Documento Final da XXXIX Assembléia Geral da Congregação da Missão
Com a Família Vicentina enfrentamos os desafios da Missão no limiar do novo Milênio

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres”(Lc 4, 18). Na sinagoga de Nazaré, Jesus, desenrolando o pergaminho, lê as palavras do profeta Isaías relativas ao “ano da graça” e à implantação do Reino[1]. E acrescenta: “Hoje se cumpriuesta passagem da Escritura que acabais de ouvir”(Lc 4, 21). A Congregação da Missão, junto com a Família Vicentina[2], continua trabalhando para que a profecia de Isaías, que é o lema de sua própria missão, chegue a ser uma realidade hoje, no limiar do novo milênio.

A reflexão da Assembléia Geral de 1992, que animou nossas convicções e nossos compromissos nos últimos seis anos[3], comprometeu toda a Congregação na colaboração interprovincial. Assim, ela ampliou o horizonte de nosso olhar em vista de uma maior colaboração com os leigos e com todos os que estão comprometidos com o anúncio de Jesus Cristo e com a luta contra as pobrezas[4]4. Seguindo o mesmo caminho pastoral, a Assembléia Geral de 1998, na passagem do segundo para o terceiro milênio[5], proporcionou, desde sua preparação nas comunidades locais e nas províncias, encontros de intercâmbio e oração com os membros da Família Vicentina. Nesta Assembléia Geral, dedicamos, pela primeira vez, uma semana, de 9 a 14 de julho, ao intercâmbio com 33 representantes, em geral os responsáveis, de diversos grupos da Família Vicentina. Nós, os membros da Assembléia, aprendemos muito com eles e reconhecemos o quanto podemos fazer juntos no serviço aos pobres.

Agora, queremos partilhar com cada um dos membros da Congregação, com as comunidades locais e províncias, o resultado de nossos trabalhos: os desafios que se apresentam para a missão vicentina, as convicções concernentes a nossa vida e missão, assim como alguns compromissos que nos ajudarão a responder, nos próximos anos, aos desafios apresentados.

I. DESAFIOS

Na atitude de escuta de Jesus, o enviado do Pai para evangelizar os pobres, reconhecemos como sinais dos tempos[6] estes quatro desafios:

1. O círculo da pobreza vai se ampliando cada vez mais e o número dos pobres cresce continuamente, sob novas formas, com novos rostos (desempregados, emigrantes, refugiados, excluídos…). Cresce a distância entre países ricos e pobres. A pobreza aparece cada dia com mais clareza, tendo como causas as guerras devastadoras, a corrupção, estruturas injustas, inclusive religiosas. Estes fenômenos devem ser investigados e transformados de modo a promover a justiça e a paz. Por causa das violentas mudanças sócio-econômicas, do neoliberalismo, dos desequilíbrios continentais(novas crises políticas, dívida externa), da flutuação das ideologias e de uma certa cultura de morte[7], os problemas se tornam mais e mais complexos, ao mesmo tempo em que os novos meios de comunicação social no-los tornam mais próximos. Ao mesmo tempo, em nossa sociedade, a cultura da solidariedade[8] vai abrindo caminho, inclusive entre pessoas que não participam de nossa fé cristã. Os pobres vão avançando em organização para ser protagonistas de sua própria libertação e se ajudam generosamente uns aos outros em suas necessidades.

2. Deus parece ausente de certos horizontes culturais. A riqueza moral e espiritualde muitos povos “corre hoje o risco de ser desintegrada diante do impacto de múltiplosprocessos, entre os quais se destacam o secularismo e a difusão das seitas”[9]. Ao mesmo tempo, sinais que animam nossa esperança se tornam visíveis. Há, junto a alguns de nossos contemporâneos, um desejo de interiorização, de contemplação e de conversão. A sensibilidade em favor dos direitos humanos, da promoção da vida, da ecologia… se desenvolveu. A mulher vai descobrindo sua dignidade e reivindicando seu lugar de igualdade na sociedade e na Igreja. Muitos dos membros da Família Vicentina estão empenhados nestas causas.

