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Cinco Reflexões para a Família Vicentina


 


Recomendadas pelos Responsáveis internacionais da Família Vicentina em sua reunião anual em Roma

 

1.      O grande exemplo:  Châtillon-les-Dombes
2.      São Vicente e a mudança de estruturas
3.      A pessoa do Pobre e a transformação
4.      O compromisso político vicentino
5.      Ser membro profético da Família Vicentina


               “O que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que nossas mãos apalparam vos anunciamos”.   (1 Jo 1, 1-4)



NOTAS INTRODUTÓRIAS E SUGESTÕES

Os participantes


Estas reflexões são para o uso de todos os membros da Família Vicentina.
Cada encontro durará aproximadamente uma hora, dependendo do número de pessoas por grupo.
O grupo pode ser formado por membros de diferentes ramos da Família, ou de conferências específicas, de comunidades ou grupos de trabalho dentro de seus próprios projetos.
As reuniões de reflexão podem ser programadas com intervalos regulares ou distribuídas ao longo de todo o ano.

Antes de começar

O líder explica ao grupo o processo a seguir:
Ele ou ela entrega uma cópia do material do encontro a cada um dos membros para reflexão pessoal.
Insiste em que ninguém é obrigado a partilhar, mas sim estimulado, e menciona a necessidade da confidencialidade.
Pede ou sugere a distintos membros que leiam as diferentes partes.


Canto, oração de abertura e momentos de silêncio


O líder convida o grupo a:
Ficar à vontade e tomar consciência da presença de Deus entre nós.
Recordar a finalidade do encontro.
Entoar o canto de abertura, se parece bem.
Rezar juntos a oração de abertura para a mudança de estruturas, que será a mesma em todas as sessões.

Leitura da Escritura

Lê-se em voz alta por um membro e se propõe o tema do encontro

 

Introdução

 

            Desenvolve mais o tema e proporciona material para ajudar a reflexão.

            Lê-se em voz alta, devagar e em clima de oração, por uma pessoa ou por vários membros.

            O som de vozes diferentes ajuda a perceber diferentes ênfases nas palavras e frases.

 

Reflexão Individual

 

            O líder convida cada um a refletir em silêncio sobre as leituras.

            Deixa pelo menos de 3 a 5 minutos para tempo de silêncio e reflexão pessoal.

            Começa com as perguntas sugeridas para discussão – que servem unicamente de guia.

 

Partilha e escuta

           

            O responsável convida os membros que o desejem a dialogar sobre os temas de discussão ou sobre a impressão que causou neles alguma das leituras. Possivelmente, nem todos tomarão parte, mas se deve deixar tempo para todos os que quiserem partilhar seus pensamentos.

 

Refletir junto com os outros sobre o próprio serviço

 

            Isto permite uma aplicação prática do tema ao trabalho (à missão ou ao projeto) de cada um ou que se realiza em comum.

            O material para uma reflexão mais profunda busca-se, normalmente, em nossos fundadores e será lido em voz alta.

            O grupo pode discutir oportunidades para a ação e planejar caminhos de ação.

 

Modelos de estratégias

 

            O grupo é convidado a refletir sobre várias estratégias que a Comissão para a Promoção de Mudanças de Estruturas identificou como fundamentais em projetos de mudança de estruturas.

 

Oração da Família Vicentina

 

            Cada encontro termina com a Oração da Família Vicentina, rezada em conjunto, unindo assim o grupo com os demais irmãos e irmãs, membros da Família Vicentina do mundo inteiro.

 

PRIMEIRA REFLEXÃO

 

O GRANDE EXEMPLO: CHÂTILLON-LES-DOMBES

 

Objetivo do primeiro encontro

 

            Começar a entender os princípios da mudança de estruturas praticados por São Vicente e refletir sobre meu próprio serviço.

 

Canto (opcional)

 

Oração para a mudança de estruturas

 

Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus, Criador do Universo. 

Fizestes boas todas as coisas e nos destes a terra para que a cultivássemos.

Fazei que saibamos usar sempre agradecidamente as coisas criadas

e partilhá-las generosamente com todos os necessitados.

Dai-nos criatividade ao ajudar os Pobres em suas necessidades humanas básicas.

Abri nossas mentes e nossos corações para que possamos ficar ao lado deles e ajudá-los a mudar as estruturas injustas que os mantêm na pobreza.

Fazei que sejamos irmãos e irmãs para com eles, amigos que caminham com eles

em suas lutas pelos direitos humanos fundamentais.

