PROVÍNCIA BRASILEIRA DA CONGREGAÇÃO DA MISSÃO
DIRETRIZES BÁSICAS PARA A FORMAÇÃO NA PBCM

(Padres e Irmãos missionários)

2007

Apresentação

A Formação do Missionário Vicentino, Padre e Irmão, é um verdadeiro Dom concedido por Deus àqueles que confiam na Providência Divina, àqueles que jamais duvidam do Senhor que chama e dá as condições necessárias para que tal ministério seja realizado frutuosamente. José Maria Guerrero[1] afirma que a formação é antes de tudo
uma arte. Algo que não poderá nunca ser totalmente programada por dois motivos: 1) porque é fundamentalmente ação do Espírito, que é sempre livre, surpreendente, desconcertante e criador, rompe com os modelos e somente muita imaginação e liberdade interior permitem deixar-se conduzir e dirigir pelo “Espírito que age como o vento que sopra onde quer, não se sabe de onde ele vem, nem para onde vai.” (Jo 3,8); e, 2) a formação é serviço prestado à pessoa em particular com sua história pessoal que é sempre um mistério. Só o contexto da liberdade e gratuidade interpessoais, tal como se dão na relação individual, torna possível o exame sério das experiências pessoais e das vivências profundas.

Formar é uma arte que supõe competência e disponibilidade de tempo e de energia, amor pelo ofício e à pessoa que se nos confia e também capacidade de penetrar no mundo da beleza de Deus e de perceber sua ação formadora, capacidade de contemplar o gesto do Espírito que plasma no coração do jovem consagrado o coração do Filho, o coração do missionário dos Pobres.

Ao apresentar este documento “Diretrizes para a Formação na PBCM: Missionários Padres e Irmãos”, penso, que duas realidades devem ser da aceitação de todos nós: 1) Acreditamos na atualidade do Carisma, da Vocação e da Missão da Pequena Companhia fundada por São Vicente para o seguimento de Jesus Cristo Evangelizador dos Pobres; 2) O tempo não pára e as mudanças acontecem a todo instante. Muda a realidade eclesial e congregacional, mudam os desafios do processo de formação dos Missionários Vicentinos; muda a realidade sócio-econômica-política e tecnológica. Diante destas duas realidades constatou-se que o documento “Diretrizes Básicas para a Formação na PBCM” (1993), que surgiu da revisão do documento “Formação para a Missão Vicentina” (1979), precisava de revisão e atualização, levando-se em consideração as novas realidades e as orientações emanadas da Igreja Universal, da Congregação da Missão e da Província. Por exemplo o ressurgimento de vocações para Irmãos, com novas perspectivas, questionava a falta de orientações para a formação deles.

O trabalho de revisão e atualização destas Diretrizes estendeu-se por vários anos (desde 2003), contou com a colaboração de várias equipes, de muitos Coirmãos e Comunidades Locais. O trabalho não está pronto e definitivamente acabado, principalmente em se tratando da formação dos Missionários Vicentinos. É com alegria que entrego este documento a todos os Coirmãos e, em especial, aos nossos Formadores e Formandos. Que possa contribuir para a formação de Missionários Vicentinos cada vez mais comprometidos com o seguimento de Jesus Cristo evangelizador dos Pobres.

Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2007

Pe. Agnaldo Aparecido de Paula, CM (Visitador Provincial)

SIGLAS

AG-2004 Documento Final da 40ª. Assembléia Geral da Congregação da Missão.

CC Constituições da Congregação da Missão. Roma, 1984.

ChD Christus Dominus.

CIVC-DT Congresso Internacional da Vida Consagrada. Documento de Trabalho.

CNBB Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

CRB Conferência dos Religiosos do Brasil.

DSIFS Doutrina Social da Igreja na Formação Sacerdotal.

EE Estatutos da Congregação da Missão. Roma, 1984.

FPVM Formação para a Missão Vicentina.

IPI Instrução Potissimum Institutioni.

IpM Irmãos para a Missão.

IV Instrução sobre os Votos na Congregação da Missão.

LG Lumen Gentium.

MR Mutuae Relationes.

NNPP Normas Provinciais da PBCM, 2002.

OSFIR Orientações sobre a Formação nos Institutos Religiosos.

OT Optatam Totius.

PC Perfectae Caritatis.

PDV Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores dabo vobis.

PueblaConferência do Episcopado Latino-Americano, 1979.

RC Regras Comuns da Congregação da Missão.

RFSI Ratio Formationis para o Seminário Interno.

SV Saint Vincent de Paul.Correspondance, Entretiens, Documents.

UC Unum corpus, unus spiritus in Christo.

VC Vita Consecrata.

VMPPV Vida e Ministério do Presbítero / Pastoral Vocacional.

DIRETRIZES BÁSICAS PARA A FORMAÇÃO NA PBCM

(PADRES E IRMÃOS MISSIONÁRIOS)

CAPÍTULO I

PRINCÍPIOS GERAIS DA FORMAÇÃO

I.O QUE É A FORMAÇÃO

1.Formação é um processo contínuo, dinâmico, progressivo, gradual e integral de amadurecimento e desenvolvimento pessoal e comunitário, que se realiza dentro de um contexto histórico, à luz da fé e do compromisso batismal, mediante a ajuda de pessoas, instituições, ambientes e atividades. Enquanto processo, a formação estimula a sentir, cada dia mais exigente, a opção por Deus, em resposta a seus apelos. Em cada ato, Cristo nos chama à Ressurreição.

2.No processo de formação, os indivíduos, como pessoas e sujeitos, livremente, experimentam, escolhem, assumem e assimilam valores, critérios de ação e modos de agir, próprios do carisma e da missão vicentina de serviço aos Pobres, a serem realizados dentro de uma comunidade consagrada. Por isso, precisam de formação para a doação, no serviço fraterno aos outros.

3.Nosso processo de formação é dialético: não separa, mas integra, harmoniosamente, oração e ação, fé e vida, assim como as várias etapas, conteúdos, instâncias e agentes, num movimento de interação e complementaridade cada vez mais fecundo e enriquecedor.

II.FONTES DA FORMAÇÃO

4.Entendemos como fontes da formação as referências necessárias, onde vamos buscar inspiração e orientação, de onde haurimos os princípios norteadores e os critérios fundamentais do processo de formação dos Nossos, isto é, daqueles que se propõem e buscam ser herdeiros e continuadores do carisma vicentino, na CM.

1.A Palavra de Deus

5.A Palavra de Deus, em especial os Santos Evangelhos, é a fonte primeira de toda a espiritualidade cristã.

6.Na fidelidade às orientações da Igreja, procuraremos ler a Palavra nos dias de hoje, a partir da sabedoria dos pequenos, a quem o Pai revela seus segredos (cf. Mt 11, 25; Lc 10, 21), iluminando com ela os acontecimentos, a realidade contraditória que nos interpela e que devemos analisar em suas causas mais profundas, sempre à procura da unidade fé-vida, guiados pelo magistério da Igreja e ajudados pela reflexão teológica que o Espírito de Deus suscita na Igreja, especialmente na América Latina e no Brasil.

2.Os Sinais dos Tempos

7.Descobrimos a vontade de Deus, a ação inovadora do Espírito, a direção que deve tomar a nossa viagem, a presença de Deus e o seu desígnio sobre nós, nos sinais dos tempos e dos lugares, como Jesus nos ensinou (cf. Mt 16, 13)[2]. A realidade conflitiva em que vivemos, o clamor impetuoso e ameaçador dos povos da América Latina, a emergência dos Pobres e dos jovens, das culturas oprimidas, no mundo e na Igreja, o anseio de libertação[3], a busca de autenticidade, de diálogo, de participação, de assumir seu destino e sua própria história e outros acontecimentos, exigem uma maior abertura, coragem e criatividade e nos desafiam para o descobrimento de princípios novos ou revitalizados na pedagogia da formação dos Nossos, salvos os legítimos parâmetros da tradição viva da Igreja, depurados de quaisquer elementos históricos e conjunturais do passado.

3.Os Pobres

8.A irrupção dos Pobres e sua participação na Igreja e no mundo constituem um privilegiado sinal dos tempos. Com efeito, os Pobres são um lugar teológico, epistemológico e sociológico para a reflexão da Igreja e, para nós, um lugar vicentino por excelência. Eles serão lugar-chave da formação na PBCM. Temos de nos matricular na escola deles e somos convocados a aprender suas lições. Eles são um apelo à formação exigente e ao trabalho dedicado. A realidade do Pobre será crivo para julgarmos nossas opções sociais, culturais, políticas, pedagógicas, religiosas e evangelizadoras, sua validade e acerto. Sua vida simples e sacrificada é um convite evangélico à simplicidade de vida. Só assim os Pobres serão para nós esperança e promessa de ressurgimento vocacional e de vida apostólica e missionária.

4.Tradição da Igreja

9.Os tesouros da tradição viva, como a Patrística e os mestres da espiritualidade, os documentos da Igreja universal, da Igreja na América Latina e da CNBB sobre a formação serão acatados com o mesmo espírito e devoção de Vicente de Paulo para com a Igreja. Intérpretes autorizados da Palavra de Deus para cada época e cultura, eles nos orientarão nas grandes linhas e rumos da formação dos Nossos.

5.Tradições e orientações da CM

10.Finalmente, o inestimável tesouro de nossa pequena Companhia:

11.A vida, os escritos e as obras de São Vicente: para amar o que ele amou e praticar o que ensinou[4]. Assim, poderemos redescobrir, hoje, nosso caminho, na fidelidade às suas pegadas e sob a inspiração de seu carisma, reinterpretado a partir da realidade dos Pobres do Brasil e do mundo, em suas várias formas de pobreza e exclusão.

12.A vida e a história da Congregação, onde vamos buscar estímulo e coragem para prosseguir numa fidelidade inovadora aos que nos precederam na vinha do Senhor (cf. Mt 20, 1-16).

13.As Constituições e Estatutos, que definem as linhas mestras de nosso projeto de vida vicentina, meta de nosso processo formativo.

14.As Normas Provinciais da PBCM, que estabelecem para a Província diretivas mais concretas, no sentido de atingirmos o fim da Congregação, em nossa realidade própria.

15.Além destas fontes de caráter mais permanente, estaremos atentos aos documentos conjunturais, como as palavras do Superior Geral, os decretos e documentos das últimas Assembléias Gerais, os Projetos Comunitários.

16.É a partir destas fontes especificamente vicentinas, que tentamos estabelecer o eixo ou inspiração que devem perpassar todas as dimensões da formação.

III. EIXO OU INSPIRAÇÃO VICENTINA DA FORMAÇÃO DOS NOSSOS

17.Elemento fundamental no processo de formação será a integração no corpo da Congregação e a consciência de pertença à mesma e, por ela e nela, a inserção na Igreja de Jesus Cristo. O senso de pertença implica o conhecimento. Tradição é também consciência da Congregação, memória histórica, compreensão dos fatos, etc. Será preciso dar razão da fé e da espiritualidade na Congregação a que pertencem. Toda formação procurará uma progressiva integração dos formandos no corpo da Congregação, através da comunidade em que vivem como mediação privilegiada da pertença à Congregação. Eis a importância estruturante, no processo de formação do missionário vicentino, dos elementos apresentados a seguir.

18.A formação na PBCM tem como objetivo tornar os Formandos, animados do espírito de São Vicente, idôneos para realizar a missão da Congregação. Portanto, devem aprender, cada dia mais profundamente, que Jesus Cristo é o centro de nossa vida e a regra da Congregação. (cf. CC 77, §§ 1-2)

19.“O fim da Congregação da Missão é seguir Cristo evangelizador dos Pobres. Este fim se realiza, quando os Coirmãos e as comunidades, fiéis a São Vicente:

a)Procuram com todas as forças revestir-se do espírito do próprio Cristo (RC I,3), para adquirirem a perfeição conveniente à sua vocação (RC XII,13);

b)Se aplicam a evangelizar os pobres, sobretudo os mais abandonados;

c)Ajudam os clérigos e leigos na sua própria formação e os levam a participar mais plenamente na evangelização dos Pobres”. (CC, 1)

20.A compaixão de Cristo pelo povo que o seguia, faminto da Palavra e de pão – Não têm o que comer, estão como ovelhas sem Pastor (Mc 6, 43) – é inspiração fundamental para nosso processo formativo, assim como para nosso itinerário espiritual.

21.O eixo vicentino para a formação dos Nossos passa por essa ativa compaixão missionária do Cristo pela vida do povo, em sua dupla dimensão espiritual e material.

22.Compaixão ativa, porque se desdobra em iniciativa eficaz, não se reduz a sentimentos vazios: dai-lhes, vós mesmos, de comer (Mc 6, 37). É o amor efetivo de nosso santo fundador: com a força de nossos braços e o suor de nosso rosto (SV XI, 40).

23.Compaixão missionária, porque anuncia a vida em todas as suas dimensões: Eu vim para que todos tenham vida e vida plena (Jo 10, 10). Vida que requer o pão do corpo – dai- lhes de comer – e o pão da Palavra: estão como ovelhas sem Pastor.

24.O eixo vicentino integra as cinco virtudes inspiradas na dedicação do Bom Pastor, tão caras ao coração de São Vicente e que nele adquirem, além do caráter de moldura do coração, uma fisionomia nitidamente missionária, faculdades da alma, princípio dinâmico de nossos ministérios junto aos Pobres (cf. RC II, 14; XII, 12):

25.*A simplicidade de coração, manifestada nas atitudes e palavras (cf. RC II, 14), de modo a sermos escutados e entendidos pelos Pobres: eles ouvirão a minha voz (cf. Jo 10, 3; RC XII, 5).

26.*A humildade de quem se identifica com os pequeninos (cf. RC II, 4), procura as ovelhas e se coloca como servidor delas (cf. Mc 10, 45).

27.*A mortificação, como libertação das amarras interiores, em ordem a uma vida simples e austera, que nos leva a assumir com alegria todas as exigências do trabalho junto aos Pobres, até mesmo o dar a vida pelas ovelhas (cf. Jo 10, 11; SV XII, 307).

28.*A mansidão, que ganha os corações e nos aproxima das pessoas simples e rudes, lentas e ignorantes (cf. SV XII, 305), pois não há pessoas mais constantes, mais firmes no bem do que os mansos e pacíficos (SV XI, 752).

29.*O zelo missionário inventivo e criativo, a ponto de nos desdobrarmos e nos comprometermos com a salvação e libertação integral de nosso povo pobre, impelidos pelo mais profundo amor, de que o zelo é a chama (SV XII, 307), a exemplo do Senhor que deixa as noventa e nove ovelhas no aprisco e vai em busca da que se desgarrou (cf. Mt 18, 12).

30.Enfim, como fonte de inspiração e resumo do eixo norteador vicentino, na caminhada da formação dos Nossos, temos a palavra de São Vicente, reveladora do mistério que lhe dilata o coração, à luz da contemplação cotidiana do Cristo no Pobre: Mas virai a medalha e vereis pelas luzes da fé que o Filho de Deus, que quis ser pobre, nos é representado por esses pobres (…) Ó Deus, como é bonito ver os pobres, se os consideramos em Deus e na estima que Jesus Cristo teve por eles! Mas, se os consideramos segundo os sentimentos da carne e do espírito mundano, parecerão desprezíveis[5].

31.Nesta ótica e perspectiva, assumimos o projeto da vida consagrada na Comunidade, de modo especial o voto de serviço aos Pobres na CM, orientando para este fim todas as obras da Missão: missões, formação do clero e dos leigos (cf. CC 1 e 39; NNPP, 3).

IV.CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE FORMAÇÃO NA PBCM

32.A PBCM, fundamentada na vida e na prática do próprio Jesus, Libertador dos Pobres, Regra da Província[6], à luz das diretrizes da Igreja, especialmente na América Latina, e da CNBB[7], assim como das NNPP, adota a pedagogia da libertação como orientação básica de todo o seu processo formativo.

33.Essa pedagogia é centrada no Formando, como sujeito[8] e primeiro responsável por sua formação, adequada à consciência e à liberdade do jovem, à sua situação, à sua idade, ao seu temperamento, caráter e interesse. Em especial, atenderá às motivações da opção pelo trabalho com os Pobres e pela vida na profissão da pobreza evangélica.

34.Dentro desta perspectiva, nosso processo de formação será:

1.Processo existencial e progressivo

35.Leva em conta a história e a situação concreta das pessoas, respeita as diferentes idades, as etapas e a caminhada de cada um.

2.Feito em diálogo

36.É um processo de inter-relação e de aperfeiçoamento na vivência humana, pela capacidade de ouvir e responder, na compreensão e no estreitamento das relações de estima, amizade e colaboração.

3.Libertador

37.Estimula o Formando a assumir o papel de agente e sujeito de seu processo formativo, capaz de imprimir à sua formação um cunho pessoal e enriquecer sua personalidade.

38.É libertador na medida em que ajuda o Formando a ser consciente de seus direitos e deveres, responsável no uso da liberdade e capaz de definir-se por objetivos de serviço aos mais pobres[9].

39.Em suma, leva o Formando à lucidez crítica, à criatividade, à responsabilidade pessoal no empenho em decidir e assumir, livremente, sua própria história e a história da humanidade, pois é chamado a participar dela e a transformá-la no âmbito de seu espaço pastoral e próprio.

40.Dentro deste processo libertador, o fato de ser sujeito, compromete-o com a busca sincera e lúcida da vontade de Deus, na atenção constante aos sinais dos tempos e, dentro do espírito de docilidade evangélica e de liberdade interior,no reconhecimento da mediação eclesial dos Formadores com sua função específica.

4.Integrador

41.A formação abrange várias dimensões – humana, espiritual, comunitária, apostólica e vicentina – orientando para a superação de unilateralismos e dicotomias, de racionalizações ideológicas e confrontações desnecessárias e estéreis.

5.Comunitário

42.Num processo de educação libertadora, ninguém forma ninguém, ninguém se forma sozinho, todos nos formamos em comunhão uns com os outros, no esforço comum de transformar o mundo, tendo como modelo a própria convivência de Jesus com o grupo dos apóstolos e discípulos.

6.Cristocêntrico

43.Jesus Cristo, evangelizador dos Pobres, sendo o Mestre, o Educador, o Protótipo de todo homem, será referencial constante e obrigatório. O Homem Novo, à medida da estatura da plenitude de Cristo (cf. Ef 4, 13), é a meta a atingir.

