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Morte de Dom Ladislau – 2012

30 de abril de 2014
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Na manhã do dia 13 de fevereiro, às 11h30, morreu nosso Coirmão, bispo de São José dos Pinhais (PR), dom Ladislau Biernaski, C.M., que estava internado há pouco mais de semana por conta de um câncer. A cerimônia de sepultamento, presidida pelo arcebispo de Curitiba (PR), dom Moacyr José Vitti, será às 09h do dia 15.
Dom Ladislau Biernaski, 74 anos, nasceu no dia 24 de outubro de 1937, em Almirante Tamandaré (PR). Foi admitido no Seminário Interno da Congregação da Missão no dia 27 de fevereiro de 1955 e ordenado presbítero no dia 06 de julho de 1963, em Curitiba (PR). Sua Ordenação Episcopal foi no dia 27 de maio de 1979, em Roma, Itália, quando escolheu por lema: “Ele é a nossa paz”.
Dom Ladislau foi bispo auxiliar de Curitiba (PR), do ano de 1979 a 2006. Foi também responsável por diversas Pastorais Sociais no Brasil, como a Pastoral Operária, Comissão Pastoral da Terra (onde foi vice-presidente de 1997 à 2003, e atual presidente), Pastoral Carcerária (1979) e Pastoral do Menor (1988). Em sua larga atuação no Regional Sul 2, foi membro da presidência (1999) e secretário executivo (2007).

Nota de pesar da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta o seu pesar pela morte de dom Ladislau Biernaski, do bispo de São José dos Pinhais (PR), ocorrido na manhã desta segunda-feira, dia 13 de fevereiro.
Nossa fé em Cristo nos leva a renovar com os familiares, os irmãos e as irmãs da diocese de São José dos Pinhais, a certeza da ressurreição. O consolo que nos ampara nesta hora é contemplar, de forma agradecida, a vida de um homem justo.
O ministério episcopal de dom Ladislau foi marcado pela inteira dedicação à pastoral e ao povo. Esteve presente e atuante de 1979 até 2006, como bispo auxiliar de Curitiba (PR). Acompanhou, em nome de nossa Conferência, as ações das Pastorais Sociais no Brasil, como a Pastoral Operária e a Comissão Pastoral da Terra, da qual foi vice-presidente de 1997 a 2003, e era seu atual presidente. Acompanhou a Pastoral Carcerária e a Pastoral do Menor. Também prestou relevantes serviços no Regional Sul 2.
“Ele é a nossa paz”, foi seu lema episcopal e hoje é a nossa expressão de confiança ao reconhecer a firme atuação de Dom Ladislau em favor do Reino de Deus. Neste momento, unimos-nos a todos os que rezam em ação de graças pela sua vida.
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo auxiliar de Brasília – Secretário Geral da CNBB

Dom Ladislau, gente-semente, mais um dom de Deus – Pe. Jaime Schmitz

“Agora, só agora, meu Deus, compreendo porque, cada vez que ele mostrava sua plantação a quem o visitasse, apontando para a mostardeira e mostrando na palma da mão as minúsculas sementes, lembrava da parábola do grão de mostarda (Mt 13, 31-32), como se fosse a primeira vez. A vida dele estava ali: podia parecer minúsculo diante de outros profetas mais conhecidos, que a fecundidade do Reino produziu, mas abrigará em seus ramos a muitos e muitas que farão a beleza de uma nova história”, escreve o Pe. Jaime Schmitz em seu testemunho sobre dom Ladislau Biernarski.

Pe. Jaime é membro do clero da diocese de São José dos Pinhais e acompanha a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Paraná. Atua também junto às Pastorais e Movimentos Sociais.

Dom Ladislau faleceu na segunda-feira, dia 13, e a missa de corpo presente será hoje, dia 15, às 9 horas, seguida do enterro.

Na noite de ontem, terça-feira, membros do Cepat estiveram no velório. Chamou a atenção o grande número de pessoas que se fizeram presentes. A Catedral estava sempre cheia, com caravanas de pessoas chegando e saindo. Debaixo de uma chuva fina e persistente, as pessoas se aproximavam de dom Ladislau para dar-lhe um último adeus e, não raro, afastar-se com lágrimas nos olhos. Cantos em polonês foram entoados para marcar também sua ligação com este povo e esta língua que era também a sua. Um clima de comoção e de grande e irreparável perda tomava conta de todos e todas.

