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FINALIDADE E IMPORTÂNCIA

  • A Formação Permanente ou Contínua consiste em todos os esforços e iniciativas para prolongar a formação por toda a vida. Busca a continuação e o aperfeiçoamento da formação dos Coirmãos, de modo que se tornem cada vez mais aptos para a vivência e o exercício da missão vicentina1. “A formação dos nossos deve prolongar-se e renovar-se por toda a vida” (CC 81).
  • Vivamente recomendada pela Igreja2 e pela Congregação3, a Formação Permanente é fundamental para que, individual e coletivamente, os Coirmãos possam responder devidamente aos apelos pastorais advindos dos Pobres, nossos mestres e senhores, e dar um sentido vivo, renovado e evangélico à própria consagração.
  • Somente uma Formação Permanente permitirá a expressão autêntica da identidade vicentina e responderá às exigências da Missão4. Inserido no mundo e na Igreja em contínua transformação e em meio a muitos e novos desafios, o esforço de renovação e capacitação pessoal e comunitária torna-se condição primordial para a fidelidade no seguimento a Cristo evangelizador dos Pobres.
  • A Formação Permanente possui um significado teológico mais profundo, que ultrapassa a necessidade de acertar o passo com o caminho da história. Constitui um esforço de abertura sincera ao Espírito, em vista de uma contínua conversão. É um ato de amor, um ato de justiça para com o Povo de Deus a quem os Coirmãos devem servir por força de sua vocação. A Formação Permanente ajuda o Coirmão a desenvolver-se e conservar sua fé; ajuda no conhecimento da profunda comunhão que dá unidade ao Povo de Deus; ajuda na maior consciência de sua participação na missão salvífica da Igreja, mantendo sempre vivo o sentido da missão.

PRINCÍPIOS NORTEADORES DA FORMAÇÃO PERMANENTE

  • Dada a urgência de uma adequada capacitação e em razão da variedade de situações pessoais e conjunturais, mais que normas legais, impõem-se alguns princípios a serem assumidos decisiva e convictamente, para se efetivar eficazmente a Formação Permanente:
  • a)   Cristo e os Pobres são os pólos essenciais e indispensáveis da vocação vicentina e a fonte da verdadeira Formação Permanente do Missionário vicentino: deve amar cada vez mais Jesus Cristo para amar sempre mais aos Pobres e amar sempre mais os Pobres para amar sempre mais Jesus Cristo.5
  • b)   Tendo em vista a Formação Integral do Missionário vicentino levar-se-ão em consideração os elementos cristológico/trinitário, místico, humanista, comunitário, relacional, a atenção aos sinais dos tempos e à realidade dos Pobres e a experiência do Coirmão e da Comunidade.6
  • c)   O sujeito da Formação Permanente é a própria pessoa do Coirmão, de tal modo que nada poderá substituir seu empenho livre e consciente7. Em espírito de obediência ativa, cada Coirmão seja solícito para atender aos apelos de renovação advindos do próprio ministério e da Província através de seus superiores.
  • d)   A Formação Permanente acompanha o Coirmão em todos os períodos e condições da vida e abrange todas as dimensões da existência, da consagração e do ministério na CM8, ou seja, as dimensões humano-cristã, comunitária, espiritual, apostólica e vicentina. Dentro deste processo amplo, é importante desenvolver uma formação específica, com que os Coirmãos possam dar uma contribuição especializada em ministérios e enfrentar problemas específicos, referentes à missão vicentina.
  • e)   A Formação Permanente, prolongamento natural e absolutamente necessário do processo formativo desde suas primeiras etapas9, deve ser buscada dentro de um espírito de crescimento espiritual e pastoral de cada Coirmão e de cada Comunidade, através de profunda experiência de fé e de vida em fraternidade e de encontro contínuo com o espírito de São Vicente e com os valores e tradições autênticas da Congregação.
  • f)   O fundamental para a Formação Permanente é a própria prática pastoral. O método básico é a reflexão crítica, a capacidade pessoal para analisar e avaliar de maneira contínua a missão recebida e a própria prática no contexto das rápidas mudanças do mundo atual, à luz da Palavra de Deus, do carisma vicentino e dos sinais dos tempos, em busca constante de conversão, aprofundamento e nova aprendizagem. A omissão na reflexão sobre a própria prática provocará a perda de estímulos e de condições para a renovação, gerando uma vida e uma ação acomodadas, desatualizadas e aquém dos apelos atuais da missão. Esta formação pressupõe a colaboração e disposição da equipe missionária e também o imprescindível trabalho pessoal assíduo e, com muita freqüência, solitário.
  • g)   Toda Formação Permanente, em nível pessoal e comunitário, deve valer-se de iniciativas, recursos, meios e pessoal que estejam em conformidade com os apelos de libertação dos Empobrecidos, em sintonia com os princípios da Teologia e Espiritualidade centrados em Cristo Libertador e em conformidade com os objetivos da PBCM (cf. CC 88; NNPP, 50).
  • h)   A responsabilidade de promover a Formação Permanente cabe a cada Coirmão, às Casas onde vivem, à Província e à Congregação em geral, de modo que, faltando um desses níveis, não se atenderá devidamente à obrigação e à necessidade de continuar a formação.10
  • i)    A importância da Formação Permanente é tal que, se for preciso, por ela se deve sacrificar, temporariamente, o serviço pastoral exercido numa determinada comunidade ou localidade. Necessitam-se coragem e disponibilidade, para não se adiar indefinidamente a liberação de algum Coirmão para uma atividade de Formação Permanente.