7.Comprometido

44.O compromisso com a evangelização libertadora dos Pobres deve inspirar e impregnar o processo formativo dentro da exigência da dialética fé e vida, oração e ação, teoria e prática[10].

V.DINÂMICA DO PROCESSO DE FORMAÇÃO

45.Em comunhão com o modo de atuar de Jesus, de São Vicente e da Igreja atual, procuraremos partir da realidade concreta, até vir ao campo das idéias, dos valores, para encontrar aí o sentido e o valor das teorias. Isso significa que o ponto de partida será a realidade, em todos os seus aspectos e suas manifestações.

46.Por isso, daremos realce às seguintes realidades:

1.A Comunidade

47.A Comunidade é o lugar natural do desabrochar da pessoa, que não pode desenvolver as promessas e virtualidades inscritas em seu coração, a não ser numa vida relacional. Nela se aprendem o diálogo e o respeito ao outro, testa-se a capacidade de abertura e de aceitação do diferente, de integração no grupo sem sacrifício da própria originalidade, aliam-se o espírito de iniciativa e a criatividade inovadora com a fidelidade ao patrimônio vivo recebido daqueles que nos precederam. A Comunidade transforma, ajuda, desafia, interpela, exige e abre possibilidades. Nela partilhamos ideais, lutas, dificuldades e experiências e comunicamos esperanças e vitórias.

48.Na Província a Comunidade Local é o espaço vital onde o Formando aprende a viver sua pertença apostólica e afetiva à Congregação da Missão. O senso de pertença cresce com a vitalidade da Comunidade em que está inserido. Nela aprenderá a expressão característica do modo próprio de proceder, crescerá na consciência da missão, de sentir-se enviado pela mediação da Congregação e em comunhão com os outros Missionários como missão que envolve toda a vida.

2.A ação

49.A interação da comunidade apostólica com a ação missionária é marca original da Congregação que nasceu da Missão e se destina à Missão (CC 21, 2).

50.Especialmente no campo pastoral-missionário, a ação é elemento fundamental e decisivo no discernimento vocacional, no descobrimento de nosso lugar e dos dons pessoais para as atividades concretas em favor dos Pobres na Igreja.

51.A ação desafia nossa capacidade, questiona nossa inércia, omissão e improvisação e apela para a generosidade de nossa resposta na fé.

3.A reflexão

52.Teoria e prática, ação e reflexão, à luz da Palavra de Deus e do espírito vicentino de serviço aos Pobres, são imprescindíveis na formação vicentina.

53.A reflexão desperta a consciência crítica, purifica motivações e aprofunda critérios, disciplina a ação e suscita responsabilidade na previsão e cumprimento das decisões, anima e mantém o espírito comunitário na descoberta dos valores uns dos outros.

54.Ajuda-nos a ver, julgar e avaliar com equilíbrio nossos trabalhos apostólicos e nossas atitudes pessoais, auxiliando-nos no estímulo e na correção fraterna, preparando-nos para celebrar, com alegria esclarecida, os dons de Deus em nossos dons e sua misericórdia em nossas limitações.

4.A oração

55.Numa visão de fé, a oração entra na dinâmica da formação como pilar básico. O encontro pessoal e comunitário com Deus exige tempo, disponibilidade, entrega, sacrifício, concentração, escuta generosa do Pai, a exemplo de Jesus.

56.Aliar-se-ão, de modo fecundo e equilibrado, a dimensão pessoal e a comunitária, pois o mesmo Senhor que manda orar ao Pai em segredo (cf. Mt 6, 6) pede aos discípulos que orem com ele, no instante do decisivo desafio de sua fidelidade à missão recebida do Pai (Lc 22, 29; Mt 26, 40-41).

57.Igualmente, a exemplo de Cristo, nossa prece, impulsionada pelo Espírito, se articulará, de modo indissolúvel, com o engajamento no serviço aos mais pobres.

VI. DIMENSÕES DA FORMAÇÃO

58.Cada etapa do processo formativo visa o desenvolvimento da pessoa humana em suas várias dimensões, ordenadas ao fim pastoral da formação[11].

1. Dimensão Humana

59. Na presente economia da salvação, nada existe de humano fora da esfera da graça do Cristo Libertador. Pedagogicamente, porém, antes de sermos cristãos e vicentinos, devemos ser homens na plenitude natural desta expressão, sem excluir, contudo, a inspiração e a iluminação da fé[12].

A) Objetivo

60. A formação humana visa a maturidade e integração do homem como pessoa e membro de uma comunidade, no uso da liberdade co-responsável, capaz de atender ao chamado de Deus feito às pessoas e às Comunidades (CC 78, 5).

B) Meios

1. Aspecto Ético-Pessoal

61. A formação capacitará para agir com lucidez, isto é, com consciência crítica e reto discernimento das razões e motivos de nossas ações. Isto não exclui a paixão sadia e o entusiasmo fecundo, mas apenas a inconsciência alienante e a impulsividade perturbadora do juízo.

62.A visão lúcida e o juízo sadio ajudam a situar-nos dentro das contradições e ideologias em luta, em nosso mundo capitalista idolátrico, e a orientar nossa linha de ação pastoral.

63.É preciso empenho para assimilar os valores morais fundamentais, como a verdade, a fidelidade, a transparência nas palavras e atitudes, a honestidade e firmeza de caráter, a coerência no comportamento pessoal e comunitário, a sinceridade, a justiça e a solidariedade, especialmente com os oprimidos. Tudo isso, aliado à misericórdia, à ternura, à bondade, à delicadeza de sentimentos, à gratidão, à generosidade, à educação, à fineza, à cordialidade e ao bom humor no trato com as pessoas, ao acolhimento e à partilha, dará credibilidade à nossa vida e ao nosso agir humano[13].

64.A formação capacita para o sacrifício e a renúncia, na linha evangélica do assumir a Cruz, dentro da perspectiva positiva e fecunda do seguimento de Jesus Cristo, com decisão e alegria.

65.A aceitação de si mesmo é fundamental para o crescimento humano e é ponto de partida para assumir a própria identidade e abrir-se aos outros. Aceitar seu próprio corpo, marcado como Templo de Deus no Batismo, seu caráter, com suas aptidões e seus limites. Aceitar suas raízes familiares, com suas riquezas e deficiências, e sua própria afetividade e sexualidade.

2.Aspecto Afetivo

66.A maturação psico-afetiva é uma construção progressiva, em que interagem a ação de Deus e a liberdade humana. Os Formadores a acompanhem diligentemente, em clima de abertura e confiança mútua, não só valendo-se oportunamente da colaboração de pedagogos, psicólogos e outros especialistas de comprovada idoneidade, competência e orientação cristã[14],mas também capacitando-se, assim como os seus colaboradores, a fim de melhorcumprirem os seus ofícios.

67.Com naturalidade e equilíbrio, as manifestações da afetividade, no Formando para a vida consagrada, devem adquirir, com a graça de Deus e o esforço pessoal de cada um, orientação e sentido próprios, com irrecusáveis e coerentes renúncias, mas sobretudo com generoso e alegre aprofundamento de seu significado na perspectiva do Reino.

68.Com efeito, as energias afetivas e sexuais, em seus distintos níveis e dimensões, não são cerceadas, mas colocadas em um processo de integração, à luz do projeto de vida pelo qual o Formando amadurece sua opção.

69.Assim, a abertura à amizade franca e sincera, o relacionamento sadio e espontâneo com os companheiros e as outras pessoas, homens e mulheres, jovens e crianças, nos ajudarão na integração serena e equilibrada de nossa vida afetiva.

70.A fidelidade nesta área, se é fruto de esforço e ascese pessoal, é também fonte de profunda paz e alegria. Acompanhada do compromisso social com as grandes causas da humanidade, especialmente com a causa da justiça no mundo, com as lutas transformadoras e os movimentos de libertação dos oprimidos, dentro da inspiração evangélica, a fidelidade será geradora de inestimável enriquecimento e fecundidade humana, espiritual e comunitária.

3.Aspecto Intelectual

71.“A preparação intelectual é uma dimensão insubstituível da formação. A organização das matérias de estudo e a seriedade científica deverão contribuir para harmonizar as atitudes próprias da vida consagrada”.[15]

72.Uma formação intelectual sólida e adequada supõe o cultivo dos dons pessoais, também dos dons artísticos e práticos, como desenvolvimento da pessoa e capacitação para os diversos ministérios da Missão, na perspectiva pastoral de melhor servir os Pobres[16]: santos e sábios Missionários são o tesouro da Companhia(cf. SV XI, 126).

73.A capacitação sólida e necessária para um efetivo serviço missionário exige de nós, hoje, em nosso contexto de Brasil, criatividade e busca de formas alternativas para respondermos, sem prejuízo da boa formação intelectual, às novas circunstâncias e exigências de onde emergem as vocações.

74.A formação intelectual para nós, vicentinos da América Latina e do Brasil, exige a análise séria das causas da pobreza, da injustiça e da violência, e não se pode efetivar sem ligação orgânica com o mundo dos Pobres, com seus anseios e suas lutas. Recebe deles as prioridades fundamentais, o conteúdo de suas reais exigências e reflete sobre elas, à luz da fé e da razão humana (cf. CC 12, 2)[17].

75.A crescente complexidade dos problemas do nosso mundo e da ciência moderna exige que os estudos atuais dos Missionários vicentinos sejam programados e se realizem com um forte caráter de interdisciplinaridade e que se entreguem sem reservas ao estudo sério, exigente, que lhes será indispensável para “ler os sinais dos tempos” e ser capazes de aplicar-lhes a solução mais adequada. Alcançarão isto apenas aqueles que conseguirem uma profunda visão da realidade pela reflexão pessoal sobre a experiência do homem no mundo, em especial a da realidade dos Pobres e de sua confrontação com a realidade transcendental de Deus.

76.Enfim, lembremo-nos de que a primeira exigência da formação é poder encontrar na pessoa uma base humana e cristã.A existência desta base humana e cristã não só deve ser verificada na ocasião da entrada na vida consagrada, como também deve assegurar as avaliações ao longo de todo o ciclo da formação, em função da evolução das pessoas e dos acontecimentos[18].

2. Dimensão Comunitária

77. A comunidade para nós é mais do que mero fenômeno natural e sociológico ou simples exigência de eficácia organizativa; é valor religioso, é lugar de fé, é dom do Espírito que comunica seus dons a todas as pessoas para o bem comum (cf. 1Cor 12, 7), e que dá a todos um só coração e uma só alma (At 4, 32) em favor da evangelização dos Pobres.

A) Objetivo

78.O objetivo da formação comunitária é levar-nos a ser, em nossas atividades e em nossa vida, a exemplo das primeiras comunidades cristãs, um espelho vivo da primeira e melhor comunidade, a Comunidade Trinitária, fonte de toda Missão, que deve inspirar e alimentar toda a nossa atividade missionária (cf. CC 20).

79.Assim, os Formandos deverão ser capacitados para as exigências da vida comunitária vicentina, na oração, na partilha fraterna e no trabalho a serviço dos Pobres.

B)Meios

80. Participar na própria formação, de modo responsável e progressivo, no esforço de auto-domínio, cultivando motivações conscientes, mantendo a ponderação e a justiça nos julgamentos, assumindo responsavelmente os compromissos comunitários.

81. Esforçar-se para que reine na comunidade um clima de respeito, confiança, amor e estima pessoal, amizade por cada membro da Comunidade e pela Comunidade como um todo.

82.Introduzir, de modo progressivo e adaptado a cada etapa, o nosso estilo de vida comunitária: orações, refeição, lazer, comemorações, festejos, celebrações, avaliações, planejamento, espírito de equipe, etc.

83.Desenvolver o hábito e o espírito de oração em comum, valorizando a meditação comunitária, a recitação em comum do Ofício Divino, as celebrações litúrgicas, sobretudo a Eucaristia, como momentos privilegiados de expressão da vida fraterna.

84.Iniciar-se na vivência da pobreza evangélica, na comunhão afetiva e efetiva dos bens, como fator de liberdade interior, como força geradora de solidariedade e vida fraterna, na atenção generosa e fiel ao modo de viver e de se vestir em estilo simples, ao uso consciencioso do fundo fixo para as despesas ordinárias e ao exercício do despojamento interior e da humildade, no pedido de licença para as demais despesas, mesmo que se trate de dinheiro pessoal (cf. CC 33-35).

85.Sensibilizar-se para a eficácia evangélica da castidade consagrada, no sentido de criar laços afetivos de uma fraternidade na fé, comprometida com a luta dos oprimidos do mundo.

86.Assimilar o sentido e o vigor da obediência lúcida, na criação dos laços comuns e da comunhão de nossas vidas, na procura co-responsável da vontade do Senhor que nos reúne para segui-lo, no anúncio da libertação dos Pobres.

87.Exercitar-se na abertura ao diálogo, à participação, ao espírito de serviço, à disposição para o perdão e à aceitação dos outros como eles são.

88.Adquirir a consciência da necessidade e do hábito do trabalho, como exigência da condição humana e da solidariedade com a sociedade, especialmente com a comunidade dos mais pobres (CC 32, 1).

89.A atividade apostólica e missionária é a fonte alimentadora de nossa vida comunitária. É preciso insistir também na importância da vida comunitária como testemunho de nossa vocação, de nossa missão e de nossa realidade multicultural [19]. Acrescente-se ainda que o tempo do Seminário Maior é, por excelência, o tempo do aprendizado da vida comunitária, em vista da missão.

3.Dimensão Espiritual

90.Nossa formação lança suas raízes mais profundas no Mistério Pascal como expressão absoluta de fidelidade ao Pai e doação total aos irmãos a exemplo de Jesus Cristo[20].

A)Objetivo

91.A formação espiritual tem por objetivo levar o candidato, sob a inspiração da graça e com a colaboração de sua liberdade pessoal, a uma abertura crescente à ação do Espírito de Jesus, de modo a se deixar conduzir cada vez mais por Ele, por seu estilo de vida e pelos valores que viveu e pregou, buscando:

a)Realizar a condição de filhos de Deus (cf. Rm 8, 14-21; Gl 3, 26, 4, 4-7)[21].

b)Atingir a plenitude do amor do Pai, revelado em Jesus Cristo e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5, 5).

c)Deixar-nos interpelar pela realidade dos Empobrecidos e abrir-nos para o potencial evangélico, o apelo contemplativo e a exigência de seguimento do Senhor, Evangelizador e Servidor dos Pobres, embutidos na experiência desta realidade a partir da fé.

B) Meios

92.A exemplo de São Vicente, buscaremos vivenciar profundamente a presença viva do Verbo Encarnado nos irmãos empobrecidos e injustiçados, nos grupos e minorias étnicas oprimidas, fazendo deste encontro com o Senhor uma experiência mística, geradora de nossa espiritualidade[22].

93.Meditar com freqüência no compromisso de Jesus com os Pobres, no sentido libertador do mistério de sua vida, de sua morte e ressurreição, nas celebrações do ano litúrgico.

94.Descobrir, na leitura orante da Palavra de Deus, meditada com assiduidade, refletida à luz da fé e da vida, como se manifesta a presença do Reino de Deus na história de nosso continente e na história da Igreja como Comunidade[23].

95.A escuta orante da Palavra que alimenta a procura do Senhor, elemento essencial na formação espiritual, exige também que nos eduquemos com generosidade para o sentido profundamente humano e o valor religioso do silêncio a fim de percebermos a presença de Deus e nos deixarmos conquistar por ela, perscrutando-lhe os apelos em nossa vida e na vida dos irmãos pobres[24].

96.Este silêncio interior e exterior, no contexto de agitação e ruído de nossa sociedade [25], propicia o acolhimento da Palavra, a procura do Senhor, e nos levará à vitória sobre todo tipo de dispersão e ativismo, de vazio e superficialidade, de atitudes e práticas ideológicas ou dualistas, unificando-nos a vida em torno do único necessário, a vida do Ressuscitado.

97.Desenvolver o espírito e a prática da oração, alimentada na contemplação de Jesus, missionário orante, modelo de contemplação ativa, que alternava, com misteriosa e inspiradora naturalidade, momentos de oração, a sós, com o Pai, e tempos de ação junto aos irmãos.

98.A Eucaristia, ponto culminante da oração cristã[26], fonte e ápice da formação espiritual, será celebrada e vivida com intensidade interior, com preparação esmerada, de preferência em comum. Nela vivenciaremos, sobretudo, o mistério da fidelidade de uma vida que se faz, perenemente, presença e dom de amor total a Deus e aos homens e nos convida, assim, à doação total de nossa vida a Deus, a serviço de nossos irmãos.

99.A Cruz, que está no coração do Mistério Pascal do memorial eucarístico, será assimilada na formação espiritual e será vivida nesta perspectiva de entrega radical de si mesmo a Deus e aos irmãos, segundo o exemplo de Cristo, Bom Pastor[27]. Sob esta luz, ganham sentido os valores da austeridade, da renúncia e do martírio[28].

100.Por essa razão, também decorrente do mistério eucarístico, a formação espiritual, que comporta a procura de Cristo nos homens[29], para nós, vicentinos, comporta também a procura de Cristo nos Pobres, elemento fundante da nossa espiritualidade. Em favor deles, sobretudo, se exercerá nossa caridade pastoral, que fará de nossas vidas a epifania e a transparência do Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas[30].

101.Na tradição secular da Igreja, a orientação espiritual é elemento essencial no discernimento vocacional e cristão, no seguimento do Senhor. É preciso haver leal colaboração entre o orientador e quem é orientado, em total abertura, para discernir os impulsos do Espírito Santo, verdadeiro diretor do cristão.

102.A consciência de nossas infidelidades e da vulnerabilidade de nossas vidas nos levará a buscar, freqüentemente, a energia misericordiosa do perdão, na celebração pessoal e comunitária do Sacramento da Reconciliação, como meio de retornar, com maior vigor, à vida segundo o Espírito, na caminhada rumo ao Pai.

103.A prática da revisão de vida, em clima de fé e fraternidade, nos ajudará a descobrir a ação de Deus na existência de cada um e na comunidade e a sentir os apelos para a conversão pessoal e comunitária.

104.Amar a Igreja, tal como ela é, com disposição para servi-la, na fidelidade a Jesus Cristo, tornando-a, cada vez mais, sinal transparente do Senhor, facilitando ao povo a fé no Deus libertador.

