Natureza e finalidade

1) A Filosofia é a etapa da formação em que o Formando aprofunda e amadurece sua opção pela vida missionária e presbiteral na Congregação. Prepara o candidato para o ingresso no Seminário Interno na condição de membro admitido da CM.

2) O currículo filosófico tem por objetivo ajudar o Formando a se situar, como pessoa, em face de si mesmo, do mundo, dos outros e de Deus, ajudar os Formandos a desenvolverem uma consciência reflexiva da relação constitutiva existente entre o espírito humano e a verdade que se revela plena em Jesus Cristo1, ministrar-lhes eixos de referência sólidos para o pensamento, no sentido de orientá-los diante das diversas correntes filosóficas e ideológicas2 e prepará-los para assimilarem corretamente a Teologia, na linha da inspiração libertadora.

3) Esta etapa deve ajudar os Formandos:

a) A aprofundar e amadurecer, à luz do horizonte aberto pelos estudos filosóficos, o chamado de Deus à vocação missionária na Congregação da Missão, dentro de uma sólida vivência do mistério de Cristo.

b) A situar-se de forma equilibrada e madura, diante de si como pessoa, do mundo, dos outros e de Deus, mediante uma consciência reflexiva da relação existente entre o espírito humano e a verdade que se revela plena em Jesus Cristo.

c) A criar hábitos de reflexão e autodisciplina. Reflexão séria e sistemática que sustente um conhecimento teórico e vital do homem e do mundo em que vivemos e que, à luz do Evangelho, possa projetar-se sobre as situações concretas que nos interpelam sem cessar.

d) A educar-se para uma mentalidade aberta e, ao mesmo tempo, crítica com respeito aos múltiplos influxos do mundo moderno: científicos, culturais, econômicos, ideológicos, e a capacitar-se para discerni-los.

e) A capacitar-se, mediante a assimilação pessoal, própria e bem fundamentada dos problemas filosóficos, sociais, etc., para a confrontação e o diálogo com o mundo moderno, com a problemática fé-cultura, com “as causas da desigualdade da distribuição dos bens no mundo, para desempenhar melhor o múnus profético de evangelizar” (CC 12,2ª).

f) A realizar com fidelidade, zelo, gosto e criatividade as atividades apostólicas.

Requisitos para a admissão

4) Ter opção clara pela vida missionária vicentina presbiteral e consciência do chamado de Deus para um ministério específico na Igreja.

5) Encontrar-se num processo normal de amadurecimento humano e numa séria experiência de fé no seguimento de Jesus Cristo.

6) Manifestar espírito apostólico3, demonstrando-o na participação e no compromisso em alguma comunidade cristã.

7) Apresentar as qualidades humanas e espirituais indispensáveis4.

8) Ter concluído o Ensino Médio e o Propedêutico, segundo as normas da PBCM (NNPP, 36).

9) Ter resolvido problemas familiares graves, com incidência na opção.

10) Apresentar dos seguintes documentos: carta de apresentação dos Formadores do Propedêutico acompanhada dos documentos apresentados no art. 200 destas Diretrizes.

11) Casos particulares ficarão reservados ao Visitador e ao seu Conselho, ouvidos sempre os Formadores e a Equipe Provincial de Pastoral Vocacional.

Direitos e Deveres do Formando de Filosofia

12) a)  Direito à orientação e acompanhamento adequados, no sentido de capacitar o Formando para sua futura missão.
b) Dever de se abrir, com honestidade e coerência, à proposta de formação destas Diretrizes, no esforço sincero e lúcido de interiorizar e assimilar seus princípios.

c) Direito à sustentação conveniente a um jovem trabalhador: alimentação, moradia, estudos, roupas, viagens, saúde e lazer com sobriedade.

d) Dever de se aplicar, com afinco, a um bom aproveitamento nos estudos, não só por mística, mas por justiça e coerência pessoal.

e) Dever de participar dos diversos trabalhos alternativos na Comunidade, compatíveis com as exigências dos estudos.

f) Direito de exercer sua participação, como sujeito ativo e primeiro responsável por sua própria formação.

g) Dever de zelar pelos bens da Comunidade, como patrimônio dos Pobres com os quais vão se comprometer por toda a vida.

1 PDV, 52.

2 Cf. OT, 15.

3 Cf. CNBB, 1981, n. 285.

4 Cf. CNBB, 1984, n. 57.