3. No limiar do novo milênio, a Igreja continua a se renovar. Nas comunidades cristãs mais antigas como nas mais recentes, surge com força o desafio da nova evangelização[10]. Esta exige um explícito anúncio da pessoa de Jesus Cristo como salvador e como plenitude[11]; uma participação efetiva dos leigos nos seus carismas e ministérios; nova solidariedade com os oprimidos; uma espiritualidade missionária renovada e nova relação da Igreja com o mundo, com as outras confissões cristãs e com outras religiões; a inculturação do evangelho nas diversas culturas; e a dedicação das melhores energias à evangelização da juventude. A Igreja, apesar de suas fraquezas e contradições, se descobre a si mesma como sinal de comunhão e de fraternidade e se constrói como“comunidade de comunidades” a serviço do Reino. No interior da comunidade cristã, os leigos vão assumindo suas próprias responsabilidades e exigem novas estruturas de formação.

4. Em nossa própria vocação missionária surgem com força novas interpelações:

·Manter-nos em estado de renovação contínua, em nossas obras e apostolados[12].

·Aprofundar as fontes inspiradoras de nosso carisma e incultura-lo.

·Desenvolver com os leigos a espiritualidade vicentina e missionária.

·Crescer na colaboração com a Família Vicentina, em nível da formação e de ações evangelizadoras, e para dar respostas concretas à pobreza.

·Tornar-nos mais sensíveis à inspiração do Espírito Santo que atua na pessoa do pobre, nos nossos irmãos e irmãs, nos membros de outras religiões.

·Enfrentar os deslocamentos da Congregação da Missão, que está crescendo ali onde as necessidades do mundo são maiores.

·Preparar adequadamente nossos formadores.

·Avançar na colaboração interprovincial.

·Tornar significativo nosso compromisso missionário “ad gentes”[13].

·Dinamizar nosso testemunho e compromisso dentro de um renovado esforço de conversão[14].

II. CONVICÇÕES

Diante destes desafios, que aparecem com acentos diversos nas distantes regiões do mundo, queremos explicitar as seguintesconvicções:

1. No limiar do novo milênio, estamos convictos de nossa responsabilidade missionária a serviço do Reino.

Como Povo de Deus a serviço do Reino[15], no seguimento de Cristo evangelizador dos pobres, sabemos que fomos enviados para proclamar a Boa Nova aos pobres, para trabalhar a serviço do Reino: “Que felicidade, meus irmãos!… Dar a conhecer Deus aos pobres, anunciar-lhes Jesus Cristo, dizer-lhes que o Reino dos Céus está próximo e que este Reino é para os pobres”[16]

Juntamente com os membros da Família Vicentina, nós nos sentimos chamados a atualizar as formas de missão para nosso tempo, conscientes de que a relação entre evangelização e libertação integral é especialmente importante[17].

2. Estamos convictos da força profética[18] e da vitalidade dinamizadora do carisma vicentino.

Com os olhos abertos para a realidade, São Vicente de Paulo, a partir dos acontecimentos de Folleville e Châtillon(1617), descobriu e experimentou Cristo evangelizador dos pobres, e respondeu de maneira profética e criativa ao clamor dos excluídos de seu tempo. Hoje, à luz deste carisma, nós nos sentimos chamados a rever nossos projetos apostólicos e estruturas comunitárias, buscando conversão e fidelidade sempre maiores.

A vitalidade do carisma vicentino não é exclusiva da Congregação da Missão. A solicitude para com o pobre, no seguimento a Cristo, pertence ao coração mesmo do evangelho e é um sinal de autenticidade cristã[19], de pertença à comunidade dos discípulos de Jesus. Muitas pessoas e grupos, pertencentes à Família vicentina, continuam a oferecer expressões de sua força profética hoje.

3. Estamos convictos de que, em todo o mundo, a Família Vicentina participa do mesmo esforço de viver com fidelidade o seguimento a Jesus Cristo, evangelizador dos pobres.

Durante a realização da Assembléia, vivemos a experiência desta alegre realidade. Juntamente conosco, Congregação da Missão, muitas outras pessoas e grupos trabalham na Igreja, Família de Deus, impulsionados pelo mesmo entusiasmo e mesmo zelo que nos anima. Na Família Vicentina, como na Igreja, animados pelo espírito de comunhão eparticipação, estamos convencidos do insubstituível protagonismo do leigo no processo de evangelização[20].