MEIOS PARA A PROMOÇÃO DA FORMAÇÃO PERMANENTE

  • A Formação Permanente lança suas raízes e tem como ponto de partida e responsabilidade primeira e intransferível a pessoa do próprio Coirmão.
  • A Comunidade Local exercerá, nesta etapa da Formação Permanente papel fundamental e será o espaço primordial, uma vez que é nela que o Coirmão se dedica à missão e vive ordinariamente. “A vida comunitária é a característica própria da Congregação e seu modo próprio de viver, desde suas origens e por clara vontade de São Vicente” (CC 21, §1). “A comunidade é continuamente Formadora de si mesma, sobretudo pela renovação dos principais elementos de nosso modo de ser e agir” (CC 25).
  • Para se incrementar a Formação Permanente, a Província, entre inúmeros meios, esforce-se em executar as seguintes propostas:
  • a)   Cada Coirmão, após 10 anos seguidos de trabalho, seja liberado de suas atividades, de comum acordo com a Comunidade e o Visitador para uma renovação ou especialização teológica, cultural e/ou profissional.
  • b)   Os Coirmãos que manifestam desejo e condições de uma especialização sejam orientados para realizá-la dentro de uma previsão futura de trabalho, sobretudo no setor da formação e das missões e de acordo com o Projeto Provincial, sem, contudo, olvidar aptidões e dons pessoais.
  • c)   Os Coirmãos no início de ministério recebam uma atenção especial; sejam colocados numa Comunidade onde possam ser efetivamente ajudados e participem de encontros onde possam partilhar e rever seus trabalhos, acertos e dificuldades.
  • d)   A realização, execução e revisão do projeto comunitário empenhem toda a comunidade, no sentido de não se cair na rotina e acomodação, mantendo-se a  Comunidade e cada Coirmão em contínuo estado de conversão, de ação criativa e de disponibilidade para atender aos apelos da missão.
  • e)   Em cada casa ou residência haja uma biblioteca ou estante de livros e revistas atualizados, que abranjam as diversas áreas da teologia e exigências missionárias e profissionais que os Coirmãos possam utilizar para desenvolver o estudo pessoal e/ou comunitário.
  • f)   Haja incentivo especial à leitura, estudo e divulgação das publicações vicentinas; recomende-se aos Coirmãos a prática da direção espiritual, meio clássico que nada perdeu de seu precioso valor11. Isso ajudará a descobrir os atuais apelos de Deus nas necessidades dos Pobres e da Igreja e a manter vivo o espírito de São Vicente.
  • g)   Os retiros, assembléias e encontros provinciais recebam máxima atenção na preparação e realização, como momentos privilegiados de formação, confraternização e animação espiritual, missionária e vocacional para todos os Coirmãos.
  • h)   Haja empenho no encaminhamento de Coirmãos para participar de encontros, cursos, promoções da Cúria Geral da Congregação da Missão, da CLAPVI, da CNBB, da CRB e de outros organismos, onde possam também intercambiar experiências e conhecimentos, adquirindo certamente maior consciência eclesial.
  • i)    Sejam promovidos, em nível provincial ou setorial, atividades formativas, atendendo a questões de interesse geral ou de determinado setor de trabalho.
  • j)    Que sejam estimuladas, valorizadas e divulgadas na Província as produções e realizações culturais e pastorais dos Coirmãos, no sentido de maior enriquecimento mútuo e de reconhecimento de cada Coirmão.
  • k)   Na ação pastoral e nas atividades formativas, seja incentivada a ajuda mútua entre os Coirmãos, através de estágios, realização de cursos, retiros, etc. Da mesma forma, haja intercâmbio cultural e pastoral com atividades e promoções de outras Províncias.
  • l)    Nas realizações da Província e de cada Comunidade, recorra-se, quando oportuno e necessário, à assessoria de peritos. A assessoria se faz útil e necessária para questionar práticas tradicionais, aprofundar a reflexão, renovar as idéias, propor novos métodos, etc.