Nós vo-lo pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Leitura da Escritura: 1 Jo 1,1-3

 

Introdução

 

            Esta leitura de São João, que os responsáveis internacionais de vários ramos de nossa Família Vicentina escolheram para sublinhar nosso tema este ano, dá uma ênfase especial ao caráter concreto da encarnação e também ao de nossas obras de caridade. Serviços práticos, concretos e efetivos são o distintivo de nosso pragmatismo vicentino, sustentado pela crença absoluta de que cada pessoa é imagem e semelhança de Deus e templo do Espírito Santo. A faísca de vida divina em cada pessoa é mantida quando oferecemos nossos serviços corporal e espiritualmente em formas bem elaboradas e que alcançam resultados permanentes.

            Todos os projetos em favor dos Pobres têm um começo modesto e se desenvolvem com o tempo. A história original da experiência de São Vicente como Pároco de Châtillon-les-Dombes  indica de muitas formas um modelo para uma estratégia coerente. São Vicente escutou atentamente, quando lhe falaram de uma família em extrema necessidade e fez uma pregação tocante, que levou muitos a se engajarem como voluntários – “Deus tocou os corações dos meus ouvintes”.

            Quando mais tarde ele mesmo foi visitar a família, encontrou pelo caminho muitos outros que iam levar ajuda e grande quantidade de comida. Notou que os membros da família de repente se viram providos de muito mais do que necessitavam e se deu conta de que boa parte da comida ia estragar e perder-se e, com isso, voltariam à situação anterior de necessidade. O que se precisava era organização!

            São Vicente pensou num plano, chamou para uma reunião, formou uma associação e delegou trabalhos e responsabilidade às pessoas da paróquia. Com este princípio aparentemente pequeno, começou todo um movimento. (Cf. Román, San Vicente de Paúl. I Biografía, pág. 123).

            São Vicente, Santa Luísa e, mais tarde, Frederico Ozanam e Elizabeth-Ann Seton insistiram em que os serviços fossem realizados com competência, habilidade treinada e recursos adequados. Santa Luísa, sumamente prática, se inquietava se via algo em desordem e insistia até ao último detalhe nas instruções sobre como deviam realizar-se todos os trabalhos. Uma coisa que distinguia São Vicente era o processo de delegação de poderes. Escutava os pareceres de outras pessoas, procurava aconselhar-se e dava os meios de que precisavam seus colaboradores  para levarem a bom termo a missão vicentina. Delegava poderes a seus seguidores, estabelecendo como condição valores fundamentais, regras e virtudes, tais como o respeito e a ajuda mútua, e favorecia o surgimento de relações participativas como meios para servir os Pobres.

             As muitas histórias de Jesus que elevava os doentes e os pobres a uma existência transformadas estão no coração das vidas de todos os nossos santos vicentinos, segundo o evangelho de Mateus 25, 31-41.

 

Reflexão individual, partilha e escuta

 

            Na história de Châtillon,  o que aconteceu àquela família?

 

            Você tem idéia do que aconteceu em seguida naquela comunidade?

 

            Como este fato fala a seu coração vicentino?

 

Refletir junto com os outros sobre o próprio serviço

 

            A mudança de estruturas começa por:

            Definir uma necessidade

            Desenvolver o conhecimento da realidade

            Recrutar outros e delegar uma resposta organizada e de muitos aspectos

 

Sabedoria Familiar

 

            “Não tenha medo de novos princípios. Seja criativo. Seja inventivo. Organize novas obras de caridade no serviço ao Pobre. Você que tem energia, que tem entusiasmo, que quer fazer algo valioso para o futuro, seja inventivo, atire-se, não espere” (Frederico Ozanam).

 

Modelos de estratégias

 

            Escute atentamente e procure compreender as necessidades e aspirações do Pobre, criando uma atmosfera de respeito e de confiança mútua e estimulando a auto-estima das pessoas.

            Construa uma visão compartilhada com os diversos parceiros: comunidades pobres, indivíduos interessados, doadores, igrejas, governos, setor privado, sindicatos de trabalhadores, meios de comunicação, organizações e redes internacionais, etc.

            Eduque, instrua e ofereça formação espiritual a todos os que participarem no projeto.

 

            Quais são os princípios que sobressaem na história de Châtillon?

 

            Partilhe todas as novas percepções ou ações que você se sente desafiado a enfrentar.

 

            Estas estratégias são parte de nossas formas ordinárias de agir?

 

Oração da Família Vicentina

 

Senhor Jesus, tu que te fizeste pobre,

faze que tenhamos os olhos e o coração voltados para os Pobres

e que possamos reconhecer-te neles,

em sua sede, em sua fome, em sua solidão e em sua dor.

 

Suscita em nossa Família Vicentina

a unidade, a simplicidade, a humildade

e a chama da caridade

que inflamou o coração de São Vicente de Paulo.