As necessidades dos pobres são enormes. Todos os membros da Família Vicentina devemos juntos anunciar o evangelho e atuar contra as pobrezas[21].

4. Animados pela força da caridade, estamos convictos de que devemos trabalhar pela promoção humana e pela justiça.

Vicente de Paulo descobriu que o amor de Deus se expressa em obras: “Amemos a Deus, meus irmãos, amemos a Deus, mas que seja com a força de nossos braços e com o suor de nossos rostos”[22].

A força do amor efetivo cria comportamentos de amor e de serviço a partir do encontro pessoal com os pobres. Queremos amar os pobres e exprimir este amor atravésde um trabalho criativo, estando familiarizados com os pobres, e interessados, como São Vicente, em escutar suas alegrias,dores e necessidades. Assim, comoSão Vicente assegura, virando a medalha, vendo-os em Cristo e vendo Cristo neles, descobrimos que eles são nossos irmãos e nossas irmãs[23].

No trabalho de evangelização profética, que somos chamados a realizar, devemos estar atentos à realidade da sociedade humana, sobretudo às causas da desigual distribuição dos bens no mundo; participar da vida e das condições dos pobres; cooperar com as associações de defesa dos direitos humanos e de promoção da justiça e da paz[24].

Compartilhando com os demais membros da Família Vicentina da vida e das conquistas dos pobres, descobrimos a presença do Espírito do Senhor que nos renova, para que possamos falar com eles, escutá-los econsiderá-los como sujeitos de seu próprio caminho de libertação. E assim, deixar-nos evangelizar por eles[25].

III. COMPROMISSOS

Estas convicções, que devem dinamizar nossa vida e vocação missionária, nos animam a assumir os compromissos seguintes:

1. Colaborar com os outros membros da Família Vicentina

Trabalhando em união com os outros membros da Família Vicentina, podemos ser uma força mais efetiva para a evangelização e para as obras de caridade e de justiça no mundo de hoje. Ainda, reforçaremos os laços que nos unem uns aos outros. Mas, ao mesmo tempo, queremos respeitar a autonomia e a identidade de cada pessoa e de cada grupo da Família Vicentina.

Como integrantes da Congregação da Missão, reconhecemos nossa necessidade de uma conversão de coração, de modo a colaborar generosamente com os outros membros da Família Vicentina e reconhecer os dons e talentos dos outros para estender o Reino de Deus. Por estes motivos, nos comprometemos a :

a) Criar as condições para colaborarcomosoutrosmembrosdaFamília Vicentina:

-escutando-nos uns aos outros;

-aprendendo a nos conhecer;

-partilhando experiências de trabalho com os pobres;

-rezando e refletindo juntos.

b) Estabelecer estruturas para coordenar as ações de colaboração já em andamento, ou as que forem programadas, em nível local, provincial, interprovincial ou internacional, cuidando para que os diferentes níveis se completem e respeitando a subsidiariedade.

2. Responder juntos aos clamores dos pobres

O ensinamento profético de São Vicente segundo o qual os pobres são “nossos senhores e mestres”[26], nos interpela uma vez mais ao começar o novo milênio. O abismo crescente entre ricos e pobres nos questiona com mais força. Tendo em conta que a caridade e a justiça são duas faces de uma mesma moeda, nos comprometemos a:

a) Colaborar com os outros membros da Família Vicentina, dedicando mais pessoas,tempo e recursos econômicos à evangelização dos pobres, a fim de contribuir mais para sua promoção humana e espiritual.

b) Elaborar projetos específicos em nível local, provincial, interprovincial e internacional, para responder aos apelos dos pobres de nosso tempo, em colaboração com outros membros da Família Vicentina e com os próprios pobres.

c) Enfrentar as causas da pobreza nos diversos contextos, participando com outros membros da Família Vicentina em trabalhos das “Comissões Justiça e Paz” e em organizações não confessionais e, também, criando modos concretos de colaboração vicentina, quando as circunstâncias exigem.

d) Apoiar, em colaboração com os outros membros da Família Vicentina, o movimentodecancelamento ou redução da dívida externa dos países pobres, como sinal da celebração do Ano Jubilar[27].