105.Cultivar o amor e a confiança em Maria, discípula missionária e peregrina da fé, Mãe de Jesus e Mãe dos homens, libertadora dos Pobres, vendo nela a companheira de nossa caminhada (cf. CC 49)[31]. Nossa devoção a Maria se alimentará nas fontes bíblicas e na grande tradição viva da Igreja, onde encontraremos inspiração e motivação sólida e suficiente para nossa piedade mariana, herança recebida de nosso pai São Vicente (cf. RC X, 4).

106.Guiados igualmente pela Palavra e pelo Espírito do Senhor, descobrir e resgatar para nossa piedade e a piedade do povo valores libertadores nos exercícios tradicionais de devoção como as bênçãos, as visitas e adorações ao Santíssimo, o terço, as novenas, as ladainhas, o ofício de Nossa Senhora, as procissões, as romarias e outros.

4.Dimensão Apostólica

107.A formação apostólica, mais do que competência pastoral científica e habilitação operativa, é espiritualidade e mística e garante o crescimento de um modo de ser em comunhão com os mesmos sentimentos e comportamentos de Cristo, Bom Pastor[32].

108.A Formação Apostólica deverá habilitar-nos a lidar especialmente com o meio social a que nos destinamos[33]. Ora, segundo São Vicente, nossa destinação são os Pobres e a disponibilidade total para servir aos Pobres é a marca institucional da Congregação e seu caráter peculiar[34]. Deste princípio decorre o objetivo de nossa formação apostólica.

A) Objetivo

109. O objetivo da formação apostólica de nossos candidatos à Congregação é ajudá-los a se identificar com Jesus, Pastor, Sacerdote, Missionário e Evangelizador dos Pobres, de maneira viva e atual, para uma missão que não conhece fronteiras.

B) Meios

110. O exercício da caridade de Cristo, Pastor e Evangelizador dos Pobres, deve ser o pólo permanente de nossas preces, reflexões e esforços pessoais e comunitários.

111. Deve haver iniciação progressiva e organizada na Pastoral junto aos Pobres, em harmonia com os outros compromissos formativos, com acompanhamento metódico dos Formadores e dos Missionários das áreas de trabalho[35].

112. À luz do Evangelho e do espírito vicentino de amor efetivo aos mais pobres, procuraremos tomar consciência crítica das causas da pobreza na América Latina, para conferir lucidez e maior alcance a nosso serviço apostólico e melhor desempenhar nossa missão profética em favor dos Pobres[36]. Neste sentido, dentro de nosso espaço pastoral próprio, conscientes do potencial transformador do Evangelho que é fermento, luz e sal, é preciso assumir os conflitos conseqüentes da evangelização dos Pobres, a exemplo de Jesus. Avaliar, também, por estes parâmetros, nossa fidelidade apostólica.

113.Capacitar-nos para o ministério da Palavra pelos estudos, sobretudo bíblicos e teológicos, pela reflexão e por exercícios adequados de treinamento, segundo as exigências de hoje, com conteúdo e metodologia adaptada à mentalidade e à cultura dos Pobres de nosso tempo.

114.Desenvolver verdadeiro espírito comunitário nas atividades apostólicas e missionárias (cf. CC 12, 4), com planejamento comum, revisão e avaliação periódicas, à luz de nosso projeto missionário e dos apelos da Igreja no Brasil e na América Latina, buscando sempre conversão e atualização.

115.Estimular os candidatos a se colocarem em disponibilidade generosa para atenderem aos apelos dos mais pobres, nas regiões mais carentes do Brasil e fora dele.

116.Participar de cursos e encontros especializados de formação apostólica e de teologia pastoral, assim como de eventos significativos da caminhada da pastoral libertadora.

117.Participar de pastorais específicas, de movimentos populares e de experiências missionárias para firmar o compromisso com a justiça e a libertação dos Pobres.

118.Manter o equilíbrio dinâmico entre a dedicação generosa à atividade apostólica e os tempos de comunhão pessoal com o Senhor, entre o apostolado e os estudos, o compromisso e a reflexão, a missão e a comunhão com os irmãos na vida comunitária.

119.O carisma apostólico-missionário da Congregação exige abertura e interesse pela formação do clero e dos leigos, orientando-os para uma participação mais plena na evangelização dos Pobres (CC 1, 3º)[37]. Somos missionários, Formadores de padres por causa dos Pobres, para conservar e continuar a obra das missões (cf. RC XI, 12).

120.Fundamentar nossa pastoral missionária junto aos Pobres e nossa opção por eles na autêntica doutrina teológica sobre o Pobre e na preferência de Deus por eles, à luz da Bíblia e da Tradição viva da Igreja.

5. Dimensão Vicentina

121.A formação vicentina é fundamental para todos os que se sentem chamados à CM. Esta dimensão deverá ser objeto de especial atenção, durante todo o processo formativo, tendo em vista a fidelidade ao serviço dos Pobres, que a Congregação é chamada a prestar na Igreja.

A) Objetivos

122.Orientar e capacitar os candidatos a realizarem sua vocação de seguidores de Jesus, libertador dos Pobres, Regra da Província (cf. NNPP, I,3), inspirados nos ensinamentos, na vida e no espírito do Fundador.

123.Preparar os candidatos para que ajudem os Pobres a encontrar respostas para as legítimas exigências de seu espírito, de seu coração, de sua vida e, assim, a realizar as esperanças deles[38].

B) Meios

124.Durante todo o processo de formação, dar à nossa vida uma dinâmica vicentina, de acordo com a orientação do Vaticano II: Redunda em benefício da Igreja que os Institutos tenham índole e função próprias. Sejam, pois, fielmente conhecidos e observados o espírito e as intenções específicas dos fundadores, como também as sãs tradições. Tudo isso constitui o patrimônio de cada Instituto[39].

125.Aplicar-nos ao conhecimento aprofundado, afetivo e crítico de São Vicente, de sua vida, de suas obras e de seus escritos e do tesouro das Regras Comuns. Interessar-nos por tudo o que nasceu de seu espírito e inspiração, pela história da Congregação e da Província, pelas Constituições e Estatutos, pelas Normas Provinciais. Tudo, segundo o planejamento de cada etapa.

126.Refletir e tentar assimilar na vida a espiritualidade de São Vicente, sobretudo em nossa releitura latino-americana e brasileira.

127.Estudar, meditar e discernir, à luz das palavras de nosso Fundador e da inspiração do Espírito para os tempos atuais, as cinco virtudes vicentinas da simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo. Essas virtudes, que têm uma orientação missionária, são a fonte das atitudes que Jesus Cristo teve para com o Pai e os Pobres. São virtudes que não só aperfeiçoam o missionário, mas também o dispõem para ser verdadeiro evangelizador dos Pobres[40].

128.Incentivar nos Formandos o espírito de iniciativa e pioneirismo, na docilidade à Providência que nos desafia ao novo (cf. CC 2), pois o Espírito de Deus continua a criar novidades, continua a nos falar através dos profetas, chamando-nos a uma fidelidade rica de amor e de audácia apostólica[41].

129.Cultivar o acolhimento e a amizade com todos os Coirmãos, com uma estima especial, cheia de respeito fraterno, para com os idosos, os doentes e os que atravessam períodos difíceis na vida. Cultivar, igualmente, o respeito e o interesse por todas as obras da Província, de modo especial por nossas missões, aproveitando as oportunidades de visitá-las e conhecê-las e, eventualmente, segundo os planejamentos das etapas, estagiando e trabalhando nelas.

130.A mística do amor à Congregação, nossa mãe, mesmo que mais pobre e menos bela que as outras (cf. RC XII, 10), será um estímulo ao esforço alegre e generoso pela formação vicentina.

131.Para a formação vicentina, é indispensável conhecer a Doutrina Social da Igreja (DSI), a fim de que os seminaristas estejam em contato com os Pobres e conheçam sua situação, reflitam sobre as causas da pobreza e se deixem evangelizar pelos Pobres[42]. Para isso, é necessário abrir nossas casas para eles,salvas as exigências da formação e da vida comunitária, e ir visitá-los, especialmente os animadores das Comunidades e dos Movimentos Populares Libertadores, inserindo-nos, apostolicamente, nos lugares e na vida deles.

132.Nesse sentido ainda, procurar, na medida do possível, que as casas de formação estejam situadas em lugares pobres [43], com construção de estilo simples para facilitar a prática pastoral e a inserção evangélica no meio dos Pobres.

133.Esta inserção, como opção de fé, busca encarnar hoje o projeto evangélico de vida, a partir de dentro da realidade dos Pobres. Ela põe em marcha um processo fecundo de renovação da Vida Consagrada, não só em suas estruturas, mas no seu próprio ser, e encontra, na inspiração e no carisma vicentino, pleno significado.

134.Aos Formandos que desejarem uma inserção mais ampla no meio dos Pobres se pedirá um projeto de vida, bem fundamentado, abrangendo as várias dimensões da formação, a ser submetido à aprovação da direção provincial.

135.Estaremos em comunhão com toda a Família Vicentina, para que nosso carisma seja vivenciado de maneira mais solidária e dinâmica, caminhando ao lado daqueles que também bebem das fontes da espiritualidade de São Vicente de Paulo.

CAPÍTULO II

A COMUNIDADE FORMADORA

I. AGENTES DA FORMAÇÃO

1.Comunidade Local

136.Formandos e Formadores da Comunidade Local são os agentes com a responsabilidade mais direta e imediata no processo formativo. Deles e de seus respectivos papéis se falará, logo em seguida, na descrição do processo formativo.

2.Visitador

137.É evidente que, entre todos os Coirmãos, tem responsabilidade especial o Visitador. É importante que ele tenha contato pessoal e constante com os Formadores e Formandos. Em suas visitas à Província, reservar, semestralmente alguns dias para estar nas casas de formação, a fim de partilhar a vida que a comunidade Formadora leva, discutir o projeto comunitário e manter diálogo com os Formadores e os Formandos.

3.Conselho

138.Como auxiliares diretos do Visitador, os Conselheiros, mais do que os demais Coirmãos, sintam-se diretamente responsáveis pelo bom andamento das casas de formação, visitando-as, se possível, e interessando-se pela vida da comunidade Formadora.

4. Coirmãos

139.Toda a Comunidade Provincial é responsável pela formação dos Nossos (cf. CC 93). Isso quer dizer que cada Coirmão, em sua frente de trabalho, deve ter interesse especial na orientação dos candidatos. Acompanhar nas férias os que já estão no seminário, manter constante comunicação com as casas de formação, visitá-las, tomar conhecimento e até participar, com suas sugestões e críticas construtivas, do projeto das comunidades de formação. Em resumo, criar um ambiente formativo, em que os futuros vicentinos se sintam felizes e empenhados na vivência de nosso carisma. Se todos colaborarem, se a formação for obra de todos, teremos o futuro da Missão garantido

II.O PROCESSO PARTICIPATIVO

1.Relação Formando-Formador

140.Formandos e Formadores devem sentir-se envolvidos no mesmo processo pedagógico. Com metodologia libertadora, geradora de comunhão, o processo participativo torna-se mediação para que se opere a libertação de tudo o que, na comunidade e nas pessoas, é obstáculo ao crescimento integral. Ele constitui a relação entre Formandos e Formadores, de tal modo que todos se sintam envolvidos na comunhão pedagógica, em que cada um aceita e assume a responsabilidade de atuar, com o próprio comportamento, no do outro.

141.Neste processo, a relação Formando-Formador acontece em nível de igualdade fundamental. São irmãos que se relacionam. Mas, nesta igualdade, há uma diferença funcional, que se fundamenta na mediação eclesial dos Formadores e se caracteriza pela forma de serviço, não pela qualidade essencial. Ao Formador compete colaborar, com sua responsabilidade específica, na elaboração dos marcos do caminho formativo.

142.Essa participação possibilita a comunhão Formando-Formador e também a co-responsabili-dade nos objetivos da formação. Ademais, em virtude mesmo de sua mediação eclesial no discernimento da vontade do Senhor em questões extremas, os Formadores têm uma palavra e um papel decisivos, que se deve acolher em espírito de obediência.

143.No processo participativo, Formandos e Formadores devem assumir constante atitude de vigilância crítica sobre sua prática, para que esteja sempre voltada para a realização das pessoas e dos objetivos do Seminário, à luz do projeto evangélico de edificação da comunidade fraterna. Deste modo, as relações Formando-Formador serão vividas em nível de fé. Nelas e através delas, ambos se comportam e se afirmam como pessoas, se entendem como agentes do processo formativo, porque se descobrem em formação.

2.Os Formadores

144.A vida consagrada é também mistério, porque inserida no mistério maior de nossa salvação, do qual participa. Nela precisamos ser introduzidos, à luz da própria iniciação ou mistagogia cristã.

145.O ministério do Formador é propriamente o de iniciador: inicia e introduz, progressivamente, no mistério de Cristo pobre e evangelizador dos Pobres; inicia o Formando na oração que motiva a livre entrega que ele deve fazer de si mesmo à causa do Evangelho; introduz o Formando no caminho da liberdade interior, da maturidade afetiva e da integração pessoal; inicia e introduz o Formando numa experiência viva, humana, espiritual, eclesial e apostólica, numa história que o precede – a da Congregação.

146.Ao Formador cabe o exercício da autoridade na linha evangélica do poder-serviço. Ele se entende como cultivador respeitoso de vidas que possuem suas dinâmicas próprias. Vive a experiência de integração dos múltiplos valores que deve transmitir ao Formando. Apresenta, de maneira clara, os objetivos da Congregação, da Província, da etapa formativa, e as exigências da Missão. Acompanha de perto o processo, incentivando, estimulando, relembrando ao Formando a liberdade de sua opção, o compromisso com um tipo específico de vida. Situa-se no amplo horizonte da história do povo, da Igreja e da vida consagrada. Deve ter a visão prospectiva de formar, no hoje, para o amanhã.

147.O Formador torna-se ponte entre a Instituição e o Formando. Sua pedagogia deve estar centrada no diálogo, partindo da realidade de cada Formando. Não é um detentor da sabedoria mas um irmão, um amigo que caminha junto, dando espaço para cada um ir construindo sua história.

148.Além do que já foi dito, eis outras atitudes necessárias ao Formador:

a)Assumir com gosto o trabalho da formação, encontrando nele sua realização pessoal.

b)Ser aberto às críticas, às mudanças e ao diálogo, através da revisão de vida pessoal e comunitária.

c)Procurar trabalhar em equipe com outros Formadores.

d)Ser pessoa de oração e de espiritualidade madura e comprometida com a Missão.

e)Saber dividir com os Formandos a responsabilidade do processo da formação, dando oportunidade para que todos possam participar na condução do mesmo.

f)Adquirir gosto e jeito para planejar, realizar e revisar, com toda a comunidade formativa, as atividades comuns.

g)Depois de todo o esforço, saiba que os resultados concretos da formação procedem mais do que ele vive e menos do que ele diz.

149.Em razão disso, o Concílio recomenda que os Formadores sejam escolhidos dentre os melhores, diligentemente preparados por sólida doutrina, adequada experiência pastoral e peculiar formação espiritual e pedagógica[44].

3.2Os Formandos

150.A formação, como iniciação progressiva da pessoa nos valores da vida consagrada, supõe a apresentação desses mesmos valores por alguém que os assumiu e identificou-se com eles, a fim de que o Formando se sinta motivado a assumi-los também, criando-os em sua pessoa e em seu relacionamento com a realidade, com os outros e com Deus[45].

151.Neste processo, o Formando assume o papel de agente, no sentido de que ele é o sujeito, o protagonista de sua própria formação. Mas não é um sujeito absoluto. Ele está relacionado com a Província, com a Comunidade local e com os Formadores que são ajudantes, facilitadores do processo. O esquema do mestre que deposita e do aluno que recebe deve ser superado na relação dialógica e mistagógica.

152.Eis algumas atitudes necessárias aos Formandos:

a)Assumir a caminhada como sujeito de sua própria história.

b)Colocar-se em atitude de abertura e acolhida em relação às propostas que são feitas ao longo do processo.

c)Ter espírito crítico, associado à docilidade na relação dialógica, fraterna e mistagógica, para assimilar os valores autênticos da vida consagrada.

153.Este processo formativo, realizado em comunidade, requer um mínimo de estruturas. Estruturas que sustentem e promovam as pessoas e suas relações, estruturas libertadoras, promotoras da vida, que ajudem a conseguir os objetivos da formação. E ajudem, sobretudo, o Formando a assumir, livre e responsavelmente, seu próprio crescimento e, ao mesmo tempo, a comprometer-se com o crescimento dos outros. Nesse caso, estruturas a serviço da vida e da comunhão, que não deixem as pessoas se anularem, mas, antes, contribuam para que se firmem em sua originalidade[46].

III.COMISSÃO DE FORMAÇÃO

154.1.Objetivos

a)Estabelecer o elo de união entre os diversos Formadores e entre as casas de formação.

b)Zelar para que seja respeitado o princípio da progressividade entre as várias etapas e dimensões do processo formativo.

c)Favorecer o entrosamento entre os Formandos das diversas etapas de formação e empenhar-se para que se torne fácil para os seminaristas a passagem de uma etapa para outra.

d)Promover encontros e cursos entre Formadores e/ou Formandos, para que estudem e analisem o processo formativo, buscando apresentar sugestões à Direção Provincial, para o aperfeiçoamento da formação.

e)Incentivar, estudar e apresentar propostas para o projeto comunitário das casas de formação.

f)Buscar novos caminhos para a formação dos Nossos e apresentar projetos à Direção Provincial.

g)Analisar e procurar selecionar os problemas que surgem nas casas de formação, relacionados com o processo formativo, com os Formadores e os Formandos.

h)Preparar ou renovar o Plano de Formação da Província, levando em consideração os princípios das CC e EE, as NNPP, os documentos da Igreja universal, latino-americana e brasileira, e ajustando-se às diversas circunstâncias dos lugares (NNPP, 46).

2.Constituição e funcionamento da Comissão de Formação

155.A Comissão de Formação, nomeada pelo Visitador para um período de 3 anos renováveis, será constituída por:

-1 Formador de cada etapa do processo de formação;

-1 Formando da filosofia;

-1 Formando da teologia;

-1 Representante do Serviço de Animação Vocacional Vicentina;

-1 Coirmão que não esteja ligado diretamente à formação;

-1 Irmão.

156.O Coordenador da Comissão será nomeado pelo Visitador para um período de três anos, levando em conta a indicação dos membros da própria Comissão.

