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:: CAMPANHA MUDANÇA DE ESTRUTURAS ::

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Comissão para Promover a Mudança de Estruturas


 

 

Pe. Robert Paul Maloney, CM.

              Em 2006, com o incentivo e o apoio financeiro de uma fundação, o Superior Geral nomeou uma comissão para promover a mudança de estruturas. Seus membros são: Pe. Norberto Carcellar, CM, Irmã Ellen Flynn, FC, Pe. Joseph Foley, CM, Pe. Robert Maloney, CM, Patricia Nava, AIC, Pe. Pedro Opeka, CM, e Gene Smith, SSVP.

            O Pe. Gregory deu à Comissão o seguinte mandato: “contribuir para realizar uma mudança de estruturas através do apostolado dos membros da Família Vicentina, especialmente daqueles cujo ministério é servir os Pobres oprimidos”. Com este objetivo, pediu-se aos membros da Comissão que estudassem os textos e estudos disponíveis relacionados com a mudança de estruturas, para debater a implicação deles, formular uma lista de estratégias para ajudar os Pobres a sair de sua pobreza e depois partilhar essa lista com os membros da Família Vicentina. Pediu-se também à Comissão que propusesse como se podem de modo mais eficaz dar a conhecer estas estratégias; p. ex., a) poderia ser publicado um livro em várias línguas, que fosse distribuído entre os membros da Família Vicentina de todo o mundo e usado em programas de educação permanente; b) os próprios membros da Comissão ou outras pessoas poderiam organizar seminários sobre os princípios básicos da mudança de estruturas e as estratégias para realizá-la.


            A Comissão já se reuniu três vezes. Em seus debates, deu-se uma ênfase especial aos programas de autoajuda e auto-sustentação para que os Pobres participem ativamente na elaboração e realização dos projetos previstos. Atualmente, a comissão avança na preparação de um livro sobre a mudança de estruturas, chamado: Sementes de Esperança: Histórias de mudanças de estruturas. O livro contará “pequenas histórias” de vários projetos bem sucedidos neste campo. Incluirá também um capítulo sobre a espiritualidade que constitui a base dos projetos de mudança de estruturas, assim como um capítulo com uma série de práticas muito válidas ou o que a Comissão prefere chamar “estratégias eficazes derivadas de nossa experiência e nossa tradição vicentina”. Além disso, a Comissão decidiu apresentar uma pasta para acompanhar o livro ou ser utilizada independentemente. A pasta conterá uma série de materiais práticos para ajudar as pessoas que estejam interessadas na mudança de estruturas; por exemplo, um DVD com vídeos sobre algumas histórias relatadas no livro, uma série de folhetos sobre as perguntas-chaves a que devemos responder ao começar um projeto, um instrumento para avaliar os projetos, sugestões sobre arrecadação de fundos e uma lista das melhores práticas ou de estratégias eficazes. Também se pediu à Comissão, ocasionalmente, que recomendasse modos de promover uma boa administração do dinheiro nas obras da Família Vicentina e entre os Pobres a quem servimos, com especial atenção às causas que dão origem à pobreza.


            O Pe. Gregory convidou os membros da Comissão para que fizessem uma apresentação aos Responsáveis Internacionais dos distintos ramos da Família Vicentina durante o encontro celebrado em Roma de 2 a 4 de fevereiro de 2007. Naquela reunião, a Comissão falou da natureza da mudança de estruturas, da espiritualidade subjacente e das estratégias que ela fomenta. Descreveram-se projetos de Madagascar, das Filipinas, da Inglaterra, da República Dominicana e de outros lugares onde nossa Família consegue bons resultados não só servindo nas necessidades imediatas dos Pobres, mas também ajudando-os a desenvolver estratégias que os façam sair da pobreza. Convencidos de que de fato há outros projetos como estes na Família, a Comissão pediu aos Responsáveis dos vários ramos que partilhassem o que há em relação a tais obras. Seguiu-se um vivo debate. Ao terminar este debate, os Responsáveis pelos vários ramos da Família decidiram escolher a mudança de estruturas como o enfoque da Família para pelo menos os dois próximos anos, a començar de 27 de setembro de 2007. A Comissão elaborará fichas de estudo, que servirão para cinco sessões, para ajudar neste proceso.


            O Pe. Gregory solicitou à Comissão que ajudasse os membros do Conselho Geral a formular critérios para o prêmio anual para projetos de mudanças de estruturas. Os critérios formulados são os seguintes:


            1. Envolver os próprios Pobres, incluindo os jovens e as mulheres em todos os níveis: da identificação das necessidades e do planejamento até à realização, à avaliação e à revisão.

           
2. Ter uma visão global - levar em conta uma série de necessidades humanas básicas: individuais e sociais, espirituais e físicas, especialmente necessidades como emprego, cuidado da saúde, moradia, educação e crescimento espiritual.

           
3. Dar uma ênfase especial a programas de autoajuda e auto-sustentação que prestam uma atenção particular às causas radicais da pobreza.

            4. Fomentar a transparência, convidando a participar na preparação dos orçamentos e nos comentários sobre os relatórios financeiros, ao mesmo tempo em que se promove uma boa gestão do dinheiro e a manutenção de controles esmerados sobre o uso dos bens.

            5. Construir uma visão compartilhada com os diversos agentes: comunidades pobres, indivíduos interessados, doadores, igrejas, governos, ONGs, o setor privado, sindicatos, meios de comunicação, organizações e redes internacionais, etc.


            Dado que a Comissão já recebeu convites para falar sobre a mudança de estruturas nos programas de formação contínua dos vários ramos da Família Vicentina, preparou um material para se usar nessas ocasiões.


            O conceito de “mudança de estruturas” é moderno. Era desconhecido nos tempos de São Vicente, embora ele tenha expressado muitas idéias relacionadas com esse conceito. Quando reuniu o primeiro grupo de mulheres para formar uma “Confraria de Caridade” em Châtillon-les Dombes em novembro de 1617, estabeleceu, na Regra que escreveu para elas (SV XIII, 423), que os Pobres sofrem mais por falta de “ordem” que por falta de pessoas que queiram fazer obras de caridade. Constantemente urgia os membros da Família a amar os Pobres “espiritual e corporalmente”, “afetiva e eficazmente”. Animava seus seguidores a examinar vários elementos na vida dos Pobres para ver quais eram suas necessidades mais importantes: alimentação, cuidados sanitários, educação, trabalho, cuidado espiritual... Hoje temos consciência de que os Pobres vivem num sistema social onde faltam alguns ou muitos desses elementos, um sistema que, se fosse mudado, poderia ajudar uma pessoa a sair da pobreza. A Comissão centra sua atenção em ajudar outros a criar projetos que ajudem os Pobres a mudar o sistema social em que vivem.

 

Vincentiana, janeiro-abril 2008, p. 69-71
Trad. do Pe. Lauro Palú, CM

 



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