3. Colaborar na Formação

Para viver o carisma de São Vicente no novo milênio, é essencial que os membros de sua família estejam bem enraizados em seu espírito. Isto é especialmente verdadeiro para aqueles que estão começando o caminho de São Vicente, mas é também importante para aqueles que continuam a se deixar formar pela sua experiência espiritual.

O apelo de São Vicente para evangelizar os pobres foi suficientemente rico para alcançar todas as idades, todas as profissões e todas as vocações dentro da Igreja. Hoje, os diversos ramos da Família Vicentina surgem desta herança comum e, assim, podem mutuamente se ajudar nos seus esforços de formação. Cada grupo da Família Vicentina compreendeu São Vicente a partir de sua própria experiência e, assim, tem uma sabedoria peculiar sobre ele para transmitir aos seus próprios membros. Os programas de formação de uns podem enriquecer a outros, enquanto continuam formando os seus membros de acordo com suas tradições específicas. A Congregação da Missão deseja colaborar em projetos de formação comum, sempre respeitando a autonomia dos diferentes ramos no seu próprio processo de formação.

Nos três compromissos seguintes, a Assembléia confirma os princípios já estabelecidos nos diversos documentos da Comunidade sobre a formação. Aqui, ela se concentra principalmente nos valores e práticas particulares que surgem da nova consciência de pertença à Família Vicentina.

A – Formação inicial e permanente dos nossos

1. Cada província ou grupo de províncias se esforçará para integrar nos seus programas de formação inicial e permanente elementos que refletem nossa relação com a Família Vicentina. Estes programas deverão:

a) Exprimir um interesse real pela espiritualidade, história e carisma de cadaum dos grupos da Família Vicentina presente na região.

b) Insistir sobre a necessidade do trabalho em equipe e sobre a colaboração com os membros da Família vicentina, e proporcionar uma formação para adquirir as capacidades necessárias para isto.

c) Dar um sentido global de pertença à Família Vicentina.

2. Favoreceremoscerta integração de nossos programas de formação com os organizados por outros membros da Família na região. Esta maneira de agir demonstrará nossa disponibilidade para estar a serviço dos outros membros da Família e, ao mesmo tempo, para ser formados por eles.

3. Por seressencial ao nosso carisma um sentido de solidariedade com os pobres, esforçar-nos-emosem identificar e lutar contra as formas e as causasda pobreza, especialmente as que estão mais próximas de nós.

4. Favoreceremos, sobretudo entre os estudantes, a aprendizagem de outras línguas, a sensibilidade para com outras culturas e o conhecimento sólido da doutrina social da Igreja.

5. Os visitadores devem animar os coirmãos a participar dos programas do CIF e, onde for possível, organizar programas semelhantes em nível regional.

B – A Formação de nossos Formadores

1. Visto que é um meio muito importante e decisivo para a renovação pessoal e comunitária, cada província terá um cuidado todo especial em oferecer a melhor preparação possível aos seus futuros formadores. Em particular, se esforçará para assegurar um apoio financeiro adequado para a formação integral de seus membros.

2. As províncias devem ter um sentido de correponsabilidade em relação à formação e estar abertas à cooperação interprovincial:

a) Fomentando e facilitando a mobilidade dos formadores;

b) Partilhando os recursos econômicos;

c) Acolhendo coirmãos de outras províncias que necessitem de se especializar na formação.

3. O Superior Geral e seu Conselho estudem a possibilidade de criar em um ou em vários lugares:

a) um centro internacional para a formação de nossos formadores;

b) uma equipe itinerante de formadores para oferecer seus serviços aos formadores em diferentes províncias.

Estes programas deverão formar os participantes na espiritualidade vicentina, em métodos didáticos e na sensibilidade multicultural, para que eles possam trabalhar eficazmente em diferentes partes do mundo.