157.Esta Comissão deverá reunir-se pelo menos duas vezes durante o ano.

CAPÍTULO III

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL VICENTINA (SAVV)

I.MOTIVAÇÃO FUNDAMENTAL

158.São Vicente via a Congregação em função do serviço dos Pobres. Seu lema, Evangelizare pauperibus misit me, confirma esta afirmação. No binômio Congregação da Missão, a densidade de sentido recai sobre a Missão.

159.O Serviço de Animação Vocacional Vicentina se fará a partir de nossa missão: procuraremos suscitar continuadores da missão de São Vicente para o serviço dos Pobres.

II.OBJETIVOS GERAIS DO SAVV

160.Partilhar e divulgar o Carisma de São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, através das atividades do Serviço de Animação Vocacional, da mútua colaboração entre as Irmãs (FC), Padres e Irmãos (CM) das Províncias do Brasil e outros ramos da Família Vicentina, tendo em vista nosso crescimento, em fidelidade na vivência do Carisma Vicentino[47].

161.Promover as vocações de especial consagração. Por isso, o SAVV investe suas forças em atividades que diretamente convidam e chamam todos, mas de modo particular os jovens, para uma entrega generosa a serviço da pessoa dos Pobres, segundo o carisma vicentino.

III.OBJETIVOS ESPECÍFICOS DO SAVV[48]

162.a) Conhecer melhor alguns traços fundamentais da Animação Vocacional, tais como:

1.Ministerialidade, com destaque para o protagonismo dos leigos e a responsabilidade de todos, indistintamente, no Serviço de Animação Vocacional, dado que pretendemos construir cada vez mais uma Igreja toda ministerial

2.Inculturação, sobretudo enquanto perspectiva e atuação de uma Evangelização inculturada com destaque para o respeito e a valorização da cultura do vocacionados.

3.Valorização da pessoa, com destaque para suas dimensões fundamentais: corpo, mente e espírito. Trata-se de conceber e operacionalizar uma Animação Vocacional mais personalizada, atenta à pessoa em seu todo, à luz das ciências e da Revelação divina.

b)Priorizar no Serviço de Animação Vocacional os aspectos básicos da vocação na seguinte ordem: vocação humana, vocação cristã, vocação consagrada e missionária.

c)Estimular a Comunidade Cristã (leigos: jovens e famílias; irmãs; irmãos e padres) e, de modo especial, os ramos da Família Vicentina, para assumirem sua responsabilidade na promoção vocacional.

d)Capacitar os agentes do Serviço de Animação Vocacional Vicentina dentro da mística do serviço e da evangelização dos Pobres.

IV.LINHAS DE AÇÃO

Procurar de modo permanente:

163.-Vocacionalizar progressivamente todas as nossas pastorais. A evangelização dos Pobres incluirá sempre a perspectiva vocacional, dado que visamos a continuidade da Missão.

164.-Sensibilizar os membros das Províncias da Congregação da Missão e das Filhas da Caridade, bem como toda a Família Vicentina, quanto a sua corresponsabilidade no Serviço de Animação Vocacional, visando a criação de uma ‘cultura vocacional’[49].

165.-Intensificar a formação dos Animadores e Animadoras Vocacionais em todos os níveis. Estudo dos documentos da Igreja, documentos da Companhia das Filhas da Caridade, da Congregação da Missão, Congressos Vocacionais e outros[50].

166.-Organizar Equipes do SAVV nas áreas de atuação missionário-pastoral da PBCM, fortalecer as já existentes, formar Grupos de Opção de Vida[51].

167.-Reforçar as bases de um SAVV encarnado na realidade, partindo da visão da Igreja como Povo de servidores[52].

168.-Desenvolver um SAVV alicerçado na oração, no testemunho e no acompanhamento[53].

169.-Integrar o trabalho da equipe do SAVV com o trabalho dos Formadores, dentro das casas de formação, num clima de entreajuda fraterna.

170.-Dar continuidade à promoção de atividades concretas com e para a juventude em geral, levando em conta as etapas do itinerário vocacional: despertar, cultivar, discernir e acompanhar. Envolver a Família Vicentina neste trabalho[54].

171.-Empenhar-se na criação de “Núcleos de Vocacionados” ou “Grupos de Opção de Vida” em todas as obras da PBCM ou, pelo menos, por região.

172.-Realizar Encontros de Opção de Vida como instrumento privilegiado de acompanhamento vocacional.

173.-Criar condições aos que manifestarem sinais de vocação vicentina para visitarem nossas obras.

V.ALGUNS CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO

174.Visto que somos chamados por Deus a ser, na Igreja, uma comunidade consagrada para o serviço dos Pobres, nas missões e na formação do clero e dos leigos: nossa vocação é que inspira (…) nossa formação espiritual e intelectual, a orientação dos estudos que haveremos de fazer na Congregação, a fim de que nos tornemos cada vez mais aptos e eficientes, no serviço dos Pobres e do Clero[55]. Exige-se do vocacionado o seguinte:

175.-Ter consciência do chamado de Deus[56].

176.-Manifestar sensibilidade e capacidade para o serviço dos Pobres, de acordo com as Constituições da CM.

177.-Apresentar aptidões para o trabalho e a vida em comunidade, donde, pois os seguintes requisitos:

a)Reta intenção (desejo de servir aos Pobres, por amor de Deus).

b)Atenção às qualidades humanas e às aptidões morais como consta nas DBPFV[57].

c)Em caso de egressos de outros seminários, deve-se ter um cuidado todo especial na averiguação das motivações e das reais condições do vocacionado[58] e levar em conta as exigências estabelecidas pelas “Determinações para Admissão de Egressos aos Seminários da PBCM” de 11 de agosto de 1999.

178.Vocações especiais e de pessoas com mais de 30 anos merecem particular atenção da Equipe do SAVV. Não devem ser eliminadas a priori, mas estudadas caso por caso, juntamente com a Comissão de Formação e a Direção Provincial, em vista da abertura de novos caminhos para a Formação.

VI.PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS E ETAPAS DO ACOMPANHAMENTO

179.-Que os Coirmãos, através do testemunho de alegria e de realização pessoal, possam tornar atraente aos jovens e adultos o chamado de Deus para o serviço dos Pobres.

180.-Que a formação para a doação seja uma atitude definidora de quem deseja consagrar-se aos Pobres.

181.-Que se procure valorizar a formação do vocacionado na própria comunidade familiar, escolar, paroquial e social.

182.-Que o vocacionado seja orientado para um serviço pastoral, logo no início do acompanhamento vocacional.

183.-Que o vocacionado através de tempos fortes de experiências espirituais, como dias de recolhimento, vigílias de oração, etc., possa discernir e fortalecer as motivações vocacionais.

184.-Que a formação em contato com a realidade possa levar o vocacionado ao compromisso com a transformação do mundo na perspectiva do Reino de Deus.

185.-Antes de ingressar no seminário, o vocacionado deverá passar pelo seguinte itinerário: despertar, cultivar, discernir e ser acompanhado, totalizando pelo menos um ano de duração.

VII.EQUIPE PROVINCIAL DO SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL VICENTINA

186.A)Objetivos

a)Elaborar o planejamento, executar e rever, periodicamente, as atividades vocacionais em nível da Província.

b)Auxiliar a direção provincial e os Coirmãos com assessoramento em reflexões e atividades na área vocacional.

c)Incentivar, apoiar e divulgar atividades vocacionais na Província e fora dela.

d)Despertar, acompanhar e selecionar os vocacionados destinados às nossas casas de formação.

B)Constituição e funcionamento da Equipe Provincial do SAVV

187.A Equipe Provincial do SAVV deverá ser constituída por pelo menos três Padres, dos quais pelo menos um seja totalmente liberado, por um Irmão e dois Formandos, um da filosofia e outro da teologia.

188.A Equipe e seu coordenador serão nomeados pelo Visitador para um mandato de três anos, renováveis.

189.A Equipe deverá elaborar, no início de cada triênio, seu planejamento, a ser desmembrado em planejamentos anuais, elaborados no final do 2º semestre para o ano seguinte. Além das atividades concretas, deverão constar do planejamento:

a)Análise atualizada do Serviço de Animação Vocacional na Província.

b)Objetivos a serem alcançados no triênio e anualmente.

c)Princípios norteadores da ação.

d)Prioridades para o triênio e para cada ano.

190.A Equipe deverá reunir-se para uma revisão semestral do Projeto de Animação Vocacional Vicentina.

191.A Equipe Provincial do Serviço de Animação Vocacional Vicentina será auxiliada pelos Animadores Regionais, indicados pela equipe provincial do SAVV e nomeados pelo Visitador, e também pelas Equipes Locais do SAVV, que cada Coirmão se esforçará por organizar e apoiar, na obra em que se encontra.

192.O Coordenador da Equipe Provincial do SAVV, liberado para tal ofício, deverá manter contato freqüente com os animadores regionais e com as equipes locais do SAVV.

CAPÍTULO IV

PROPEDÊUTICO

I.NATUREZA E FINALIDADE

193.O Propedêutico é uma experiência inicial de formação na PBCM para aqueles jovens que buscam responder ao chamado de Deus no serviço aos mais pobres. A etapa do propedêutico na PBCM terá a duração de no mínimo dois anos.

194.Antes de fazer o Seminário Interno, todo Formando deverá fazer o Propedêutico (NNPP, 36).

II.OBJETIVOS

195.a) Discernir melhor o apelo de Deus. O vocacionado será auxiliado no trabalho de purificar, e tornar mais transparentes e sólidas as motivações vocacionais.

b)Aprimorar a formação humana e espiritual.

c)Fazer uma experiência mais profunda de Cristo.

d)Iniciar-se na vida comunitária.

e)Conhecer e interiorizar a vocação na CM.

f)Reforçar os estudos.

g)Iniciar-se numa visão de Igreja de rosto mais vicentino, inclusive através de uma revisão das primeiras experiências pastorais.

III.REQUISITOS PARA A ADMISSÃO

196.-Que o vocacionado já tenha terminado o Ensino Médio. Casos especiais deverão ser tratados pela Comissão de Formação.

197.-Que o vocacionado já tenha sido acompanhado pelo Serviço de Animação Vocacional da Província, durante pelo menos um ano.

198.-Que o vocacionado já tenha expressado seu interesse pela vida consagrada ou presbiteral.

199.-Que se examinem as condições do vocacionado, tais como: aspectos familiares, financeiros, afetivos, psicológicos, de saúde, etc.

200.-Que o vocacionado tenha um prévio conhecimento do carisma vicentino da CM e disposição para aprofundá-lo.

201.-Apresentação dos seguintes documentos: carta de apresentação do coordenador do Serviço de Animação Vocacional Vicentina da Província, registro civil, certidões de Batismo e de Crisma, histórico escolar, documento de quitação do serviço militar, registro de identidade e título de eleitor.

IV.DIMENSÕES DA FORMAÇÃO

202.As atividades formativas na comunidade do Propedêutico deverão ser organizadas de tal modo que satisfaçam os vários aspectos e setores da personalidade do vocacionado.

203.Além do que já foi expresso no Capítulo I destas Diretrizes Básicas para a Formação na PBCM, levem-se em conta, nesta etapa do processo formativo, as seguintes orientações:

1.Dimensão Humana e Cristã

204.Esta dimensão deverá ser prioritária nesta etapa da formação, sem desvalorizar as demais.

205.O objetivo principal desta dimensão será ajudar o vocacionado a adquirir e/ou aprofundar o conhecimento de si mesmo, visando atingir certo nível de maturidade humana e cristã que lhe possibilite ir assumindo, com liberdade e consciência, a opção pela vida consagrada, como Padre ou Irmão[59].

206.Para que os objetivos desta dimensão sejam alcançados tenham-se presente os seguintes elementos:

a)O devido conhecimento das condições de saúde física, psicológica e afetiva do vocacionado.

b)Sua capacidade de se relacionar com as pessoas nas várias etapas da vida: infância, adolescência, juventude, idade adulta e velhice.

c)A preparação intelectual, a disposição e/ou as condições para atender às exigências da mesma.

d)A sensibilidade para os problemas de nosso tempo e a preocupação com as pessoas, em especial os mais pobres.

e)Sua capacidade e iniciação na vida de oração.

207.A constatação da ausência ou deficiência de algum(ns) dos elementos acima levará a Equipe de Formadores a procurar os recursos e estratégias necessárias para ajudar o vocacionado na superação da(s) mesma(s), desde que se perceba a disposição e o esforço do mesmo neste sentido.

208.O vocacionado será ajudado a valorizar-se na justa medida, a conhecer seus talentos, seus afetos, sua própria realidade e história. Deverá crescer em liberdade, em responsabilidade pessoal, em equilíbrio afetivo, na capacidade de amar e estabelecer amizade, no diálogo, na compreensão, na honestidade e justiça.

209.Este crescimento não se efetuará apenas através da introspecção, mas também na confrontação e relação consigo mesmo, com a comunidade, com a ação e com os Formadores.

210.O vocacionado será orientado e receberá a devida ajuda para organizar e utilizar bem o tempo, evitando a dispersão e a sobrecarga. Que ele seja estimulado e receba auxílio para elaborar e cumprir o seu Planejamento Pessoal.

1.1.Aspecto ético-pessoal

211.-Cultive o vocacionado o hábito de se apresentar sempre com dignidade diante dos outros nos vários ambientes, aprimorando-se no asseio pessoal, nos modos de falar e agir e no comportamento em geral.

212.-Favoreça-se um contato regular com a realidade sócio-político-econômica e com a própria família, visando o desenvolvimento sadio do vocacionado.

1.2.Aspecto intelectual

213.-Que os vocacionados aproveitem os estudos para se tornarem mais aptos a assumir com proveito os cursos superiores.

214.-Que os vocacionados comecem a aprender o francês, de modo a terem acesso aos textos vicentinos.

215.-A língua portuguesa será objeto de estudos complementares, de modo a aperfeiçoar a capacidade de expressão escrita e oral.

216.-Ensinem-se técnicas apropriadas de leitura, compreensão, redação, análise de textos, reflexão crítica e metodologia de estudos, visando às exigências próprias dos cursos superiores.

217.-Estimule-se a leitura de obras fundamentais da cultura nacional e contemporânea e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da consciência crítica, em face dos meios de comunicação social, da política, das ideologias, etc.

2.Dimensão Espiritual

218.-O propedêutico será o tempo para ajudar o vocacionado a complementar sua formação cristã, fortalecer seus conhecimentos doutrinais, alimentando com eles sua fé pessoal, principalmente sobre a pessoa de Jesus Cristo, aprofundar em sua vocação batismal, refletir com seriedade sobre a vida consagrada a que se sente chamado e abrir as graça dos sacramentos.

219.-Tendo em vista os objetivos apresentados, levem-se em conta e se estabeleçam no projeto comunitário do Propedêutico:

a)O aprofundamento da doutrina cristã.

b)A freqüência das celebrações eucarísticas.

c)Os momentos de oração com o povo.

d)Os dias de retiro, celebrações comunitárias da Reconciliação, vigílias e hora santa, durante o ano letivo[60].

220.-Tenha-se cuidado, na formação, com a oração pessoal e comunitária e com o despertar para a aquisição e o cultivo das “virtudes vicentinas” (simplicidade, humildade, mansidão, mortificação, zelo), fundamentais à vida de todo missionário, segundo o espírito de São Vicente.

221.-Que o vocacionado receba a devida orientação sobre a importância e a missão do Orientador Espiritual na vida do cristão e de modo especial, na vida do Missionário vicentino. Que desde o início do processo de formação o vocacionado escolha o seu Orientador Espiritual usufruindo deste importante auxílio em todo o seu processo de formação.

222.-Que sejam incluídas no currículo do curso propedêutico as seguintes disciplinas: Introdução à Sagrada Escritura, Estudo do Catecismo Católico, Introdução à Liturgia, Introdução à Vida Consagrada e outras que a Comissão de Formação julgar necessárias.

3.Dimensão Comunitária

223.-Que os vocacionados participem da elaboração, execução e revisão do projeto comunitário.

224.-Que os vocacionados sejam estimulados a desenvolver a liderança, o bom senso e a criatividade, através da participação em equipes de montagem de murais, confecção de cartazes, organização de celebrações, confraternizações, etc.

225.-Que a comunidade, em seu Projeto, preveja ocasiões para o lazer diário e ocasiões especiais, tais como: dias de recreação, esporte, passeio, confraternização, etc.

226.-O trabalho comunitário para a manutenção e conservação da casa é elemento de grande importância no processo formativo. Seja esse trabalho generosamente aceito e realizado, quer como sinal de solidariedade com os homens do trabalho, quer como colaboração para seu próprio sustento.

4.Dimensão Apostólica

227.-Toda a formação na PBCM deve ser orientada para a missão no meio dos mais pobres. Recomenda-se que o vocacionado mantenha contato com uma comunidade cristã paroquial ou de base, sem assumir papéis de liderança ou direção, pelo menos neste período da formação.

228.-Nesta etapa da formação, é aconselhável que os vocacionados realizem trabalhos pastorais, como catequese, participação em grupos de base e em movimentos vicentinos, Pastoral Vocacional, visitas aos doentes e idosos, auxílio nas celebrações litúrgicas, etc.

229.-Para não se queimarem etapas, será oportuno evitar que os vocacionados ocupem cargos de liderança ou venham a fazer palestras, organizar encontros e cursos pastorais, se para isso não se encontram devidamente preparados.

230.-O Projeto Comunitário deverá prever encontros de estudos (aulas curriculares) sobre o conteúdo e a metodologia pastoral, capacitando os Vocacionados para as atividades pastorais.

5.Dimensão Vicentina

231.Nesta etapa da formação, os Vocacionados deverão ir descobrindo e apaixonando-se pelo carisma do Fundador, por isso deverá:

232.-Ser sensibilizados para o amor afetivo e efetivo para com os Pobres, através de visitas periódicas aos doentes, aos idosos, às crianças nas creches, às vilas, favelas e casas dos mais pobres.

233.-Estudar a vida de São Vicente e dos Santos e Santas da Família Vicentina, a vocação e atividade apostólica da CM, em vista do conhecimento do com o espírito vicentino e do comprometimento com ele.