 

Dá-nos a força para que, fiéis à prática destas virtudes,

possamos contemplar-te e servir-te na pessoa dos Pobres

e um dia unir-nos a ti e a eles no teu Reino. AMÉM.

 

Canto (opcional)

 

SEGUNDA REFLEXÃO

 

SÃO VICENTE E A MUDANÇA DE ESTRUTURAS

 

 

Objetivo do segundo encontro

 

            Explorar o significado da mudança de estruturas como um conceito vicentino.

 

Canto (opcional)

 

Oração para a mudança de estruturas

 

Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus, Criador do Universo. 

Fizestes boas todas as coisas e nos destes a terra para que a cultivássemos.

Fazei que saibamos usar sempre agradecidamente as coisas criadas

e partilhá-las generosamente com todos os necessitados.

Dai-nos criatividade ao ajudar os Pobres em suas necessidades humanas básicas.

Abri nossas mentes e nossos corações para que possamos ficar ao lado deles e ajudá-los a mudar as estruturas injustas que os mantêm na pobreza.

Fazei que sejamos irmãos e irmãs para com eles, amigos que caminham com eles

em suas lutas pelos direitos humanos fundamentais.

Nós vo-lo pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Leitura da Escritura (Lucas 5, 17-26)

 

Introdução

 

            Nesta leitura do Evangelho, vemos Jesus transformando completamente a vida do paralítico. Note-se o papel que o homem desempenha em sua própria transformação. Há outras pessoas na lista para ajudar. Ao mesmo tempo, a pergunta dos oficiais é invertida.

            Embora a mudança de estruturas seja uma idéia contemporânea, desconhecida no tempo de São Vicente, podemos encontrar sementes desta idéia em sua vida e em sua obra. Podemos apreciar seu interesse por tratar com carinho em seu coração cada pessoa e, ao mesmo tempo desafiar as autoridades de seu tempo, seguindo o exemplo de seu Senhor, Jesus Cristo.

            Um bom exemplo aconteceu no fim da vida de São Vicente, quando seu movimento de caridade já se tinha estendido por todo o mundo. O carisma original que tinha começado como uma tentativa de ajuda ao Pobre se converteu numa arma contra os sem-teto. Várias entidades sociais começaram a copiar as idéias de projetos  que São Vicente havia começado, mas sem reproduzir exatamente o espírito que animava tais projetos. São Vicente focalizava a questão do ponto de vista de uma pessoa pobre que precisava de ajuda, mas os oficiais de cargos públicos o faziam tendo como ponto de vista uma finalidade política: a sociedade tinha que ser protegida da chusma de mendigos. Basicamente, eram dois modos muito diferentes de ver o Pobre: a atitude cristã considerava o Pobre uma imagem de Cristo sofredor, ao passo que a atitude secular o considerava como uma ameaça à ordem estabelecida. São Vicente queria ajudar os Pobres, mas os políticos queriam eliminá-los.

            As Damas da Caridade tomaram uma posição de certo modo intermediária e expressaram a São Vicente seu parecer. Tentariam organizar uma instituição que proporcionaria aos Pobres cama e comida, como também trabalho para os que estivessem em condições. Obtido todo o dinheiro necessário, apresentaram o projeto a São Vicente, como coroamento glorioso de todo o seu trabalho. Ficaram profundamente admiradas ao ver que pedia tempo para pensar sobre aquilo.

            São Vicente manifestou todas as suas reservas sobre o projeto e as aconselhou a agirem com muita cautela, desenvolvendo a obra gradualmente, tendo o máximo cuidado com as atitudes de todos os implicados na obra. Os Pobres teriam que entrar na instituição voluntariamente e ninguém deveria forçá-los. Era o que mais temia. Uma das coisas que o entristeceram profundamente no projeto foi que elas, as voluntárias, planejavam excluir dos benefícios todos os que não fossem de Paris, de tal modo que tanto os refugiados como os dos campos teriam que voltar a seus lugares de origem. Paris absorvia muita riqueza: com que direito alguém poderia privar a gente pobre de outros lugares de gozar dos seus benefícios?

            São Vicente tinha grandes reservas contra essa atitude de esconder os Pobres e encerrá-los numa instituição. Houve muitas e longas discussões sobre este assunto, até que, apesar de todos os investimentos feitos, o parlamento se encarregou de todo o projeto. São Vicente se sentiu aliviado, já que pelo menos a coisa não se faria em seu nome. Estava totalmente convencido de que aquele projeto não era a forma correta de trabalhar com os sem-teto.