C – Formação da Família Vicentina

Cada província, ou grupo de províncias, responderá de bom grado aos pedidos dos diferentes grupos da Família Vicentina para ajudá-los na formação:

a) colaborando na formação inicial e permanente de seus membros;

b) ajudando a revitalizar os grupos enfraquecidos e oferecendo acompanhamento aos que estão vivos e ativos;

c) estabelecendo uma equipe de formação, constituída por membros da C.M. e de membros da Família Vicentina, para elaborar elementos de um programa de formação comum e para promover encontros com o fim de aprofundar a espiritualidade vicentina e de fortalecer o sentido de pertença vicentina;

d) abrindo nossos organismos de formação permanente aos outros membros da Família Vicentina, onde for possível.

4. As Missões Internacionais

“Nunca como hoje a Igreja teve a oportunidade de fazer chegar o Evangelho, com o testemunho e a palavra, a todos os homens e a todos os povos. Vejo amanhecer uma nova época missionária, que chegará a ser um dia radiante e rica em frutos, se todos os cristãos, e, em particular os missionários e as jovens igrejas responderem com generosidade e santidade às solicitações e desafios de nosso tempo”[28]. Todos nós estamos convidados a colaborar “na preparação da nova primavera de vida cristã”[29], sendo dóceis à ação do Espírito Santo.

O Espírito abriu o caminho a novas formas de colaboração em algumas de nossas missões internacionais, e em outras já existentes. Assumimos os seguintes compromissos:

a) Apoiar uma participação mais ampla dos membros dos diversos grupos da Família Vicentina e de colaboradores particulares vicentinos, tanto nas missões “ad gentes” estabelecidas pelas províncias, como nas que dependem do Superior Geral.

b) Criar uma comissão para elaborar uma “Ratio Missionum”, considerando: a inculturação, a colaboração norte-sul, critérios para aceitar novas missões, a maneira de selecionar os missionários e de admissão dos candidatos na Congregação; as relações com a Família Vicentina, a ajuda internacional às missões já existentes nas províncias, os procedimentos para avaliações regulares e o financiamento.

c) Que o Superior Geral estude a oportunidade de criar um secretariado para as novas missões internacionais para facilitar a relação entre ele, as províncias, os ramos da Família Vicentina e outros organismos missionários e para obter informações e buscarfundos e outros recursos.

5. Novos Meios de Comunicação

Entramos na era da tecnologia e da informação que leva consigo novas formas de pobrezas não reconhecidas e por isso ainda mais insidiosas. Os pobres, sem ter acesso à tecnologia e à informação, serão ainda mais marginalizados e presos num ciclo de pobreza.

Hoje os meios de comunicação continuam a se desenvolver. Uma problemática importante é saber se os pobres serão capazes de participar destes meios para romper o círculo de pobreza e sentar-se à mesa com outros, fazendo ouvir sua voz; e se a Congregação da Missão utilizará estes novos meios para o serviço da Missão.

A Internet é um veículo poderosoque pode unir as pessoas. Quando é bem utilizada, pode favorecer as relações humanas e a solidariedade. Pode ser utilizada para a evangelização, comoinstrumento de formação, de colaboração e de defesa dos sem-voz.

A Congregação da Missão, através de seus membros e suas estruturas, se compromete a:

a) Tomar iniciativas que favoreçam o acesso dos pobres aos meios de comunicação para que possam participar de seus benefícios.

b) Estabelecer uma rede de comunicação mundial que fomente ativamente seu uso, oferecendo ajuda econômica e tecnológica onde for necessária.

c) Promover ativamente a participação da Família Vicentina para realizar estes objetivos e encorajar a distribuição mútua de nossas publicações, via Internet.

CONCLUSÃO

No limiar do novo milênio, nossos compromissos brotam de nosso empenho em buscar compreender em profundidade os ensinamentos evangélicos e torná-los realidade em nossa vida[30].

Recolhendo estes compromissos, nosso olhar se dirige a Maria. Ela ocupa um lugar de destaque na experiência espiritual da Família Vicentina.

– Contemplando Maria no mistério da Encarnação, procuraremos, a seu exemplo, estar abertos à força transformadora do Espírito, para que forme em nós a imagem de Jesus Cristo e possamos fazer sempre em nossa vida a vontade do Pai.

– Com Maria, Missionária e peregrina, colocar-nos-emos pressurosos no caminho para o novo milênio para levar a mensagem do evangelho de caridade aos pobres.

