDA DE COMUNIDADE

“… é na Trindade que a Congregação encontra o supremo princípio de sua ação e de sua vida”. “A convivência fraterna, que se alimenta continuamente pela missão, forma a comunidade para buscar o progresso pessoal e comunitário e para tornar mais eficaz o trabalho da evangelização” (Const. 20 e 21 §2).

Fiéis a nossa vocação, somos chamados a:

* Formular, levar a cabo e rever periodicamente nossos projetos provinciais, vice-provinciais e comunitários.

* Usar o “Guia Prático do Superior Local” como um meio para renovar nossas Comunidades, especialmente para programar nossa formação contínua e dar apoio aos Superiores.

* Dedicar tempo a programar os pormenores da vida comunitária, prestando especial atenção a preparar nossa oração e a compartilhar juntos seus frutos.

* Fomentar a co-responsabilidade e a transparência na administração dos bens, de acordo como espírito vicentino de sobriedade e de solidariedade com os Pobres.

* Proporcionar a nossos candidatos a formação para a comunidade e na comunidade.

* Atender e assistir nas Comunidades aos Coirmãos idosos, doentes ou que tenham alguma necessidade.

Durante a Assembléia, os Coirmãos se reuniram por grupos continentais e, depois de terconsiderado estes desafios, propuseram as seguintes linhas de ação para reforçar a vida de comunidade: 

África

1. Lutar contra o tribalismo étnico, por meio da sensibilidade, da formação humana e cristã, da igualdade, da tolerância, do equilíbrio, do respeito à dignidade humana.

2. Lutar contra a insegurança e o individualismo, por meio da co-responsabilidade na administração dos bens, da transparência, da solidariedade, do ter só o essencial para a missão e do não acumular para si.

3. Criar um site web com um boletim que saia de dois em dois meses.

América do Norte

1. Explorar possibilidades em favor de um esforço nacional para formar Superiores através de um programa baseado no “Guia prático do Superior Local”.

2. Explorar e implementar o padrão nacional para a contabilidade e a transparência financeira.

3. Em colaboração com a Conferência Masculina de Superiores Maiorese Praesidium (agência acreditada de proteção a filhos ilegítimos) incluindo um programa de formação e adoção, de acordo com um código estabelecido de ética profissional de bom comportamento no ministério, e em particular para a proteção de crianças.

América Latina

1. Intensificar de modo especial a dimensão humana na formação inicial e permanente para uma melhor inserção dos Coirmãos no trabalho e na vida da Comunidade.

2. Aumentar a cooperação interprovincial em todos os sentidos (na acolhida, na formação, no intercâmbio de pessoal…), para a criação de uma consciência missionária e vicentina em nível latino-americano.

3. Desenvolver o sentido de identificação, de pertença e de comprometimento com o ideal vicentino em nossas comunidades.

Ásia – Pacífico

1. Onde alguns Coirmãos vivam isolados, favorecer encontros regulares de oração em que se compartilhem a fé, as experiências pastorais e o acompanhamento.

2. Comprometer-nos com grande empenho em reforçar o sentido da vida comunitária na formação dos Estudantes.

3. Acentuar o papel de guia que os Coirmãos idosos e doentes podem exercer em relação aos demais Coirmãos.

Europa

1. Favorecer as relações comunitárias de amizade, confiança e respeito.

2. Fortalecer a vida espiritual e vicentina dos membros da comunidade.

3. Promover intercâmbios de Coirmãos entre as Províncias Européias.

Os desafios propostos neste documento pela Assembléia Geral, que se concretizarão ainda mais na Províncias e nas Comunidades locais, se baseiam na fidelidade a nosso carisma, feito vida por tantos testemunhas que nos estimulam a pô-los em prática. A vida e o ministério exemplares de São Justino de Jacobis, cuja festa celebraremos amanhã, são muito inspiradores. Acolhemos também de coração as palavras do Santo Padre, o Papa João Paulo II, em sua mensagem ao novo Superior Geral, Pe. Gregory Gay, e a todos nós, quando estávamos na metade do caminho da Assembléia Geral:

“Duc in altum! Avancem para águas mais profundas! (Lc 5, 4). Não tenham medo de arriscar-se, de lançar as redes para pescar. O próprio Senhor será o seu guia!” 

São Vicente disse que “sendo invocada a Mãe de Deus e sendo tomada como padroeira das coisas importantes, não pode senão ir tudo bem, redundando para a glória de seu Filho Jesus”[4]. A ela, a melhor discípula de Jesus Cristo, confiamos nossos compromissos no caminho de uma identificação cada vez mais profunda com Cristo Evangelizador dos Pobres, ao qual constantemente nos enviam as Constituições.

Roma, 29 de julho de 2004,

véspera da festa de São Justino de Jacobis

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[1]Mensagem de João Paulo II ao novo Superior Geral e aos membros da 40ª Assembléia Geral da Congregação da Missão, 18 de julho de 2004.

[2]Constitutiones et Statuta Congregationis Missionis (1969), in VINCENTIANA (1969), 85-126. Declarationes (1974), in VINCENTIANA (1974),286-302. Constitutiones et Statuta. Textus completus Conventus Generalis anni 1968-1969 emendatus a Conventu XXXV (1974), in VINCENTIANA (1974), 303-345. Constitutiones et Statuta Congregationis Missionis (1980), in VINCENTIANA (1980), 193-268. Promulgação das Constituições (1984), in VINCENTIANA (1985), 1-11. Para estudar o caminho percorrido pela Congregação até à promulgação das atuais Constituições, podem-se consultar: M. PÉREZ-FLORES, Desde las Constituciones de 1954 a las de 1980, in VINCENTIANA (1984), 751-784. De las Constituciones de 1980 a las de 1984, in VINCENTIANA (1985), 84-146. C. BRAGA, Las Constituciones de la Congregación de la Misión: notas históricas, in VINCENTIANA (2000), 291-308. VINCENTIANA (1985), 5.

[3]A Assembléia Geral de 1986 ofereceu a toda a Congregação as Linhas de Ação 1986-1992, in VINCENTIANA(1986, p. 549-605). A Assembléia de 1992, com sua Carta aos Coirmãos, estabeleceu diversos compromissos em ordem à “Nova evangelização, Homens novos, Comunidades renovadas”,in VINCENTIANA (1992, p. 359-388). A Assembléia Geral de 1998 promoveu a colaboração dos diversos grupos da Família Vicentina para responder aos desafios da missão: “Com a Família Vicentina, enfrentamos os desafios da missão na entrada do novo milênio” in VINCENTIANA (1998, p. 384-397).

[4]SV XIV, 126; na edição espanhola, X, 567.