234.-Ser despertados para a solidariedade com os Pobres, em suas organizações e lutas pela libertação, a fim de colaborar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

 CAPÍTULO V

FORMAÇÃO DOS PADRES

I.SEMINÁRIO MAIOR : NATUREZA E FINALIDADE

235.Mais do que lugar ou espaço, o Seminário Maior é tempo de graça, é comunidade educativa a caminho[61], cuja identidade profunda é ser, a seu modo, uma continuação, na Igreja, da mesma comunidade apostólica reunida em volta de Jesus, escutando a Palavra, caminhando para a experiência da Páscoa e esperando o dom do Espírito para a missão[62].

236.Explicitando-lhe a identidade tão bem definida pelo Papa João Paulo II:

-É a comunidade da preparação específica para o ministério presbiteral onde se formam padres, isto é, pastores do Povo de Deus, participantes da missão de Jesus Cristo, Sacerdote, Profeta e Pastor, servidores dos homens para conduzi-los a Deus (cf. CC 87).

237.-Para nós, vicentinos, especificamente, o Seminário Maior é a comunidade onde se formam os Missionários dos Pobres, seguidores de Cristo, Evangelizador dos Pobres, do Cristo Libertador, regra da Missão (CC 5).

238.-Representa, portanto, o período conclusivo do processo de discernimento vocacional, do qual participam, solidariamente, Formandos e Formadores, buscando, num diálogo freqüente e progressivo, à luz da fé, reconhecer a autenticidade da vocação[63].

239.-É escola do Evangelho, tendo como referencial o próprio Jesus e o grupo dos Apóstolos[64]. As experiências de vida comunitária e de iniciação apostólica preparam o futuro Missionário para viver em comunidade para a missão, habilitando-o para o relacionamento servidor e fraterno com os irmãos e a comunidade dos Pobres[65].

240.-A prática educativa rica e complexa do Seminário procura integrar, equilibrada e organicamente:

a)Vida comunitária e fraterna, na pobreza evangélica.

b)Desenvolvimento da maturidade humana e cristã, da responsabilidade pessoal e da obediência religiosa.

c)Vida de oração e compromissos diversos de trabalho, estudo e atividades apostólicas.

d)Preparação para as futuras tarefas pastorais e missionárias e engajamento em responsabilidades imediatas.

e)Formação intelectual e prática pastoral-missionária.

f)Entrega total e sincera à vocação e, ao mesmo tempo, atenção aos sinais da vontade do Senhor[66].

241.Na PBCM, o Seminário Maior abrange o Seminário Interno, o 2º e o 3º ano de Filosofia e a Teologia.

II.DIRETRIZES PRÁTICAS (PARA A FILOSOFIA E A TEOLOGIA)

1.Dimensão Humana

242.Para a formação intelectual, a PBCM fará sempre a opção pelos centros de formação que orientem as matérias de modo que partam da vida e desemboquem na vida, e onde a formação intelectual se encarne na realidade, de modo especial na realidade do mundo dos Pobres. Que se procure evitar que o Formando, especialmente o que tem suas origens nos meios populares, esqueça ou aja como se desconhecesse suas origens familiar e social. O saber deve estar a serviço da missão e dos Pobres.

243.A formação intelectual não consiste apenas na aquisição passiva de conhecimentos. Deve capacitar os Formandos para a reflexão, ir à raiz dos problemas que desafiam a imaginação criadora, não se contentando com respostas medianas ou slogans. Isto exige tempo para refletir sem pressa, para amadurecer com paciência, avaliar com objetividade, em discernimento e fraternidade, e projetar-se para o futuro com valentia, ousadia e renovada esperança. A preparação intelectual é uma resposta de lealdade e responsabilidade para com o povo, em especial para com os Pobres.

244.É imprescindível um ambiente de silêncio funcional e compromisso sério com o tempo diário destinado aos estudos, fora dos horários curriculares.

245.Reservar, no planejamento anual, espaço para algum seminário ou estudo relacionado com as dimensões da formação ou de interesse para a complementação dos estudos curriculares.

246.Dedicar-se, com mais empenho, a alguma matéria do curso, pela qual venha a optar, tendo em vista um melhor desempenho futuro em favor dos Pobres.

2.Dimensão Comunitária

247.No início de cada ano ou semestre, a Comunidade se reunirá para elaborar o projeto comunitário, onde constarão a organização da vida e o calendário para o ano ou semestre em curso.

248.A organização da vida e a previsão das atividades se farão à luz do seguinte eixo de referência: integração harmoniosa de todas as dimensões da formação contidas nestas Diretrizes Básicas para a Formação, salvos os destaques estabelecidos para cada etapa.

249.O projeto comunitário reservará, em cada semana, um tempo adequado para tratar de algum tema relacionado à nossa vida comunitária, à formação ou à espiritualidade. Os assuntos deverão ser apresentados pela Equipe de Formação com a colaboração dos Formandos.

250.O projeto deverá concretizar algumas atividades adequadas ao fomento e aprofundamento dos laços comunitários e do estilo de vida próprio de amigos que se querem bem (RC VIII, 2) e se respeitam no Senhor, como as festividades de aniversário e outras comemorações, as confraternizações e partilhas, os passeios e momentos comunitários de lazer.

251.As saídas, mesmo pequenas e ordinárias, da casa de formação, devem ser comunicadas à Comunidade. Para outras ausências ou viagens, torna-se necessário, além disto, o entendimento com o Formador responsável.

3.Dimensão Espiritual

252.Todos deverão se empenhar no sentido de que a oração e a meditação diárias, a Liturgia das Horas, o retiro espiritual, a celebração assídua da Eucaristia e do sacramento da Reconciliação, a revisão de vida, a orientação espiritual e outros exercícios se tornem, com a graça de Deus, progressivamente, uma necessidade interior de fé e sólida convicção.

253.Atenção ao princípio da progressividade nas várias etapas da formação de modo a não cobrar do Formando aquilo para o qual ainda não recebeu a devida orientação e também para que não ocorra um retrocesso na qualidade e na freqüência dos exercícios quando comparados com a etapa anterior.

4.Dimensão Apostólica

254.O projeto comunitário deverá prever encontros de estudos extraclasses sobre a natureza, o sentido, o conteúdo e a metodologia da Pastoral em geral, e da missão vicentina, em especial, a fim de capacitar os Formandos para as atividades apostólicas em fidelidade à Vocação e Missão da Congregação.

255.Todo Formando deverá inserir-se em alguma Comunidade, Missão-Paróquia ou Pastoral Específica, e nela assumir uma atividade pastoral determinada, na linha da evangelização direta ou do compromisso evangélico com a causa dos Pobres.

256.De modo ordinário, a atividade apostólica e missionária deverá desenvolver-se nos finais de semana. Casos extraordinários serão discutidos com a comunidade Formadora.

257.Os Formandos deverão dedicar o mês de janeiro às Santas Missões em comunhão com outros ramos da Família Vicentina, em local previamente determinado, depois de cuidadosa preparação.

258.Os Formandos deverão prestar auxílio a alguma paróquia ou obras carentes de agentes de pastoral no período da Semana Santa.

259.Os Formandos serão orientados e estimulados a participar das atividades organizadas pelos Movimentos Populares e por outras entidades que trabalham com a mesma finalidade da Congregação da Missão. Para que isso ocorra favoreça-se a participação dos Formandos, sem prejuízo do conteúdo formativo e das atividades comunitárias já planejadas.

4.Dimensão Vicentina

260.Em atenção à especificidade missionária do carisma vicentino, deverão constar no Planejamento Comunitário atividades com o objetivo de aprofundar o conhecimento da vida de São Vicente de Paulo e de sua herança, da Congregação da Missão e da Família Vicentina. Que os estudos sejam encaminhados, também, no sentido de se manter atualizada a identidade da Companhia, em resposta aos clamores que partem dos Pobres em suas mais diversas e novas situações.

a)Que os Formandos na etapa da Filosofia sejam estimulados para a leitura, o estudo e a reflexão de textos mais profundos sobre a vida de São Vicente de Paulo, dos Santos e Bem-aventurados da Família Vicentina e sobre os diversos ramos da Família Vicentina. Os frutos das leituras, estudos e reflexões sejam apresentados para o enriquecimento de todos os membros da Comunidade em reuniões comunitárias, semanas vicentinas e momentos específicos que deverão ser agendados no Planejamento Comunitário, pelo menos uma vez por semestre.

b)Que se promovam na etapa da Teologia, o estudo e a reflexão a partir dos textos das Correspondências e Conferências de São Vicente de Paulo, utilizando-se adequado método hermenêutico.

c)Que os Formandos da etapa da Teologia sejam estimulados a escrever textos atuais sobre o carisma, a vocação, a missão e espiritualidade vicentina, para a publicação no Informativo São Vicente e em outros periódicos da Família Vicentina.

III.ETAPAS DO SEMINÁRIO MAIOR

1 – FILOSOFIA

A.Natureza e finalidade

261.A Filosofia é a etapa da formação em que o Formando aprofunda e amadurece sua opção pela vida missionária e presbiteral na Congregação. Prepara o candidato para o ingresso no Seminário Interno na condição de membro admitido da CM.

262.O currículo filosófico tem por objetivo ajudar o Formando a se situar, como pessoa, em face de si mesmo, do mundo, dos outros e de Deus, ajudar os Formandos a desenvolverem uma consciência reflexiva da relação constitutiva existente entre o espírito humano e a verdade que se revela plena em Jesus Cristo[67], ministrar-lhes eixos de referência sólidos para o pensamento, no sentido de orientá-los diante das diversas correntes filosóficas e ideológicas[68] e prepará-los para assimilarem corretamente a Teologia, na linha da inspiração libertadora.

263.Esta etapa deve ajudar os Formandos:

a)A aprofundar e amadurecer, à luz do horizonte aberto pelos estudos filosóficos, o chamado de Deus à vocação missionária na Congregação da Missão, dentro de uma sólida vivência do mistério de Cristo.

b)A situar-se de forma equilibrada e madura, diante de si como pessoa, do mundo, dos outros e de Deus, mediante uma consciência reflexiva da relação existente entre o espírito humano e a verdade que se revela plena em Jesus Cristo.

c)A criar hábitos de reflexão e autodisciplina. Reflexão séria e sistemática que sustente um conhecimento teórico e vital do homem e do mundo em que vivemos e que, à luz do Evangelho, possa projetar-se sobre as situações concretas que nos interpelam sem cessar.

d)A educar-se para uma mentalidade aberta e, ao mesmo tempo, crítica com respeito aos múltiplos influxos do mundo moderno: científicos, culturais, econômicos, ideológicos, e a capacitar-se para discerni-los.

e)A capacitar-se, mediante a assimilação pessoal, própria e bem fundamentada dos problemas filosóficos, sociais, etc., para a confrontação e o diálogo com o mundo moderno, com a problemática fé-cultura, com “as causas da desigualdade da distribuição dos bens no mundo, para desempenhar melhor o múnus profético de evangelizar” (CC 12,2ª).

f)A realizar com fidelidade, zelo, gosto e criatividade as atividades apostólicas.

B.Requisitos para a admissão

264.Ter opção clara pela vida missionária vicentina presbiteral e consciência do chamado de Deus para um ministério específico na Igreja.

265.Encontrar-se num processo normal de amadurecimento humano e numa séria experiência de fé no seguimento de Jesus Cristo.

266.Manifestar espírito apostólico[69], demonstrando-o na participação e no compromisso em alguma comunidade cristã.

267.Apresentar as qualidades humanas e espirituais indispensáveis[70].

268.Ter concluído o Ensino Médio e o Propedêutico, segundo as normas da PBCM (NNPP, 36).

269.Ter resolvido problemas familiares graves, com incidência na opção.

270.Apresentar dos seguintes documentos: carta de apresentação dos Formadores do Propedêutico acompanhada dos documentos apresentados no art. 200 destas Diretrizes.

271.Casos particulares ficarão reservados ao Visitador e ao seu Conselho, ouvidos sempre os Formadores e a Equipe Provincial de Pastoral Vocacional.

C.Direitos e Deveres do Formando de Filosofia

272.a) Direito à orientação e acompanhamento adequados, no sentido de capacitar o Formando para sua futura missão.

b)Dever de se abrir, com honestidade e coerência, à proposta de formação destas Diretrizes, no esforço sincero e lúcido de interiorizar e assimilar seus princípios.

c)Direito à sustentação conveniente a um jovem trabalhador: alimentação, moradia, estudos, roupas, viagens, saúde e lazer com sobriedade.

d)Dever de se aplicar, com afinco, a um bom aproveitamento nos estudos, não só por mística, mas por justiça e coerência pessoal.

e)Dever de participar dos diversos trabalhos alternativos na Comunidade, compatíveis com as exigências dos estudos.

f)Direito de exercer sua participação, como sujeito ativo e primeiro responsável por sua própria formação.

g)Dever de zelar pelos bens da Comunidade, como patrimônio dos Pobres com os quais vão se comprometer por toda a vida.

D.Normas e pistas de ação

273.-Estas Diretrizes sejam lidas integralmente no primeiro ano de filosofia. Nos outros anos, faça-se leitura selecionada.

274.-Deve-se dar destaque, nesta etapa, à formação comunitária e ao aprofundamento da dimensão humana e cristã, iniciada no Propedêutico.

275.-Durante o primeiro ano de filosofia (2º ano Propedêutico), as atividades de vicentinismo se concentrarão no aprofundamento da vida de São Vicente, eventualmente em algum aspecto de seus ensinamentos.

276.-Os Formandos do segundo e terceiro ano continuarão o aprofundamento da vida do Santo fundador, através de estudos pessoais, retiros, conferências e seminários, no intuito de ver como São Vicente respondeu aos desafios do Espírito e como o Espírito nos desafia hoje para novas respostas.

277.-Apresentarão o resultado de seus estudos na época definida no projeto comunitário.

278.-Cultivar-se-á, com muito apreço, nosso costume de vicentinismo em gotas, em horário a combinar, versando sobre textos escolhidos e cartas do Santo fundador.

2 – SEMINÁRIO INTERNO

A.Natureza e finalidade

279.A PBCM considera o Seminário Interno o coração da formação vicentina, o tempo em que o candidato amadurece sua opção fundamental de se consagrar a Deus na Congregação. Seu objetivo geral é o aprofundamento da formação vicentina iniciada no Propedêutico. É o núcleo dessa iniciação. É um momento muito especial para que os seminaristas:

a.Conheçam e interiorizem mais a vocação da CM.

b.Façam uma experiência mais profunda de intimidade com o Senhor, que os leve a renunciarem a si mesmos, para se revestirem do espírito de Cristo, e a descobrirem-no melhor como o centro de nossa vida e Regra da Missão (CC 5)[71].

c.Procurem, com o auxílio dos Formadores, melhor discernimento do apelo de Deus para seguir a Cristo evangelizador dos Pobres na Congregação (RC I, 3; CC 5, 77)[72]. Por não ser a primeira iniciação, o Seminário Interno, situando-se depois do Propedêutico e do primeiro ano de Filosofia, supõe maior maturidade.

280.O Seminário Interno é o momento apropriado para aprofundar o conhecimento do carisma, da história, da missão e da espiritualidade vicentina. Não se trata de adquirir simplesmente um conhecimento teórico, mas de confrontar a história e a espiritualidade da Congregação da Missão com a própria vocação, para adquirir o “sensus Congregationis” e uma adesão afetiva que ajude o Formando a experimentar um forte senso de pertença.

281.Um candidato é admitido na Congregação, quando, a seu pedido, é recebido para o período de prova no Seminário Interno (CC 53, §1). O Seminário Interno se inicia, quando os seminaristas são declarados recebidos pelo Diretor ou por seu substituto legal (cf. EE 20, §1; NNPP, 34). Para os candidatos ao Presbiterato isto se dá após o primeiro ano de Filosofia (cf. NNPP 34, §1). Para os candidatos a Irmão isto se dá após o Propedêutico (cf. NNPP 34, §2). Os casos de exceção serão tratados pelo Visitador, de acordo com o nº 44 dos Estatutos da Congregação (cf. NNPP 34, §3). O Seminário Interno durará 12 meses, sendo 11 contínuos[73].

B.Requisitos para a admissão

282.-Ter concluído, de maneira considerada satisfatória pelos Formadores, a etapa anterior ao Seminário Interno.

283.-Redigir uma declaração (cf. NNPP 40, §1) (manuscrita) endereçada ao Visitador e aguardar resposta, de acordo com as NNPP.

284.-O Formador responsável pela orientação do candidato deverá enviar toda a documentação necessária, bem como o parecer da equipe de Formadores a respeito do candidato.

C.Direitos e deveres do admitido

285.-Ao ser recebido no Seminário Interno, o seminarista passa a ser membro admitido da CM (cf. CC 53, §1), gozando dos direitos, privilégios e graças espirituais, concedidos à Congregação, dentro das normas do Direito universal e assumindo as obrigações determinadas pelo Direito próprio e universal (cf. CC 59, §1). Os coirmãos apenas admitidos na Congregação possuem os direitos e obrigações que constam nas Constituições, nos Estatutos e nas Normas Provinciais (CC 59, §2).

286.-Na PBCM, terão direito à manutenção financeira completa: alimentação, moradia, estudos, roupas, viagens, saúde e previdência, na base de um piso salarial de contribuição (CC 59, §2; NNPP, 41). Os direitos e obrigações referentes à prática da pobreza devem ser, após discussão nas respectivas comunidades, determinados pela Comissão de Formação e aprovados pelo Visitador e seu Conselho (NNPP, 42). Por outro lado, terão o dever de assumir a vida na Congregação em relação à prática dos votos, às orientações da vida comunitária e apostólica, prestando obediência ativa e responsável às Constituições e Estatutos, às Normas Provinciais e às outras normas em vigor na Congregação.

287.-No final do Seminário Interno, o Coirmão mostrará sua vontade de dedicar-se, por toda a vida, à evangelização dos Pobres, na Congregação, de acordo com as CC e EE, fazendo o Bom Propósito, que deverá ser renovado, anualmente, até a emissão dos Votos (NNPP, 39).

a)Para emiti-lo, o Coirmão deverá dirigir ao Visitador um pedido, por escrito, e aguardar a resposta do mesmo.

b)O Bom Propósito será precedido de um retiro espiritual.

c)Será emitido, segundo o costume da Congregação, diante do Superior, de acordo com uma das fórmulas aprovadas (cf. CC 54, §2 e §3; EE 21).