Muitas lideranças sociais marcaram presença. Fizeram-se presentes também  dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás e ex-presidente da CPT nacional, e dom Enemésio Angelo Lazzaris, bispo de Balsas e vice-presidente da CPT nacional.

Eis o depimento do Pe. Jaime Schmitz

Costumo dizer nas celebrações de exéquias que a melhor maneira de cultivar a memória de quem partiu é continuando seus exemplos e projetos, palavras, gestos e atitudes que nos marcaram. Destaco o que aprendemos com Dom Ladislau Biernaski.

Seu jeito de viver simples e na pobreza de bens materiais faz destacar ainda mais sua riqueza imaterial, o cultivo dos valores que não passam, dos tesouros e alegrias do Reino, que são os que importam e que nada e ninguém poderá de nós tirar. É mais um exemplo de que podemos ser felizes com pouca coisa. Preciso lembrar continuamente a mim mesmo que o clero deve ser o primeiro na Igreja a viver o conselho evangélico da pobreza.

Sempre nos repetia o ensinamento de São Vicente de Paulo: “Os pobres são nossos senhores e mestres”. Como bom vicentino, mostrou carinho e respeito aos(às) empobrecidos(as) e ficava irrequieto quando, por algum motivo, não se podia atender alguém necessitado(a) que aparecia em seu portão, e indignado quando algum dos irmãos menores de Jesus (Mt 25, 40) era humilhado, manipulado ou não reconhecido em sua sabedoria.

Seu senso crítico era notório, sempre questionando as coisas, não aceitando tudo que lhe vinha ao ouvido. Isso fez com que seu amor aos(às) empobrecidos(as) não se reduzisse a ações paliativas e convocasse o povo cristão a superar o assistencialismo.

Sua incansável luta, até estes últimos tempos de múltiplas tarefas e de doença, junto às Pastorais Sociais e Movimentos Sociais, nunca será por nós esquecida. Esteve por muitos anos com a Comissão Pastoral da Terra, nos níveis estadual e nacional, insistindo na viabilidade da reforma agrária e da agroecologia, fazendo-se presente com a solidariedade de um pastor onde estavam os(as) camponeses(as) e nas nossas Romarias. Também dedicou-se à Pastoral Operária, Pastoral do Menor, à Pastoral Carcerária e ajudou a organizar a Cáritas e as Pastorais Sociais no nível do Regional Sul II (PR).

Não apenas o fundador e inspirador dos vicentinos habitava nele, mas também um Francisco de Assis, porque amava, a exemplo do jovial e alegre cantor das belezas do Criador, os animais e as plantas, dedicando-se às flores e à sua horta, com leguminosas, cereais, tubérculos, verduras, frutas e plantas medicinais.

Morando por um ano na mesma casa, até abril de 2007, pude saborear também de seu bom humor, e, frequentemente, trocávamos piadinhas…

Mais recentemente, quando assistia ao programa em que Dom Ladislau era um dos entrevistados sobre a vida de Dom Hélder Câmara, fiquei pensando: esses bispos são dons de Deus para nós e para toda a gente sofredora que alimenta a esperança de “novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pd 3, 13). Comblin chamava os bispos da primavera conciliar na América Latina de “Santos Padres da América Latina”, insistindo em que aí se incluíam não apenas os que deixaram escritos ou foram mártires, mas, de cada país, dezenas de bons pastores. E não esqueçamos das mulheres que reluzem na profecia.

Agora, só agora, meu Deus, compreendo porque, cada vez que ele mostrava sua plantação a quem o visitasse, apontando para a mostardeira e mostrando na palma da mão as minúsculas sementes, lembrava da parábola do grão de mostarda (Mt 13, 31-32), como se fosse a primeira vez. A vida dele estava ali: podia parecer minúsculo diante de outros profetas mais conhecidos, que a fecundidade do Reino produziu, mas abrigará em seus ramos a muitos e muitas que farão a beleza de uma nova história, pois essa utopia, que era dele e é nossa, que, antes de tudo, era de Jesus, estará sempre à nossa frente para que não paremos de caminhar confiantes. Agora sinto que Dom Ladislau é mais uma destas pessoas-sementes, que continuarão dando frutos.