            Mas, para consternação de São Vicente, o projeto continuava perseguindo-o. Descobriu por acaso que os Padres da Missão tinham sido nomeados capelães do projeto. Esta notícia ele a leu na folha de propaganda, em que se faziam grandes elogios das vantagens que o projeto traria para os Pobres e para o público em geral. O plano tinha sido realizado sem nenhuma consideração pelos seus pontos de vista e, o que é pior, contra sua forte convicção de que o Pobre não deveria ser forçado, pois a decisão tinha sido tomada unicamente para tirar os mendigos das ruas. São Vicente dedicou muito tempo à deliberação e consultou a comunidade. Por fim, decidiram proporcionar alguma contribuição espiritual em benefício dos Pobres, mas não assumiram o posto oficial da capelania.

            É interessante notar que São Vicente, por respeito às autoridades, nunca se manifestou em público contra o projeto, mesmo quando os próprios Pobres o interpretaram mal e o desafiaram por os ter feito recolher na instituição. As autoridades venceram, retirando os mendigos das ruas e apresentando o projeto como a maior empresa de caridade do século.

            A intenção de São Vicente nunca foi eliminar a mendicância, mas chegar às raízes do problema e arrancá-las com o amor.  (Cf. ROMÁN, C. M., José María, San Vicente de Paúl. I Biografía, pág. 635).

            Esta história demonstra que o próprio São Vicente e suas comunidades se dissociaram de uma caridade mal entendida, atacando as autoridades e recusando qualquer participação, mesmo quando se via forçado pelos próprios Pobres. Alguns podem ver seus atos como um fracasso.

            O que você pensa disso?

 

Reflexão Individual, partilha e escuta

 

            Alguma vez você já teve que enfrentar uma situação semelhante a essa que São Vicente enfrentou?

            O serviço que você faz está numa linha de mudança de estruturas? A finalidade do seu trabalho é transformar sistemas e pessoas?

            Como tudo isto fala a seu coração vicentino?

 

Refletir junto com os outros sobre o próprio serviço

 

A mudança de estruturas inclui:

 

            Um processo que procura alcançar uma transformação radical nas vidas dos marginalizados.

            Um processo que favorece uma mudança de estruturas no conjunto do sistema.

 

Sabedoria Familiar

 

            “Como a  escravidão e a segregação racial, a pobreza não é algo natural. É uma criação humana e pode ser superada e extirpada por atos dos seres humanos” (Nelson Mandela).

            “Só caridade não basta. Cura as feridas mas não acaba com os golpes que as causam… Caridade é o Samaritano que derrama azeite nas feridas do viajante que foi atacado. O papel da justiça é impedir os ataques” (Frederico Ozanam).

            “Nossa vocação é ir por todos os lugares do mundo e para fazer o quê? Abrasar os corações e fazer o que fez o Filho de Deus, que veio trazer o fogo à terra para assim inflamá-la com seu amor” (São Vicente).

 

Modelos de estratégias

 

            Começar com uma análise séria da realidade local, partindo de dados concretos e ajustando todos os projetos a essa realidade.

            Ter uma visão completa, responder às necessidades humanas básicas – individuais e sociais, espirituais e físicas, especialmente trabalho, cuidados sanitários, moradia, educação, crescimento espiritual – com um enfoque integral em relação à prevenção e ao desenvolvimento sustentável.

            Tornar auto-suficiente seu projeto, assegurando que terá os recursos humanos e econômicos necessários para sua continuidade no futuro.            

 

            Partilhe com os outros alguma nova percepção ou ação que você se sente desafiado a enfrentar.

            Essas estratégias são parte de nossa maneira ordinária de agir?

 

Oração da Família Vicentina

 

Senhor Jesus, tu que te fizeste pobre,

faze que tenhamos os olhos e o coração voltados para os Pobres

e que possamos reconhecer-te neles,

em sua sede, em sua fome, em sua solidão e em sua dor.

 

Suscita em nossa Família Vicentina

a unidade, a simplicidade, la humildade

e a chama da caridade

que inflamou o coração de São Vicente de Paulo.

 

Dá-nos a força para que, fiéis à prática destas virtudes,

possamos contemplar-te e servir-te na pessoa dos Pobres

e um dia unir-nos a ti e a eles no teu Reino. AMÉM.

 

Canto (opcional)

 

TERCEIRA REFLEXÃO

 

A PESSOA DO POBRE E A TRANSFORMAÇÃO

 

 

Objetivo do terceiro encontro

 

            Considerar o papel do indivíduo em sua própria transformação.

 

Canto (opcional)

 

Oração para a mudança de estruturas

 

Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus, Criador do Universo. 

Fizestes boas todas as coisas e nos destes a terra para que a cultivássemos.