D.Normas e pistas de ação

288.O objetivo do Seminário Interno concretiza-se em normas e pistas de ação, de acordo com as cinco dimensões da formação. A ordem delas é ditada pela finalidade do Seminário Interno; por isto, começamos pela formação vicentina, que dá às outras dimensões a tonalidade fundamental.

1. Dimensão Vicentina

289.-O Seminário Interno funcionará, sempre que possível, inserido numa comunidade apostólica de trabalho vicentino.

290.-Promovam-se pesquisas, a partir dos escritos de São Vicente, para conhecer o seu pensamento a respeito da oração, do serviço missionário aos Pobres, da formação do clero, dos votos na Congregação, das cinco virtudes, confrontando as intuições do nosso fundador com o atual magistério da Igreja.

291.-Estudar-se-ão, também, a história da Congregação no Brasil e no mundo, bem como seus principais modelos de santidade e a história das Filhas da Caridade.

292.-Lugar especial ocuparão o estudo das CC e EE, o das NNPP e o das RC. Nas CC e EE, se dará atenção especial aos capítulos que se referem à vocação, à atividade apostólica, à vida comunitária, à castidade, à pobreza, à obediência e à oração.

293.-Promovam-se, oportunamente, um trabalho planejado em obras ou atividades vicentinas significativas para hoje, participação em palestras e semanas vicentinas e maior contato com a Família Vicentina.

2. Dimensão Espiritual

294.-Estudar temas de espiritualidade: a Reconciliação e a Eucaristia na vida da Igreja; a vocação universal à santidade na Lumen Gentium, as raízes da espiritualidade cristã libertadora na América Latina; a iniciação litúrgica e bíblica; alguns aspectos da Cristologia e da Mariologia; a história da Vida Religiosa e o capítulo sobre os religiosos, na Lumen Gentium, complementando tudo isso com o Código de Direito Canônico no tocante aos Institutos de Vida Consagrada e às Sociedades de Vida Apostólica.

295.-O Formando procurará tornar-se homem de oração, procurando a vontade de Deus e mostrando-se disponível e apto para o trabalho missionário através das seguintes atitudes ou atividades:

a)Abertura à proposta da participação diária na Eucaristia. Essa participação se fará de modo criativo e encarnado[74].

b)Oração diária, em particular e em comum (CC 47, 1º), incluindo a recitação de alguma hora litúrgica (CC 45, 3º; NNPP, 15).

c)Os atos de piedade tradicionais na Congregação, conforme o projeto comunitário, principalmente a leitura da Sagrada Escritura e sobretudo do Novo Testamento, o culto da Ss. Eucaristia, a meditação em comum, o exame de consciência, a leitura espiritual, o retiro anual, bem como a prática da direção espiritual (EE 19).

d)Tempos fortes de experiência espiritual, como dias de recolhimento, vigílias de oração, etc.

e)O amor e a confiança para com Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, dedicando-lhe espaços na vida de oração, em comum e em particular (CC 49, 1-2). Renovar nossa piedade para com ela, inspirando-nos na tradição vicentina.

f)As festas vicentinas, celebradas com amor e criatividade.

3. Dimensão Apostólica

296.-Elaborar planejamento das atividades pastorais a serem desenvolvidas durante o ano.

297.-Rezar e partilhar o trabalho pastoral nas orações comunitárias e nas revisões freqüentes.

298.-Estudar os subsídios da Campanha da Fraternidade.

299.-Ler revistas e boletins alternativos de formação, assim como revistas missionárias.

300.-Sempre que possível, consagrar, cada ano, um mês a um estágio pastoral, em comum, numa obra da Província, marcadamente vicentina.

301.-Participar, no último mês, das Santas Missões Populares Vicentinas.

4. Dimensão Comunitária

302.Além dos meios comuns a todas as etapas de formação, durante o Seminário Interno, será oportuno aprimorar-se nos seguintes aspectos:

303.-Observação de algumas normas que possam garantir o melhor funcionamento da casa, num ambiente favorável à interiorização, ao melhor aproveitamento do tempo, ao crescimento na responsabilidade, na fraternidade e no uso da liberdade.

304.-O projeto comunitário, feito no início do Seminário Interno, suporá um núcleo estrutural de tempo bem determinado, em todo o período da manhã, em que todos os seminaristas, em comum ou em particular, se dedicarão às atividades específicas do Seminário Interno. Esse Projeto deverá ser aprovado pelo Visitador e seu Conselho e poderá ser revisto mensalmente (cf. CC 27; EE 16; NNPP, 23).

305.-Além do projeto comunitário, cada seminarista fará ainda seu planejamento pessoal, que deve ser discutido com o Diretor e por ele aprovado. Nele serão incluídas as atividades não previstas no projeto comunitário. Seu objetivo é organizar bem a vida. Deverá prever espaços para os exercícios de piedade não realizados em comum, leituras, lazer individual, alguma atividade pastoral, de tal modo que por ele se evite a dispersão e se respeite a sujeição à lei comum do trabalho.

306.-Tanto o projeto comunitário como o pessoal respeitarão o calendário do Seminário Interno, que supõe seis dias de trabalho por semana e um dia de descanso, com espaço de lazer comunitário. O domingo, dedicado à pastoral, considera-se dia de atividade.

307.-Organizar trabalhos em grupos, mesmo nos estudos, para se exercitar o senso comunitário.

308.-Assumir uma participação maior nos serviços mais simples, como limpeza da casa, trabalho na horta, no jardim e na cozinha, e a realização de algumas funções, como cronista, compras, pagamentos, relações sociais, etc.

309.-Participar de tempos de descanso e lazer comunitário: recreios, jogos, esportes, passeios.

310.-Respeitar a oração, o trabalho e o sono dos outros, cultivando um clima de silêncio.

311.-Alimentar o interesse pelas outras comunidades da Província e pelas outras Províncias, para desenvolver a compreensão da universalidade da CM e da Família Vicentina.

5. Dimensão Humana

312.O Seminário Interno constitui um momento privilegiado para dar continuidade ao trabalho desenvolvido na etapa anterior, nesta dimensão. Ajudar o Formando na reflexão e aquisição do conhecimento do seu próprio ser, sem o qual será impossível construir sua vida, e na aquisição dos elementos que o capacitem a dispor de si mesmo, em liberdade e consciência, e a abraçar a vida consagrada vicentina.

313.Entre os diversos meios que contribuem para o amadurecimento pessoal, destacamos os seguintes:

314.-O acompanhamento constante e atento de cada Formando por parte do Diretor nos trabalhos de reflexão é particularmente importante para avaliar o aproveitamento dos conteúdos. Esta etapa da formação exige um Diretor completamente liberado para sua função. Não lhe seja atribuída outra atividade ou responsabilidade que possa vir a prejudicar seu primeiro ministério.

315.-Participação em cursos de atualização promovidos para religiosos, sobretudo o Novinter.

3 – TEOLOGIA

A.Natureza e finalidade

316.A Teologia é a última etapa da formação inicial, base principal da formação intelectual do futuro presbítero[75], e a preparação direta e imediata para a missão evangelizadora. É uma etapa integrada dentro de todo o processo de formação.

317.Os Formandos, nesta etapa, estarão atentos ao objetivo proposto pelo Vaticano II de haurir acuradamente da Revelação divina a doutrina católica, nela penetrar profundamente e torná-la alimento da própria vida espiritual, para anunciá-la e expô-la no ministério sacerdotal.[76]

318.Lembrados de que a verdadeira Teologia provém da fé e quer conduzir à fé[77] e de que a Sagrada Escritura é a alma de toda a Teologia,[78] nossos Formandos teólogos são convidados e desafiados, nesta etapa de modo especial, ao aprofundamento maior da própria fé e ao cultivo amoroso da Palavra de Deus, que hão de freqüentar e meditar com maior assiduidade, orientados pela Tradição viva e pelo Magistério da Igreja.

319.Os estudos teológicos, além disso, devem levar o futuro presbítero, segundo nossos pastores do Brasil, a perceber claramente as conseqüências da Revelação divina para a missão da Igreja e o compromisso dos cristãos pela transformação da sociedade[79].

320.Pelo mesmo motivo, a Teologia deverá despertar-nos, dentro da articulação fé e vida, Palavra e ação pastoral, para o engajamento e o compromisso com o projeto evangélico de libertação dos Pobres.

321.Pela idade mesma em que acontece, dentro do processo evolutivo do homem, a etapa da Teologia coincide com o momento da maturidade definitiva do Formando. Mesmo que ainda não tenha emitido os Votos, o Formando deve assumir e explicitar a vivência do estilo de vida vicentina. Todos os aspectos de sua vida (humano-cristã, espiritual, comunitária, apostólica, vicentina) devem ser iluminados pelo fim da Congregação da Missão: Seguir Cristo evangelizador dos Pobres (CC 1).

322.Deve-se favorecer estruturalmente que nesta etapa encontrem sua integração definitiva as dimensões presentes em todo o processo de formação: estudos, maturidade humano-afetiva e espiritual, inserção apostólica, vida comunitária e trabalho em equipe, como linhas inseparáveis entre si e que se influem fortemente.

323.Com especial interesse se deve sublinhar que a vida espiritual não está desligada da dedicação aos estudos. Por conseguinte, a teologia não pode estudar-se independente dos processos interiores da pessoa. Toda a pessoa, em sua relação com Deus e com o mundo, deve estar presente nesta relação.

B.Requisitos para a admissão

324.O Formando só passará à última etapa da formação, a Teologia, após terminar o curso de Filosofia, concluir o Seminário Interno e ter feito uma opção clara e sincera pelo presbiterato na Congregação da Missão.

C.Direitos e deveres do Formando de Teologia

325.-Para os admitidos, são os direitos e deveres das etapas anteriores.

326.-Para os incorporados, ater-se ao que estabelecem as CC, EE e NNPP.

D.Normas e pistas de ação

327.-Participar, durante os três primeiros anos de Teologia, de um curso básico de administração, tendo em vista que, hoje, todo Missionário é desafiado a administrar obras, trabalhos e frentes missionárias.

328.-Participar de algum curso de introdução ao direito, em especial das áreas mais diretamente associadas com o cotidiano da PBCM, tais como, direito trabalhista, legislação da Assistência Social e outras. É de fundamental importância que se organize no primeiro ou segundo ano da etapa da Teologia um curso sobre os Estatutos Sociais da PBCM.

329.-Empenhar-se numa reflexão profunda sobre os votos, especialmente o voto de serviço aos Pobres, por ocasião da emissão dos votos de algum membro da comunidade.

330.-Colaborar e assessorar Ramos e atividades da Família Vicentina.

331.-Realizar estágio pastoral no 4º ano de Teologia em uma de nossas obras.

332.-Quanto à Dimensão Vicentina:

a)Estudar, com especial empenho, os textos de São Vicente, aplicando-lhes uma adequada hermenêutica.

b)Pesquisar e refletir sobre a atualização do carisma vicentino.

E.Admissão aos Votos e Ordenação

1. Votos

333.Ao terminar o 2º ano de Teologia, o Formando poderá pedir ao Visitador para emitir os votos. Para isso, serão observados os seguintes critérios:

a)O candidato deve estar bem consciente e de acordo com o que dizem o CIC can. 573-746 ; CC & EE da CM; NNPP; Instrução sobre os Votos na CM e a RF, 215.

b)Tenha o candidato feito opção clara e definida pela vida consagrada na CM.

c)Tenha espírito e atitude de oração (celebração eucarística, escuta da Palavra de Deus, leitura espiritual, meditação, oração pessoal, silêncio interior).

d)Tenha, como motivação fundamental de seu ingresso na CM, a fé e o seguimento de Jesus Cristo no carisma vicentino.

e)O pedido deve ser encaminhado por escrito ao Visitador e seu Conselho, após o devido discernimento pessoal, realizado com a colaboração dos Formadores, do Orientador Espiritual e dos Coirmãos da própria comunidade.

f)O Visitador e seu Conselho, dentro de um prazo máximo de três meses, responderá ao pedido, após as devidas consultas.

g)A emissão dos votos seja precedida por uma séria preparação imediata; seja feito um retiro de pelo menos dois dias e um estudo aprofundado da teologia dos votos e da “Instrução sobre os Votos na CM”.

h)A emissão dos votos, feita na presença do Visitador ou de um coirmão por ele designado e tradicionalmente durante a missa, seja realizada dentro do espírito vicentino de simplicidade, evitando grandes festividades que contrariam a natureza de nossos votos.

2.Ministérios de Leitor e Acólito

334.O pedido para receber os ministérios de Leitor e Acólito em vista do sacramento da ordem somente poderá ser encaminhado depois da emissão dos votos e de acordo com os seguintes critérios:

a)Os que pedem o Leitorato e o Acolitato devem estar bem conscientes e de acordo como que diz o CIC 1035; Motu Proprio Ad pascendum; Moto Próprio Ministeria quaedam.

b)O pedido deve ser encaminhado por escrito ao Visitador e seu Conselho para aprovação.

c)A recepção do Leitorato e Acolitato seja realizada no interior da própria Comunidade e precedida por uma devida preparação.

3.Ordenação

335.Ao iniciar o 4º ano de Teologia, o candidato poderá receber o Diaconato.

a)Os que pedem o Diaconato e o Presbiterato devem estar bem conscientes e de acordo com o que diz o CIC 1008-1054; CC da CM 87-90; RF, 216.

b)O pedido para recepção dos sacramentos deverá ser encaminhado por escrito ao Visitador e seu Conselho, após o devido discernimento pessoal, realizado com a colaboração dos Formadores, do Orientador Espiritual e dos Coirmãos da própria Comunidade.

c)Há necessidade de um prazo mínimo de 6 meses entre a recepção do leitorato-acolitato e a ordenação diaconal.

d)O pedido para a ordenação presbiteral deverá ser encaminhado após um período de pelo menos cinco meses de estágio diaconal.

e)O Visitador e seu Conselho, dentro de um prazo máximo de 3 meses, responderá aos pedidos para o diaconato e presbiterato, após as devidas consultas.

f)O presbiterato poderá ser concedido ao terminar o curso de Teologia, com o cumprimento de todas as exigências acadêmicas, inclusive a síntese teológica ou o exame “De Universa”.

g)Que o candidato tenha apresentado capacidade de planejamento, execução e avaliação da ação pastoral.

h)Os preparativos para a ordenação (local, bispo, data, liturgia, etc.) devem ser feitos em comum acordo com o Visitador e seu Conselho, com o Bispo ordenante, com os Formadores e com os responsáveis do local onde se dará a celebração. Somente após a aprovação do pedido pelo Visitador com o consentimento do seu Conselho os preparativos deverão ser encaminhados.

i)Seja feito e apresentado um orçamento detalhado para as despesas da ordenação, que deverá ser aprovado pelo Visitador e seu Conselho. A celebração seja encaminhada dentro do espírito de simplicidade e pobreza, evitando programações e festividades excessivas.

j)Haja empenho na preparação imediata, sobretudo realizando o retiro prescrito de ao menos 5 dias tanto para a ordenação diaconal quanto para a ordenação presbiteral.

k)Havendo mais de um candidato ao diaconato deverá ser realizada apenas uma celebração em que todos sejam ordenados.

CAPÍTULO VI

FORMAÇÃO DOS IRMÃOS

I.CONSIDERAÇÕES GERAIS

336.Nossa formação, feita como um processo contínuo, tem o objetivo de tornar os Coirmãos animados do espírito de São Vicente, idôneos para realizar a missão da Congregação. Portanto, aprendam, cada dia mais profundamente, que Jesus Cristo é o centro da nossa vida e a regra da Congregação (CC 7, §1-2).

337.Assim como toda a nossa vida, o período de formação seja de tal modo organizado que a caridade de Cristo nos estimule cada dia mais a atingir o fim da Congregação. Este fim, os Coirmãos o realizam, como discípulos do Senhor, na abnegação de si mesmos e na contínua conversão a Cristo (CC 78, §1).

338.Constando de clérigos e de leigos, para conseguir, sob o influxo da divina graça, o fim que se propôs, a Congregação da Missão procura encher-se dos sentimentos e afetos e mesmo do próprio espírito de Cristo, que aparece com o máximo de brilho nos conselhos evangélicos, conforme se explica nas Regras Comuns (CC 4).

339.Em consonância com o desejo da Assembléia de 1986, o primeiro passo que a Congregação deve dar é aprofundar a vocação dos Irmãos da Congregação da Missão. A vocação dos Irmãos tem de ser vista em si mesma, como um dom de Deus[80], com conteúdo próprio, como radicalização da vocação cristã (IpM, 8).

340.O carisma vicentino tem sua índole própria, seu próprio modo de conseguir a santidade e de fazer apostolado[81]. As características do carisma vicentino definem a condição cristã fundamental do Irmão, de tal modo que não é um simples cristão leigo nem sequer um simples cristão consagrado pela profissão dos Conselhos Evangélicos (IpM, 9).

341.Estas afirmações não são puramente teóricas. Exigem, como o Magistério da Igreja manifestou em diversas ocasiões[82], que se preste especial atenção ao que é próprio de cada vocação e de cada carisma, para não privar a Igreja das incomensuráveis riquezas que o Espírito lhe concede, mediante a variedade dos seus dons (IpM, 10).

II.IDENTIDADE DOS IRMÃOS

342.O Irmão da Congregação da Missão é um cristão que, fiel ao seu batismo e em resposta ao chamado de Deus, se consagra, sem perder a sua condição laical, ao serviço dos Pobres na Congregação da Missão pelo voto de Estabilidade, assumindo os Conselhos Evangélicos em vista da liberdade para a missão seguindo Cristo pobre, casto e obediente (cf. IpM, 11). O ‘ser’ do Irmão da Congregação da Missão é o ponto de partida do seu ‘fazer’, da sua tarefa (IpM, 13). Como se pode perceber, o Irmão na Congregação da Missão possui uma identidade que lhe é própria, a ser devidamente respeitada e valorizada. É preciso aceitar com toda a normalidade na comunidade as diferenças que surgem, necessariamente, na atividade dos Presbíteros e dos Irmãos, entre as exigências da condição laical de uns e da clerical de outros (cf. IpM, 18, §2).

343.O Irmão da Congregação da Missão deve ser:

a)Um homem profundamente evangélico que busque revestir-se dos sentimentos e atitudes de Cristo evangelizador dos Pobres.

b)Um leigo consagrado, convicto do valor da sua vocação vicentina, perfeitamente inserido na vida comunitária, realizando, segundo seus dons, sua capacidade e formação, vários tipos de trabalhos: pastorais, ministeriais, administrativos, educacionais, manuais, etc., com a única condição de que estejam em conformidade com o fim da Congregação e se realizem segundo o espírito da mesma e dentro dos projetos missionários locais ou provinciais (cf. IpM, 19).