– Com Maria, em seu Magnificat, entoaremos um canto de ação de graças ao Deus da história, porque nos concedeu a graça de nos encontrarmos como Família Vicentina e de podermos, à sua imitação e com ela, renovar nosso carisma de seguimento a Jesus Cristo Evangelizador dos pobres.


1.Cf. Is 61, 1-2. Também Is 43, 19-20; 65, 17-18. Tertio Millennio Adveniente 13 e 51.

[2] A expressão Família Vicentina, que aparecerá frequentemente neste documento, não deve ser entendida em sentido jurídico-canônico, mas como um termo pastoral.Com a expressão ‘Família Vicentina’, queremos nos referir ao conjunto de congregações, organismos, movimentos, associações, grupos e pessoas que, de forma direta ou indireta, prolongam no tempo o carisma vicentino, sejam eles fundados diretamente por São Vicente de Pauloou encontrem nele a fonte de sua inspiração e dedicação ao serviço dos pobres. A Congregação da Missão se considera assim parte desta Família.

[3] A Assembléia Geral de 1992 tinha adotado como lema as palavras de São Paulo:“Transformai-vos pela renovação de vossa mente”(Rm 12, 2). Cf. O Documento de trabalho “Nova Evangelização, Homens Novos, Comunidades Renovadas” e a Carta aos Coirmãos da Assembléia Geral de 1992, VINCENTIANA(1992), 382-388.

[4] VINCENTIANA (1991), 507, 511. Cf. Const. 1, 3, Estat. 7. “Para nós, os membros da Congregação da Missão, a complexidade das situações e desafios das pobrezasnão são um apelo a colaborar mais ainda com os leigos, o laicato vicentino, outras congregações ou organismos e todos aqueles que aceitam este desafio? … De que maneira poderíamos intensificar e melhorar estas colaborações?”

[5] A XXXIX Assembléia Geral foi convocada pelo Superior Geral com o tema A Família Vicentina em todo o mundo e os desafios da Missão no Terceiro Milênio. Carta de Convocação, de 1 de outubro de 1996. Cf. VINCENTIANA(1996), 433-436; (1997), 65-66.

[6] Cf. Const., 2.

[7] Cf. Evangelium Vitae, 12.

[8] Cf. Centesimus Annus, 49.

[9] Cf. Christifidelis Laici, 34.

[10] Cf. VINCENTIANA(1996), 221, onde se podem encontrar as referências ao magistério de JoãoPaulo II.Ver também: R. MALONEY. Escucha el Clamor de los Pobres. La espiritualid de Vicente de Paul. Salamanca, 1996, p. 150-151.

[11]Cf. Col 1, 19; Evangelii Nuntiandi, 22.

[12]Cf. Estat., 1.

[13]Cf. Const., 16; Estat., 4, 5, 6.

[14]Cf. Evangelii Nuntiandi, 16;Const., 2, 11, 12.

[15] Os documentos eclesiais na América Latina e Europa preferem o termo Povo de Deus. Os da África falam mais de Família de Deus. Os da Ásia utilizam mais frequentemente Comunidade de Discípulos de Jesus.

[16] S.V. XII, 80.

[17] Evangelii Nuntiandi, 29, 30, 31.

[18] Cf.Congregação da Missão, O Visitador a serviço da Missão, 8 VINCENTIANA(1990), p. 38-39.

[19] Cf. Vita Consecrata, 82.

[20] Uma nova eclesiologia vai abrindo caminho: o leigo passou da passividade à responsasilidade. Cf. Sínodo dos Bispos sobre a Vocação e Missão do laicato na Igreja(l987) e exortação postsinodal Christifideles Laici(1988).

[21] Cf. AIC. Documento de Base. Contra as Pobrezas, atuar juntos.

[22]S.V. XI, 40.

[23]Cf. S. V.XI, 32.

[24]Cf. Const., 12; Estat., 9,2.

[25]Cf. Const., 12, 3.

[26] S. V. XI, 328

[27] Cf. Tertio Millennio Adveniente, 51.

[28] Redemptoris Missio, 42.

[29] Tertio Millennio Adveniente, 18.

[30] Cf. Const., 49.