Fazei que saibamos usar sempre agradecidamente as coisas criadas

e partilhá-las generosamente com todos os necessitados.

Dai-nos criatividade ao ajudar os Pobres em suas necessidades humanas básicas.

Abri nossas mentes e nossos corações para que possamos ficar ao lado deles e ajudá-los a mudar as estruturas injustas que os mantêm na pobreza.

Fazei que sejamos irmãos e irmãs para com eles, amigos que caminham com eles

em suas lutas pelos direitos humanos fundamentais.

Nós vo-lo pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Leitura da Escritura (Lucas 8, 43-48)

 

Introdução

 

            Neste Evangelho, a mulher está sumamente implicada em sua própria recuperação. Enfrenta as convenções sociais do tempo e toca Jesus. Aqui vemos o melhor exemplo da responsabilização de uma pessoa.  A presença de Jesus a capacita a pedir ajuda por si mesma e sua vida se transforma.

            Há várias ocasiões nas cartas de São Vicente, em que o Santo indica que sua intenção principal era, em primeiro lugar, atender às necessidades individuais e, depois, que o serviço que prestava não fosse só um serviço de alívio momentâneo, mas essencialmente um serviço de transformação sustentável para toda a vida dos Pobres, instrumentando-os para o futuro.

            Em carta ao Pe. Marc Coglée, superior em Sedan, em 1656, São Vicente anima os missionários a que invistam tempo e dinheiro no futuro das crianças da escola. Insiste com eles não só para que se encarreguem dos custos da compra de livros, mas também para que busquem meios de ajudar as crianças a preparar-se para a vida futura. Pede que lhes seja dada formação num ofício que lhes proporcione meios suficientes para viverem uma vida decente, livres de depender de outros. Confia em que as Damas da Caridade proporcionem fundos para esses fins e as felicita pelos êxitos alcançados até então. (O texto completo se encontra na “Sabedoria Familiar”, citado abaixo).

 

Reflexão individual, partilha e escuta

 

            Você pode dar um exemplo de transformação em sua própria vida?

            Você envolve diretamente os Pobres nos serviços que lhes presta?

            Como tudo isto fala a seu coração vicentino?

 

Refletir junto com os outros sobre o próprio serviço

 

            A mudança de estruturas inclui:

            Comprometer o indivíduo em sua própria transformação.

            Responder com prontidão às necessidades humanas, respeitando o direito der cada pessoa a determinar seu próprio futuro.

 

Sabedoria Familiar

 

            “Sobretudo, sejam corteses e amáveis com os seus Pobres; sabem que eles são nossos patrões e devemos amá-los ternamente e ter por eles grande respeito. Não basta conhecer estas máximas: temos que servir de exemplo com nossa atenção caridosa e amável. Somos dedicados a tudo isso por nossa vocação e profissão” (Santa Luísa de Marillac).

            “Não fizemos o suficiente para com Deus e com nosso próximo se apenas demos comida e remédios aos doentes. Como Jesus serviu os Pobres? Ia por toda parte, curando os doentes, dando-lhes pouco de dinheiro que podia e instruindo-os para conseguirem sua salvação” (São Vicente).

            “A ordem social se baseia em duas virtudes: justiça e caridade. Entretanto, a justiça pressupõe muito amor, porque se precisa amar muito uma pessoa para respeitar seus direitos” (Frederico Ozanam).

            “O sr. Florent está insistindo conosco para darmos dinheiro para comprar livros para uso das crianças que vão à escola. Por favor, dê um ou dois escudos por mês, durante três ou quatro meses, para esse fim, do dinheiro que as Damas da Caridade lhes dão para os Pobres. Espero que elas aprovem essas pequenas despesas, já que essas crianças são muito pobres e de outro modo não poderiam continuar seus estudos.

            Quanto a nós, somos demasiado pobres para poder dar-lhes esse dinheiro. Também penso, senhor, que é imprudente tê-lo guardado; ordinariamente não é costume que os jovens comecem os estudos de latim, quando não têm nenhum modo de progredir, como acontece quando os pais não podem proporcionar-lhes o necessário. Esse não é o caso, talvez, de algum menino inteligente, que mostra que o é por seu progresso e que poderia motivar alguma pessoa caridosa a que o ajude.

            Fora um caso destes, a maior parte pára pela metade do caminho. É muito melhor que aprendam um ofício, quanto antes: essa é a ajuda que vocês deveriam procurar para essas pobres crianças de Sedan. Anime os pais para que ensinem algum ofício às crianças ou peça a Deus que inspire às Senhoras católicas do lugar que façam o que estão fazendo as Senhoras de Reims. Reuniram-se para realizar uma quantidade de boas obras e se reúnem semanalmente para planejar o bem que podem fazer e tomar as medidas para realizá-lo. Atualmente, propuseram-se cuidar das crianças pobres com tão bons resultados que, em menos de oito meses, colocaram cerca de 120 meninos no comércio, sem mencionar as meninas, muitas das quais também foram colocadas em trabalhos de serviço. Se você tiver oportunidade de persuadir as suas Senhoras a fazer o mesmo, talvez se possa esperar da bondade de Deus o mesmo resultado” (São Vicente).