III.MISSÃO DOS IRMÃOS

344.A consagração laical a Deus na Congregação da Missão exige dos Irmãos, como também dos clérigos, procurar com todas as forças revestir-se do espírito de Cristo, para adquirir a perfeição correspondente à sua vocação e dedicar-se à evangelização dos Pobres, mediante o ministério próprio dos Irmãos, segundo o teor das Constituições e Estatutos da Congregação da Missão[83].

345.Aplica-se aos Irmãos tudo o que o fim da Congregação estabelece. Mas se deve levar muito em conta um aspecto: é preciso ler tudo o que o fim da Congregação estabelece nas Constituições a partir da laicidade consagrada dos Irmãos. Partindo desta perspectiva, surgirão aspectos dignos de ter em conta, tanto no que se refere à formação, à vida espiritual e á vocação apostólica dos Irmãos, como no que se refere à presença deles na Comunidade (IpM, 16).

346.Do ponto de vista da sua laicidade consagrada, e suposta uma formação adequada, é muito aquilo que os Irmãos podem fazer, sempre a partir de uma opção radical por Cristo evangelizador dos Pobres na Missão Vicentina:

a)Podem assumir os serviços que a Igreja pede a todos os leigos: trabalhar para que a mensagem divina seja conhecida em todo o mundo; dar testemunho de Cristo; catequizar; mover os homens para que glorifiquem a Deus com o bom exemplo; e julgar os problemas à luz de Cristo[84].

b)Podem contribuir para a Missão, prestando os serviços próprios dos ministérios leigos.

c)Podem desempenhar profissões leigas aptas para o trabalho evangelizador da Congregação, quer como complemento do trabalho de seus irmãos, os Padres, quer como ofícios que lhes são diretamente confiados: ecônomo, conselheiro, Formador e outros.

347.As novas perspectivas que se abrem aos Irmãos não tiram o valor aos trabalhos domésticos tradicionais, mediante os quais os Irmãos prestaram ótimos serviços à Missão e deram extraordinários exemplos de humildade e de vida sacrificada. A Congregação nunca poderá agradecer suficientemente aos Irmãos por estes serviços (IpM, 17).

IV.PROMOÇÃO DA VOCAÇÃO DOS IRMÃOS

348.Na promoção da vocação para Irmãos, o Serviço de Animação Vocacional cuide de apresentar a identidade e missão deles de maneira atraente e atualizada, de acordo com o desejo da Assembléia Geral de 1986.Só a partir de uma visão correta e de um autêntico apreço da Vocação dos Irmãos se pode fazer dela uma séria e convincente promoção (IpM, 20).

349.É preciso se lembrar do que disse o Apóstolo Paulo: Deus dá o incremento, mas somos nós que devemos semear e regar (cf. 1 Cor 3, 6-8). Também quando se trata da vocação dos Irmãos é válida a exortação do Senhor: A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos; rogai ao dono da messe que envie operários para a sua messe (Lc 10, 2).

V.METAS PARA A FORMAÇÃO DOS IRMÃOS

350.A formação do Irmão deve orientar-se para que ele se torne um homem:

a)Sensível aos valores humanos que tem, capaz de os desenvolver com humildade e generosidade;

b)Consagrado, decidido a viver segundo o espírito, dado à oração e fiel aos seus compromissos evangélicos, segundo a doutrina e espírito de São Vicente;

c)Missionário, entusiasmado pela vocação, amando a Congregação e fiel à missão apostólica que lhe é confiada;

d)Comunitário, capaz de contribuir com o seu exemplo, colaboração e participação, para o bom andamento da Comunidade (IpM, 24);

e)Profissionalmente qualificado e atualizado conforme suas aptidões pessoais e as necessidades da missão, da Congregação e da Província.

VI.FONTES DA FORMAÇÃO

351.As fontes da formação, isto é, as referências necessárias, onde se devem buscar inspiração e orientação, de onde se devem haurir os princípios norteadores e os critérios fundamentais do processo de formação dos Irmãos, são:

a)A Palavra de Deus

b)Os sinais dos tempos

c)Os Pobres

d)A Tradição da Igreja

e)As Constituições, os Estatutos e a tradição da Companhia

f)As Orientações do Superior Geral, das Assembléias Gerais e da PBCM.

VII.CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE FORMAÇÃO

352.A PBCM, fundamentada na vida e prática de Jesus, à luz das diretrizes da Igreja, e das NNPP, adota a pedagogia da libertação como base do processo de formação.

353.Esta pedagogia, centrada no Formando, primeiro responsável por sua formação, respeita a consciência e a liberdade do jovem. Deverá atender às motivações da opção pelos Pobres e pela vivência dos Conselhos Evangélicos.

354.Dentro desta perspectiva, o processo de formação dos Irmãos da Congregação da Missão na PBCM, terá as seguintes características: existencial e progressivo, feito em diálogo, libertador, sistemático e integral, comunitário, cristocêntrico, comprometido com os Pobres, aos quais devem amar e servir como seus senhores e mestres[85].

355.A formação deverá contemplar o aspecto ou conteúdo doutrinal próprio e a habilitação e as competência práticas, de acordo com os dons pessoais, tudo em ordem à vivência pessoal de fé e à disponibilidade missionária. Durante o tempo da formação inicial, não se confiem aos membros encargos e atividades que venham impedi-la.

356.A formação específica dos Irmãos, cultural e técnica, seja feita em cursos e currículos legais, de modo a adquirirem títulos ou diplomas válidos (EE, 48).

VIII.DIMENSÕES DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DOS IRMÃOS

357.O processo de formação dos Irmãos deve levar em consideração as cinco dimensões que se articulam progressivamente, com o objetivo da formação integral em vista do compromisso de viver e realizar a Vocação e Missão da Congregação da Missão.

358.As cinco dimensões do processo formativo são:

a)Dimensão Humano-Afetiva e Intelectual

b)Dimensão Espiritual

c)Dimensão Comunitária

d)Dimensão Apostólica

e)Dimensão Vicentina

IX.ETAPAS DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DOS IRMÃOS

359.A formação é um processo contínuo, dinâmico, progressivo, gradual e integral de amadurecimento e desenvolvimento pessoal e comunitário. Em todas as etapas do processo formativo, a referência às cinco dimensões do processo será constante, com atenção à profundidade do conteúdo e à metodologia do acompanhamento.

360.As etapas do processo de formação dos Irmãos da Congregação da Missão na PBCM serão as seguintes:

1.Propedêutico

2.Seminário Interno

3.Juniorato

361.Após o Juniorato, em diálogo com os superiores, fica aberta ao Coirmão a possibilidade de qualificação específica em favor da missão.

1 – PROPEDÊUTICO

362.A etapa do Propedêutico, constituída por três anos, é uma experiência inicial de formação na PBCM para o candidato à Irmão que busca responder ao chamado de Deus, consagrando sua vida na CM para o seguimento de Jesus Cristo, evangelizador dos Pobres.

363.O candidato a Irmão na PBCM, após o acompanhamento feito pelo Serviço de Animação Vocacional Vicentina da Província (SAVV), deverá fazer a experiência de inserção em uma obra missionária pelo período de um ano a fim de conhecer o espírito da Congregação e da Província e de dar-se a conhecer. Nos dois anos seguintes deverá residir em uma obra onde possa fazer o curso de teologia pastoral, além de se aplicar às atividades propostas para as várias dimensões do processo de formação nesta etapa.

364.Casos especiais que exijam acompanhamento e formação diferenciados em qualquer etapa do processo de formação serão estudados pela Comissão de Formação que apresentará propostas para análise e aprovação do Visitador com seu Conselho.

365.Antes de ser admitido ao Seminário Interno todo candidato deverá passar pela etapa do Propedêutico.

366.Objetivos

a)Discernir melhor o apelo de Deus.

b)Aprimorar a formação humana e espiritual.

c)Fazer uma experiência mais profunda de Cristo.

d)Iniciar-se na vida comunitária.

e)Conhecer e interiorizar a vocação da Congregação na teoria e na prática.

f)Cursar teologia pastoral.

367.Requisitos para a admissão

a)Que o candidato já tenha terminado o Ensino Médio. Casos especiais deverão ser tratados pela Comissão de Formação e aprovados pelo Conselho Provincial.

b)Que o candidato já tenha sido acompanhado pelo Serviço de Animação Vocacional Provincial, durante pelo menos um ano.

c)Que o candidato já tenha expressado seu interesse pela Vida Consagrada.

d)Que se examinem as condições do candidato: aspectos familiares, financeiros, afetivos, psicológicos, de saúde, etc.

e)Que o candidato tenha um prévio conhecimento do carisma vicentino da CM e disposição para aprofundá-lo.

368.Podem pedir para ser Irmãos homens já maduros humana e profissionalmente. A formação de que estes mais necessitarão será provavelmente a espiritual, a doutrinal, a apostólica e a comunitária (IpM, 25).

Dimensões da Formação

A. Dimensão Humano-Afetiva e Intelectual

369.Esta dimensão, juntamente com a dimensão comunitária, deverá ser prioritária nesta etapa da formação, sem desconhecer as demais. É preciso que o candidato tenha adquirido certo nível de maturidade humana e cristã, a fim de que possa assumir, com maior consciência e liberdade, a opção pela Vida Consagrada.

370.Haja nesta etapa um sério esforço de ajudar o candidato a se auto-conhecer e, numa abertura sincera, se promova um estudo criterioso sobre a afetividade e sexualidade e se verifiquem as condições do candidato para a vivência madura e fecunda da castidade consagrada.

371.Aos candidatos favoreça-se um contato regular com a realidade sócio-político-econômico da própria família, visando o desenvolvimento integral.

372.Desde o início do processo de formação é necessário que o candidato seja orientado para estar atento para a realidade da sociedade humana, mas, sobretudo, para as causas da desigualdade da distribuição dos bens no mundo, para desempenhar melhor o múnus profético de evangelizar (cf. CC 12, 2ª). O Formador deverá auxiliar o candidato, através de leituras e exercícios, para o desenvolvimento da consciência crítica diante dos acontecimentos e diante do conteúdo e das versões apresentadas pelos Meios de Comunicação Social.

373.Leituras e estudos de textos de formação humano-afetiva serão indicados pelo Formador.

B. Dimensão Espiritual

374.Levem-se em conta e se estabeleçam no Projeto de acompanhamento do candidato a Irmão:

a)O aprofundamento da doutrina cristã através da leitura e do estudo do catecismo católico.

b)A freqüência das celebrações eucarísticas respeitando a progressividade.

c)Os momentos de oração com o povo.

d)A iniciação aos exercícios espirituais próprios da Congregação: leitura da Sagrada Escritura, em especial do Novo Testamento, dias de retiro, o sacramento da penitência, visitas ao Santíssimo, devoção a Nossa Senhora, exame de consciência.

e)Leitura e estudo de textos de formação espiritual.

375.Tenha-se cuidado com a formação para a oração pessoal e comunitária e com a aquisição das virtudes vicentinas, fundamentais à vida de todo missionário, segundo o espírito de São Vicente de Paulo.

C. Dimensão Comunitária

376.A vida comunitária é característica própria da Congregação e seu modo próprio de viver, desde suas origens e por clara vontade de São Vicente (CC 21, §1). A convivência fraterna, que se alimenta continuamente pela missão, forma a comunidade para buscar o progresso pessoal e comunitário e para tornar mais eficaz o trabalho da evangelização (CC 21, §2). Tenha-se especial atenção às disposições do candidato para a vida comunitária e o trabalho em equipe.

377.Participe nas atividades de elaboração, execução e revisão dos Projetos Comunitários, sociais, pastorais, de acordo com suas capacidades e habilidade. No projeto comunitário estabeleçam-se momentos para a prática da vida fraterna: refeições, reuniões, oração, lazer e trabalho.

378.O trabalho comunitário para manutenção e conservação da casa é elemento de grande importância no processo formativo e fruto da consciência da co-responsabilidade pelo mesmo. Seja este trabalho generosamente aceito e realizado, quer como sinal de solidariedade com os homens do trabalho, quer como colaboração para seu próprio sustento. Colabore nos serviços práticos na casa como controle da dispensa, ajuda nas compras, organização da biblioteca, capela, etc.

379.Que os candidatos sejam estimulados a desenvolver a liderança, a iniciativa, o bom senso e a criatividade através da participação e do trabalho em equipe.

380.Participem nas atividades e momentos comunitários com os demais candidatos a Irmãos e, eventualmente, com outros Coirmãos.

D. Dimensão Apostólica

381.Toda a formação na PBCM deve ser orientada para a missão no meio dos mais pobres. Recomenda-se que o candidato a Irmão mantenha contato regular com uma comunidade cristã de base ou com determinada realidade de pobreza, sem assumir funções de coordenação neste período da formação.

382.Ao se confiar determinado trabalho apostólico ao candidato a Irmão é necessário que se esteja atento à sua situação e capacitação pessoal. O candidato não assumirá funções de coordenação ou assessoria para as quais não esteja devidamente preparado.

383.Seja possibilitada ao candidato a participação em encontros e cursos de formação apostólica e missionária de curta duração.

E. Dimensão Vicentina

384.Nesta etapa da formação, o candidato deverá:

a)Sensibilizar-se para o amor afetivo e efetivo para com os Pobres através de visitas periódicas a idosos, doentes, desempregados, vilas, favelas, etc.

b)Ler uma biografia de São Vicente de Paulo para iniciantes. Por exemplo: “São Vicente de Paulo e a caridade” (do Pe. Luigi Mezzadri).

c)Ser despertado para a solidariedade com os Pobres, em suas organizações e lutas pela libertação e construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

2 – SEMINÁRIO INTERNO

385.As orientações para esta etapa do processo de formação do Irmão na Congregação da Missão são as mesmas explicitadas para o Seminário Interno da Congregação da Missão e para o Seminário Interno Inter-Provincial da CM no Brasil.

3 – JUNIORATO

386.Esta etapa do processo de formação, iniciada com a recepção no Seminário Interno, terá a duração de no mínimo três anos e no máximo nove anos (cf. CC 54, §1) e culminará com a emissão dos Votos.

387.Objetivos:

a)Dar continuidade à iniciação à Vida Consagrada começada no Seminário Interno e aprofundá-la.

b)Suprir as lacunas detectadas em alguma das dimensões do processo de formação nas etapas anteriores.

Dimensões da Formação

 A. Dimensão Humano-Afetiva e Intelectual

388.Nesta etapa do processo de formação é de se esperar que já se tenha convicção da necessária maturidade humano-afetiva do candidato para a vivência responsável, livre e consciente da Vida Consagrada como Missionário Vicentino na Congregação da Missão.

389.Em nossa sociedade onde o povo mais pobre sofre com a ausência de legítimas e confiáveis lideranças são louváveis as iniciativas que visem oferecer ao candidato a Irmão a oportunidade e condições para o desenvolvimento das características do comportamento próprias da liderança exercida com autoridade, entre elas, a paciência, a bondade, a humildade, o respeito, a abnegação, o perdão, a honestidade e o compromisso.

390.Possibilitar-se-á ao candidato, após um ano do Seminário Interno, o ingresso em um curso de formação profissional de acordo com seus dons e habilidades em diálogo com o Superior Provincial, tendo sempre como referência uma melhor capacitação para a prestação de um serviço de qualidade aos mais pobres e às necessidades da Congregação e da Província.

391.Ler e estudar textos de formação humano-afetiva indicados pelos Formadores.

B. Dimensão Espiritual

392.Nesta dimensão, durante o período do Juniorato, o candidato deverá aprofundar a experiência vivenciada durante o Seminário Interno, praticando os exercícios próprios da Congregação da Missão. Neste sentido a Comunidade local, que acolhe o Coirmão admitido, deve se esforçar para prever no Planejamento Comunitário tudo o que as Constituições, Estatutos e Normas Provinciais determinam neste aspecto.

393.Tenha-se especial atenção:

a)À escolha de um Orientador Espiritual que deverá continuar colaborando para o fortalecimento das motivações vocacionais e de uma prática alegre, profunda e fiel dos exercícios espirituais.

b)À maneira como são cultivadas e vivenciadas as virtudes apostólicas vicentinas da simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo.

c)A um estudo especial e aprofundado sobre a Vida Consagrada, a vivência e preparação imediata para a emissão dos Votos. Sugestões de leituras: Vita Consecrata, Instrução sobre os Votos, Viver os Votos em tempos de Pós-Modernidade (José Lisboa de Oliveira).

C. Dimensão Comunitária

394.O candidato a Irmão após o Seminário Interno participa do trabalho e da vida na Comunidade Local com os direitos e deveres assegurados pelas Constituições, Estatutos e Normas Provinciais.

395.Participa nas atividades de elaboração, execução e revisão dos projetos comunitários, sociais, pastorais, de acordo com suas capacidades e habilidades. No projeto comunitário estabeleçam-se os momentos para a prática da vida fraterna: refeições, reuniões, oração, lazer e trabalho.

396.Participa em algumas atividades e momentos comunitários com os demais candidatos a Irmão e, eventualmente, com outros Coirmãos.

397.Leitura, estudo e reflexão de textos sobre a vida comunitária, como por exemplo: Vida fraterna em Comunidade.

D. Dimensão Apostólica

398.O Juniorato é etapa da formação inicial do candidato a Irmão na PBCM. É necessário que as orientações apresentadas para esta dimensão nas etapas anteriores continuem sendo observadas.

399.Será exigido que o candidato que ainda não teve a oportunidade de fazer um curso regular de teologia pastoral, com a duração de pelo menos dois anos, o faça nesta etapa do processo de formação.

400.Será de grande valia que já se confie ao candidato algum tipo de responsabilidade apostólica, missionária e profissional, sob o cuidado, a orientação e o zeloso acompanhamento do Formador e responsável pela obra.

401.Na leitura e estudo de textos de formação pastoral tenha-se especial atenção aos aspectos metodológicos do trabalho com o povo e com os excluídos, bem como do trabalho missionário vicentino.

402.Participar de Missões Populares Vicentinas.

403.Que se valorize e estime o trabalho missionário em pastorais específicas.