ORGANIZAÇÃO DA FORMAÇÃO PERMANENTE

  • O Visitador e seu Conselho, consultando cada setor de trabalho da Província, têm a função específica de encaminhar e coordenar a Formação Permanente em toda a Província. Para isso, buscarão:
  • a)   Elaborar um planejamento anual e/ou trienal da Formação Permanente, onde constem:
  • -     as promoções formativas, em nível provincial (cursos, retiros, encontros, celebrações, etc.);
  • -     o encaminhamento específico de Coirmãos para atividades formativas (especialização, cursos específicos, etc.);
  • -     a programação das visitas às Casas, onde, no contato com a Comunidade e com cada Coirmão, se busque incentivar a atualização pessoal e comunitária;
  • -     outras promoções específicas, propostas por cada setor e/ou comunidade.
  • b)   Acompanhar e motivar cada Comunidade na realização do Projeto Comunitário, fazendo desta atividade um momento importante de atualização e dinamização da Comunidade. Que cada Comunidade programe e realize uma ou mais atividades que atendam especificamente aos objetivos da Formação Permanente.
  • c)   Divulgar as diversas iniciativas no âmbito da Formação Permanente promovidas pela Igreja em geral e pela Congregação e fomentar a participação dos Coirmãos nas mesmas.
  • d)   Levar todos os Coirmãos a se colocarem em estado de conversão, de disponibilidade, de criatividade, em vista da fidelidade vocacional, da renovação e dinamização das obras.
  • e)   Discernir e encaminhar formas adequadas e renovadas para estimular cada Coirmão e toda a Província a sentirem-se empenhados na realização da Formação Permanente.

 

1 CC 1, § 1. Os objetivos da Formação Permanente são: santidade correspondente à vida do missionário, crescimento contínuo a nível humano e profissional, atenção aos sinais dos tempos, flexibilidade e criatividade na ação apostólica. (cf. Síntese do Encontro Internacional dos Visitadores, México, 4-14/6/2007).

2 Cf. OT, 22; PC, 18; PDV, 70-81; Puebla, 719-720; IPI, 18.

3 Cf. CC 81; EE 42; NNPP, 49-50.

4 Visitadores a Serviço da Missão (VSM), Roma 25/1/1990. “A Identidade do missionário vicentino não ocorre de uma vez por todas, mas é o resultado de sua relação cotidiana com Jesus Cristo, com a Comunidade a que pertence, com o mundo” (Síntese do Encontro Internacional de Visitadores, México, 4-14/06/2007).

5 Cf. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

6 Cf. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

7 CNBB, 1984, n. 208. Cf. tb. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

8 Cf. PDV, 71-72, 76-77; Puebla, 719; NNPP, 49-50.

9 Cf. PDV, 71.

10 Cf. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

11 Cf. PDV, 81.

 

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