 

Modelo de estratégias

 

            Mobilizar os Pobres, incluindo os jovens e as mulheres em todas as etapas: Identificação das necessidades, planejamento, execução, avaliação e revisão.

            Promover processos de aprendizagem em que os membros de um grupo, especialmente os Pobres eles mesmos falem uns com os outros de seus êxitos e fracassos, partilhem suas intuições e seus talentos e tornem-se agentes e líderes no meio da comunidade local, responsáveis que sejam servidores inspirados por São Vicente.

 

            Partilhe com os outros as novas intuições ou ações que você se sinta desafiado a enfrentar.

            Estas estratégias são parte de sua maneira ordinária de agir?

 

Oração da Família Vicentina 

 

Senhor Jesus, tu que te fizeste pobre,

faze que tenhamos os olhos e o coração voltados para os Pobres

e que possamos reconhecer-te neles,

em sua sede, em sua fome, em sua solidão e em sua dor.

 

Suscita em nossa Família Vicentina

a unidade, a simplicidade, a humildade

e a chama da caridade

que inflamou o coração de São Vicente de Paulo.

 

Dá-nos a força para que, fiéis à prática destas virtudes,

possamos contemplar-te e servir-te na pessoa dos Pobres

e um dia unir-nos a ti e a eles no teu Reino. AMÉM.

 

Canto (opcional)

 

QUARTA REFLEXÃO

 

COMPROMISSO POLÍTICO VICENTINO

 

 

Objetivo do quarto encontro

 

            Aprofundar o que significa trabalhar com os sistemas que causam pobreza.

 

Canto (Opcional)

 

Oração para a mudança de estruturas

 

Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus, Criador do Universo. 

Fizestes boas todas as coisas e nos destes a terra para que a cultivássemos.

Fazei que saibamos usar sempre agradecidamente as coisas criadas

e partilhá-las generosamente com todos os necessitados.

Dai-nos criatividade ao ajudar os Pobres em suas necessidades humanas básicas.

Abri nossas mentes e nossos corações para que possamos ficar ao lado deles e ajudá-los a mudar as estruturas injustas que os mantêm na pobreza.

Fazei que sejamos irmãos e irmãs para com eles, amigos que caminham com eles

em suas lutas pelos direitos humanos fundamentais.

Nós vo-lo pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Leitura da Escritura (Lucas 11, 37-46)

 

Introdução

 

            Neste texto do Evangelho, Jesus ataca duramente os oficiais daquele tempo pelos abusos do poder e pela preocupação deles com o protocolo. Suas ações irrefletidas causavam cargas insuportáveis para o povo. O papel da autoridade é prioritariamente o bem-estar dos outros.

            Nossas vidas como cristãos não podem excluir a política. O amor pelos outros não será eficaz se não fizermos todo o possível para modificar as causas das situações em que eles se encontram.

            Em muitas ocasiões, São Vicente teve que intervir em assuntos políticos para aliviar os sofrimentos dos Pobres. Chegou a ser uma personalidade pública com grande influência.  Durante sua vida, teve contatos com reis, rainhas, ministros, autoridades públicas, nobreza, membros da mais alta hierarquia da Igreja e também com figuras nacionais e internacionais. Convocou os poderosos para ajudar os Pobres.  Sabia que decisões tomadas pelos grandes afetam os pequenos. Aproveitou das circunstâncias que o ajudaram a tomar parte do Conselho de Consciência da Rainha Ana de Áustria, mãe de Luís XIV.

            Movido pela miséria que via, decidiu agir sobre os que tomavam decisões, porque, como na atualidade, decisões políticas causam fome, guerras e calamidades.

            Em seu tempo, muitas das pobrezas na França eram causadas pelas políticas ambiciosas de seus primeiros ministros, o Cardeal Richelieu e mais tarde o Cardeal Mazzarino. São Vicente nunca teve medo  de falar ao poderoso. Durante o conflito da Fronda, Paris ficou seis meses em estado de sítio pelo exército real, que esperava que a fome provocasse a rendição.  São Vicente presenciou tal desespero e decidiu agir politicamente para evitar aquela catástrofe humanitária. Tratou de convencer a rainha Ana a acabar com aquele cruel assédio e a demitir o Cardeal Mazzarino. Nessa ação, arriscou a própria vida, já que poderia ser considerado traidor e por isso executado.