E. Dimensão Vicentina

404.O candidato a Irmão após o Seminário Interno deve continuar aprofundando o seu conhecimento teórico e prático da missão e da vida na Congregação da Missão.

405.Nesta etapa da formação o candidato deverá, conforme programação e em diálogo com o Formador:

a)Continuar com as leituras e estudo de textos vicentinos em particular, segundo orientação do Formador.

b)Manter-se informado dos acontecimentos em nível de Congregação e Província através da leitura sistemática, em particular ou em comum, conforme planejamento da comunidade local, do Informativo São Vicente, da Nuntia e Vincentiana, Boletim da CLAPVI, etc.

c)Colaborar e participar de eventos e projetos com os diversos Ramos da Família Vicentina.

d)Participar de projetos e eventos organizados por organismos que tenham como objetivo:

1.Solidarizar-se com os Pobres.

2.Fortalecer as organizações populares e a luta pela justiça, pelo direito e pela libertação dos oprimidos.

3.Ajudar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

4.Manter contato regular com os Pobres e ter alguma participação na condição de vida deles.

CAPÍTULO VII

FORMAÇÃO PERMANENTE

I.FINALIDADE E IMPORTÂNCIA

406.A Formação Permanente ou Contínua consiste em todos os esforços e iniciativas para prolongar a formação por toda a vida. Busca a continuação e o aperfeiçoamento da formação dos Coirmãos, de modo que se tornem cada vez mais aptos para a vivência e o exercício da missão vicentina[86]. “A formação dos nossos deve prolongar-se e renovar-se por toda a vida” (CC 81).

407.Vivamente recomendada pela Igreja[87] e pela Congregação[88], a Formação Permanente é fundamental para que, individual e coletivamente, os Coirmãos possam responder devidamente aos apelos pastorais advindos dos Pobres, nossos mestres e senhores, e dar um sentido vivo, renovado e evangélico à própria consagração.

408.Somente uma Formação Permanente permitirá a expressão autêntica da identidade vicentina e responderá às exigências da Missão[89]. Inserido no mundo e na Igreja em contínua transformação e em meio a muitos e novos desafios, o esforço de renovação e capacitação pessoal e comunitária torna-se condição primordial para a fidelidade no seguimento a Cristo evangelizador dos Pobres.

409.A Formação Permanente possui um significado teológico mais profundo, que ultrapassa a necessidade de acertar o passo com o caminho da história. Constitui um esforço de abertura sincera ao Espírito, em vista de uma contínua conversão. É um ato de amor, um ato de justiça para com o Povo de Deus a quem os Coirmãos devem servir por força de sua vocação. A Formação Permanente ajuda o Coirmão a desenvolver-se e conservar sua fé; ajuda no conhecimento da profunda comunhão que dá unidade ao Povo de Deus; ajuda na maior consciência de sua participação na missão salvífica da Igreja, mantendo sempre vivo o sentido da missão.

II.PRINCÍPIOS NORTEADORES DA FORMAÇÃO PERMANENTE

410.Dada a urgência de uma adequada capacitação e em razão da variedade de situações pessoais e conjunturais, mais que normas legais, impõem-se alguns princípios a serem assumidos decisiva e convictamente, para se efetivar eficazmente a Formação Permanente:

411.a)Cristo e os Pobres são os pólos essenciais e indispensáveis da vocação vicentina e a fonte da verdadeira Formação Permanente do Missionário vicentino: deve amar cada vez mais Jesus Cristo para amar sempre mais aos Pobres e amar sempre mais os Pobres para amar sempre mais Jesus Cristo.[90]

412.b)Tendo em vista a Formação Integral do Missionário vicentino levar-se-ão em consideração os elementos cristológico/trinitário, místico, humanista, comunitário, relacional, a atenção aos sinais dos tempos e à realidade dos Pobres e a experiência do Coirmão e da Comunidade.[91]

413.c)O sujeito da Formação Permanente é a própria pessoa do Coirmão, de tal modo que nada poderá substituir seu empenho livre e consciente[92]. Em espírito de obediência ativa, cada Coirmão seja solícito para atender aos apelos de renovação advindos do próprio ministério e da Província através de seus superiores.

414.d)A Formação Permanente acompanha o Coirmão em todos os períodos e condições da vida e abrange todas as dimensões da existência, da consagração e do ministério na CM[93], ou seja, as dimensões humano-cristã, comunitária, espiritual, apostólica e vicentina. Dentro deste processo amplo, é importante desenvolver uma formação específica, com que os Coirmãos possam dar uma contribuição especializada em ministérios e enfrentar problemas específicos, referentes à missão vicentina.

415.e)A Formação Permanente, prolongamento natural e absolutamente necessário do processo formativo desde suas primeiras etapas[94], deve ser buscada dentro de um espírito de crescimento espiritual e pastoral de cada Coirmão e de cada Comunidade, através de profunda experiência de fé e de vida em fraternidade e de encontro contínuo com o espírito de São Vicente e com os valores e tradições autênticas da Congregação.

416.f)O fundamental para a Formação Permanente é a própria prática pastoral. O método básico é a reflexão crítica, a capacidade pessoal para analisar e avaliar de maneira contínua a missão recebida e a própria prática no contexto das rápidas mudanças do mundo atual, à luz da Palavra de Deus, do carisma vicentino e dos sinais dos tempos, em busca constante de conversão, aprofundamento e nova aprendizagem. A omissão na reflexão sobre a própria prática provocará a perda de estímulos e de condições para a renovação, gerando uma vida e uma ação acomodadas, desatualizadas e aquém dos apelos atuais da missão. Esta formação pressupõe a colaboração e disposição da equipe missionária e também o imprescindível trabalho pessoal assíduo e, com muita freqüência, solitário.

417.g)Toda Formação Permanente, em nível pessoal e comunitário, deve valer-se de iniciativas, recursos, meios e pessoal que estejam em conformidade com os apelos de libertação dos Empobrecidos, em sintonia com os princípios da Teologia e Espiritualidade centrados em Cristo Libertador e em conformidade com os objetivos da PBCM (cf. CC 88; NNPP, 50).

418.h)A responsabilidade de promover a Formação Permanente cabe a cada Coirmão, às Casas onde vivem, à Província e à Congregação em geral, de modo que, faltando um desses níveis, não se atenderá devidamente à obrigação e à necessidade de continuar a formação.[95]

419.i)A importância da Formação Permanente é tal que, se for preciso, por ela se deve sacrificar, temporariamente, o serviço pastoral exercido numa determinada comunidade ou localidade. Necessitam-se coragem e disponibilidade, para não se adiar indefinidamente a liberação de algum Coirmão para uma atividade de Formação Permanente.

III.MEIOS PARA A PROMOÇÃO DA FORMAÇÃO PERMANENTE

420.A Formação Permanente lança suas raízes e tem como ponto de partida e responsabilidade primeira e intransferível a pessoa do próprio Coirmão.

421.A Comunidade Local exercerá, nesta etapa da Formação Permanente papel fundamental e será o espaço primordial, uma vez que é nela que o Coirmão se dedica à missão e vive ordinariamente. “A vida comunitária é a característica própria da Congregação e seu modo próprio de viver, desde suas origens e por clara vontade de São Vicente” (CC 21, §1). “A comunidade é continuamente Formadora de si mesma, sobretudo pela renovação dos principais elementos de nosso modo de ser e agir” (CC 25).

422.Para se incrementar a Formação Permanente, a Província, entre inúmeros meios, esforce-se em executar as seguintes propostas:

423.a)Cada Coirmão, após 10 anos seguidos de trabalho, seja liberado de suas atividades, de comum acordo com a Comunidade e o Visitador para uma renovação ou especialização teológica, cultural e/ou profissional.

424.b)Os Coirmãos que manifestam desejo e condições de uma especialização sejam orientados para realizá-la dentro de uma previsão futura de trabalho, sobretudo no setor da formação e das missões e de acordo com o Projeto Provincial, sem, contudo, olvidar aptidões e dons pessoais.

425.c)Os Coirmãos no início de ministério recebam uma atenção especial; sejam colocados numa Comunidade onde possam ser efetivamente ajudados e participem de encontros onde possam partilhar e rever seus trabalhos, acertos e dificuldades.

426.d)A realização, execução e revisão do projeto comunitário empenhem toda a comunidade, no sentido de não se cair na rotina e acomodação, mantendo-se a Comunidade e cada Coirmão em contínuo estado de conversão, de ação criativa e de disponibilidade para atender aos apelos da missão.

427.e)Em cada casa ou residência haja uma biblioteca ou estante de livros e revistas atualizados, que abranjam as diversas áreas da teologia e exigências missionárias e profissionais que os Coirmãos possam utilizar para desenvolver o estudo pessoal e/ou comunitário.

428.f)Haja incentivo especial à leitura, estudo e divulgação das publicações vicentinas; recomende-se aos Coirmãos a prática da direção espiritual, meio clássico que nada perdeu de seu precioso valor[96]. Isso ajudará a descobrir os atuais apelos de Deus nas necessidades dos Pobres e da Igreja e a manter vivo o espírito de São Vicente.

429.g)Os retiros, assembléias e encontros provinciais recebam máxima atenção na preparação e realização, como momentos privilegiados de formação, confraternização e animação espiritual, missionária e vocacional para todos os Coirmãos.

430.h)Haja empenho no encaminhamento de Coirmãos para participar de encontros, cursos, promoções da Cúria Geral da Congregação da Missão, da CLAPVI, da CNBB, da CRB e de outros organismos, onde possam também intercambiar experiências e conhecimentos, adquirindo certamente maior consciência eclesial.

431.i)Sejam promovidos, em nível provincial ou setorial, atividades formativas, atendendo a questões de interesse geral ou de determinado setor de trabalho.

432.j)Que sejam estimuladas, valorizadas e divulgadas na Província as produções e realizações culturais e pastorais dos Coirmãos, no sentido de maior enriquecimento mútuo e de reconhecimento de cada Coirmão.

433.k)Na ação pastoral e nas atividades formativas, seja incentivada a ajuda mútua entre os Coirmãos, através de estágios, realização de cursos, retiros, etc. Da mesma forma, haja intercâmbio cultural e pastoral com atividades e promoções de outras Províncias.

434.l)Nas realizações da Província e de cada Comunidade, recorra-se, quando oportuno e necessário, à assessoria de peritos. A assessoria se faz útil e necessária para questionar práticas tradicionais, aprofundar a reflexão, renovar as idéias, propor novos métodos, etc.

IV.ORGANIZAÇÃO DA FORMAÇÃO PERMANENTE

435.O Visitador e seu Conselho, consultando cada setor de trabalho da Província, têm a função específica de encaminhar e coordenar a Formação Permanente em toda a Província. Para isso, buscarão:

436.a)Elaborar um planejamento anual e/ou trienal da Formação Permanente, onde constem:

437.- as promoções formativas, em nível provincial (cursos, retiros, encontros, celebrações, etc.);

438.-o encaminhamento específico de Coirmãos para atividades formativas (especialização, cursos específicos, etc.);

439.-a programação das visitas às Casas, onde, no contato com a Comunidade e com cada Coirmão, se busque incentivar a atualização pessoal e comunitária;

440.-outras promoções específicas, propostas por cada setor e/ou comunidade.

441.b)Acompanhar e motivar cada Comunidade na realização do Projeto Comunitário, fazendo desta atividade um momento importante de atualização e dinamização da Comunidade. Que cada Comunidade programe e realize uma ou mais atividades que atendam especificamente aos objetivos da Formação Permanente.

442.c)Divulgar as diversas iniciativas no âmbito da Formação Permanente promovidas pela Igreja em geral e pela Congregação e fomentar a participação dos Coirmãos nas mesmas.

443.d)Levar todos os Coirmãos a se colocarem em estado de conversão, de disponibilidade, de criatividade, em vista da fidelidade vocacional, da renovação e dinamização das obras.

444.e)Discernir e encaminhar formas adequadas e renovadas para estimular cada Coirmão e toda a Província a sentirem-se empenhados na realização da Formação Permanente.

 BIBLIOGRAFIA

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_____. Formação para a Missão Vicentina. Rio de Janeiro, 1979.

[1] José Maria GUERRERO, sj, “A formação intelectual: para ser testemunhas “inteligentes” do evangelho”. s.n.t.

[2] CIVC – DT, n. 14.

[3] Cf. Puebla, n. 87-89.

[4] Oração do dia da Missa de São Vicente de Paulo, 27 de setembro.

[5] SVP XI, 32

[6] FPMV I, 3, 2.

[7] CNBB, 1984, n. 117.

[8] Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Potissimum Institutioni, 18.

[9] FPMV I, 2, 3; CNBB, 1984, nn. 106-107.

[10] Cf. AG – 2004, III, 1.

[11] Cf. CC 77,1; OT, 4; PDV, 51; OSFIR, 34; CNBB, 1984, n. 146.

[12] Cf. PDV, 43-44, 51-56.

[13] Cf. OT, 11; PDV, 43; DSIFS, 47-53.

[14] CNBB, 1984, n. 105.

[15] Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Potissimum Institutioni, 9. 1998.

[16] Cf. OT, 14; CNBB, 1984, n. 146.

[17] Cf. AG-2004, I, 1-2.

[18] OSFIR, 33.

[19] AG-2004, II, 3.

[20] Cf. PDV, 45.

[21] Cf. PDV, 45.

[22] NNPP, 58; PDV, 45.

[23] OT, 8; PDV, 45,47.

[24] PDV, 47.

[25] PDV, 47.

[26] Cf. PDV, 48; CNBB, 1984, n.132; NNPP, 60.

[27] PDV, 48.

[28] Cf. PDV, 48.

[29] Cf. PDV, 49.

[30] PDV, 49.

[31] Cf. OT, 8; PDV, 45; CNBB, 1984, n. 124; NNPP III, 14.

[32] PDV, 57.

[33] CNBB, 1984, n. 20.

[34] Cf. SV XII, 1-14 (Conferência sobre a observância das Regras, de 17 de maio de 1658); SV XII, 73-94 (Conferência sobre o fim da Congregação da Missão, de 06 de dezembro de 1658).

[35] Cf. PDV, 57.

[36] Cf. UC, 4,5,6,8,11,28,31,32; DSIFS, 47.

[37] Cf. UC, 11, 2.

[38] Cf. UC, 23.

[39] PC, 2.

[40] IV, p.14.

[41] CIVC-DT, n. 81.

[42] Cf. UC, 28; DSIFS, 47-48, 71-76.

[43] UC, 31.

[44] OT, 5.

[45] CRB, 1990, p. 15.

[46] Cf. PDV, 66.

[47] IV Encontro Interprovincial do Serviço de Animação Vocacional Vicentina (FC e CM) realizado em Recife de 5-9 de abril de 2005. Conclusões.

[48] Todos os objetivos específicos constam nas Conclusões do IV Encontro Interprovincial do Serviço de Animação Vocacional Vicentina (FC e CM).

[49] IV Encontro Interprovincial do Serviço de Animação Vocacional Vicentina (FC e CM). Linhas de ação.

[50] IV Encontro Interprovincial do Serviço de Animação Vocacional Vicentina (FC e CM). Linhas de ação.

[51] IV Encontro Interprovincial do Serviço de Animação Vocacional Vicentina (FC e CM). Linhas de ação.

[52] Cf. VMPPV, 244.

[53] Cf. UC, 27.

[54] IV Encontro Interprovincial do Serviço de Animação Vocacional Vicentina (FC e CM). Linhas de ação.

[55] XXXV AG-CM/74, Declaração 26.

[56] Cf. FPIB, 26-27.

[57] Cf. DBPFV-PBCM, 57-66.

[58] Cf. ISV/76, nº. 89, “Encontro dos Formadores da PBCM”, pág. 256-257.

[59] Cf. CNBB, 1984, n. 104.

[60] Cf. CNBB, 1984, n.144.

[61] PDV, 60; CNBB, 1981, n. 274.

[62] PDV, 60; Vida e Ministério do Presbítero Pastoral Vocacional (VMPPV), 275.

[63] Cf. CNBB, 1984, n. 59.

[64] Cf. CNBB, 1984, n. 60.

[65] Cf. CNBB, 1984, n. 60.

[66] Cf. CNBB, 1984, n. 61-67.

[67] PDV, 52.

[68] Cf. OT, 15.

[69] Cf. CNBB, 1981, n. 285.

[70] Cf. CNBB, 1984, n. 57.

[71] RFPSI, II, 1.

[72] Cf. RFPSI, II, 2.

[73] Cf. CC 83; NNPP, 35; RFPSI, II, 3.

[74] Cf. NNPP, 14; PDV, 48; CNBB, 1984, n.132.

[75] Cf. PDV, 53.

[76] OT, 16.

[77] PDV, 53.

[78] CNBB, 1984, n.184.

[79] Cf. CNBB, 1984, n. 183.

[80] Cf. João Paulo II. Vita Consecrata, 109.

[81] Cf. MR 11-12

[82] Cf. LG 44; cf. ChD 33 e 35

[83] Cf. RC I, 2; CC 1; IpM, 15

[84] Cf. Cânones 225, 228, 231

[85] Cf. Diretrizes Básicas para a Formação do Presbítero na PBCM, 32-41

[86] CC 1, § 1. Os objetivos da Formação Permanente são: santidade correspondente à vida do missionário, crescimento contínuo a nível humano e profissional, atenção aos sinais dos tempos, flexibilidade e criatividade na ação apostólica. (cf. Síntese do Encontro Internacional dos Visitadores, México, 4-14/6/2007).

[87] Cf. OT, 22; PC, 18; PDV, 70-81; Puebla, 719-720; IPI, 18.

[88] Cf. CC 81; EE 42; NNPP, 49-50.

[89] Visitadores a Serviço da Missão (VSM), Roma 25/1/1990. “A Identidade do missionário vicentino não ocorre de uma vez por todas, mas é o resultado de sua relação cotidiana com Jesus Cristo, com a Comunidade a que pertence, com o mundo” (Síntese do Encontro Internacional de Visitadores, México, 4-14/06/2007).

[90] Cf. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

[91] Cf. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

[92] CNBB, 1984, n. 208. Cf. tb. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

[93] Cf. PDV, 71-72, 76-77; Puebla, 719; NNPP, 49-50.

[94] Cf. PDV, 71.

[95] Cf. Síntese do Encontro Internacional de Visitadores da CM, México, 4-14/6/2007.

[96] Cf. PDV, 81.