            Em muitas ocasiões, frente a situações terríveis de prisioneiros convertidos em escravos pelas autoridades argelinas, tratou de agir. Apelou em favor da libertação deles junto a um Almirante francês. Noutra ocasião, diligenciou junto a um alto funcionário do Estado para que os Missionários da Congregação fossem nomeados Capelães dos Cônsules franceses em Túnis e Argel, para que os prisioneiros pudessem ser mais bem tratados.

            São Vicente fez todo o possível para que as autoridades de seu tempo entendessem que deveriam apoiar as obras de caridade Tratou de sensibilizar os políticos em relação à obrigação moral deles com respeito aos Pobres. Deste modo, pôde fundar e dirigir hospitais com dinheiro do Estado. 

            No seguimento de São Vicente, o Cristão vicentino deve ir ao encontro das necessidades pessoais dos Pobres, nossos irmãos em Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, à luz dos princípios evangélicos, deve tentar reformar as estruturas sociais injustas, para não perpetuar ou esconder as causas da pobreza. Isto significa que devemos ter  “um coração caridoso junto com uma consciência social” (Pe. Jaime Corera, C. M.).

            Finalmente, podemos dizer que São Vicente não era um político, mas um Santo com todas as qualidades de um homem de Estado.

            Por sua vez, Santa Luísa convida as primeiras Irmãs a dirigir-se às autoridades para fazê-las conhecer a defender as necessidades dos Pobres se e quando necessário. As Irmãs não devem ter medo de informar os governantes e de urgir com eles para que pensassem nas conseqüências de suas ações em relação aos mais pobres. Numa ocasião, a Irmã Bárbara Angiboust, uma jovem camponesa, foi falar com a rainha Ana de Áustria. (A Way to Holiness, p. 134 – citação de Santa Luísa a Bárbara Angiboust, abaixo).

 

Reflexão pessoal, partilha e escuta

 

            Quando vemos suas ações, notamos que São Vicente:

            Atacou as causas que produziam pobrezas.

            Nunca tomou partido em casos de rivalidades políticas; mas isto não significa que não interveio.

            Quando o exigia a justiça, a caridade e a compaixão pelos sofrimentos do Pobre, “sua vocação pessoal de evangelizar o Pobre, e nada mais, o obrigou a intervir em questões de natureza política” (Pe. Corera, C.M.).

            Praticou a caridade cristã tendo uma forte consciência social.

 

            Você pode pensar numa situação semelhante em que agiu politicamente em benefício dos Pobres?

            Como tudo isto fala a seu coração vicentino?

 

Refletir junto com os outros sobre o próprio serviço

 

            A mudança de estruturas inclui:

            Usar processos políticos para interceder pelo Pobre.

            Reconhecer os temas sociais correntes e tomar consciência deles.

 

Sabedoria Familiar

 

            “O problema hoje é saber se a sociedade se lançará na busca sempre crescente do prazer e do lucro, ou então se cada um se dedicará ao bem comum... Muitas pessoas já têm demasiado e ainda querem mais. Outros não têm o suficiente, ou não têm nada, e querem arrebatar pela força o que não lhes é dado. Há uma ameaça de guerra entre estes dois grupos: de um lado, o poder da riqueza; do outro, a força do desespero. Devemos pelo menos reduzir o impacto do choque entre esses dois grupos, se não o pudermos impedir” (Frederico Ozanam).

            “Creio, minha querida Irmã, que você tem a satisfação de ter próxima nossa boa rainha em Fontainebleau. Se sua Majestade deseja falar com você, não faça dificuldade, embora o respeito que você deve à sua pessoa lhe cause medo de aproximar-se dela. A virtude e a caridade dela inspiram confiança aos mais humildes, de modo que lhe dizem suas necessidades. Sobretudo, não deixe de lhe falar com confiança das necessidades dos Pobres” (Santa Luísa à Irmã Bárbara Angiboust, pelo ano 1648, Carta 432).

 

Modelo de estratégias

 

            Promover a co-responsabilidade e o trabalho em redes, sensibilizando a sociedade em todos os níveis – local, nacional e internacional… para mudar as condições injustas que afetam a vida dos Pobres.

            Lutar pela transformação das situações injustas e por ter um impacto positivo, através de ações políticas sobre as políticas públicas e as leis.

 

            Partilhe com os outros alguma nova percepção ou ação que você se sente desafiado a enfrentar.

            Essas estratégias são parte de nossa maneira ordinária de agir?

 

Oração da Família Vicentina

 

Senhor Jesus, tu que te fizeste pobre,

faze que tenhamos os olhos e o coração voltados para os Pobres

e que possamos reconhecer-te neles,

em sua sede, em sua fome, em sua solidão e em sua dor.

 

Suscita em nossa Família Vicentina

a unidade, a simplicidade, a humildade

e a chama da caridade

que inflamou o coração de São Vicente de Paulo.

 

Dá-nos a força para que, fiéis à prática destas virtudes,

possamos contemplar-te e servir-te na pessoa dos Pobres

e um dia unir-nos a ti e a eles no teu Reino. AMÉM.

 

Canto (opcional)

 

QUINTA REFLEXÃO

 

SER UM MEMBRO PROFÉTICO DA FAMÍLIA VICENTINA

 

Objetivo do quinto encontro

 

            Compreender que dizer a verdade põe o mundo de pernas para o ar.

 

Canto (Opcional)

 

Oração para a mudança de estruturas

 

Nós vos louvamos e vos agradecemos, ó Deus, Criador do Universo. 

Fizestes boas todas as coisas e nos destes a terra para que a cultivássemos.

Fazei que saibamos usar sempre agradecidamente as coisas criadas

e partilhá-las generosamente com todos os necessitados.

Dai-nos criatividade ao ajudar os Pobres em suas necessidades humanas básicas.

Abri nossas mentes e nossos corações para que possamos ficar ao lado deles e ajudá-los a mudar as estruturas injustas que os mantêm na pobreza.

Fazei que sejamos irmãos e irmãs para com eles, amigos que caminham com eles

em suas lutas pelos direitos humanos fundamentais.

Nós vo-lo pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Leitura da Escritura (Lucas 4, 16-24)

 

Introdução

 

            São Vicente amava a verdade. Na realidade, enfocou toda a sua vida na verdade. Chamou de “simplicidade” esta paixão pela verdade.

            Simplicidade “é a virtude que mais amo”, nos diz São Vicente. “Eu a chamo meu Evangelho”.

            Para São Vicente, Jesus é totalmente simples. Diz a verdade. Diz as coisas como são. Suas intenções são puras, referindo a Deus todas as coisas da vida.

            Não tem medo de falar claro e, no Evangelho segundo São Lucas, começa seu ministério desta maneira: citando o Antigo Testamento e anunciando as Novas Notícias aos Pobres, Jesus proclamou a linha de seu ministério. Muitas vezes nos Evangelhos, Jesus desafia as autoridades civis e as autoridades da Igreja, convidando-as a refletir sobre a verdade (Lc 12, 1ss).

            Hoje, como no tempo de São Vicente, simplicidade significa sinceridade, transparência. Continua sendo uma atração para os homens e as mulheres do mundo moderno que somos chamados a servir. Significa:

            Dizer a verdade (uma disciplina difícil, especialmente quando nossa própria conveniência está em jogo ou quando a verdade é algo desconcertante).

            Dar testemunho da verdade (ou da autenticidade pessoal que faz a vida de uma pessoa valer o que suas palavras).

            Andar buscando a verdade como um caminhante, mais que possuí-la como um proprietário.

            Lutar pela pureza de intenção.

            Praticar a verdade através de obras de justiça e caridade.

            Viver modestamente e partilhar o que temos.

            Usar uma linguagem clara e transparente, especialmente no ensino e na pregação.

 

            “Quero dizer hoje a todos os membros de nossa Família: Sejam apaixonados pela verdade. Sejam sinceros” (Pe. Robert Maloney, C. M. “On Living the Spirituality of Vincent de Paul Today,” conferência feita na Irlanda em março de 2000).

            Profecia significa desafiar as pessoas a terem uma visão nova.  Com freqüência isso é incômodo.

            São Vicente virou a Igreja de ponta-cabeça. Pôs os Pobres no alto, com o resto de nós a serviço e como base, evangelizando-os e sendo evangelizados por eles. Uma constante atenção na busca de uma sociedade justa precisa de solidariedade; solidariedade é o centro dos valores vicentinos. Podemos fazer muito pouco, se não influenciamos e comprometemos outros junto conosco. Precisamos não só compreender São Vicente e Santa Luísa no contexto de seu tempo, mas também traduzir seus ensinamentos para nosso tempo (Pe. Robert Maloney, The Way of Vincent de Paul).

 

Reflexão pessoal, partilha e escuta

           

            De que maneira praticamos a verdade por meio de nosso serviço?

            Nosso serviço é coerente com o que dizemos?

            Como tudo isto fala a nossa coração vicentino?

 

Refletir junto com os outros sobre o próprio serviço

 

            A mudança de estruturas inclui:

            Dizer a verdade e ser testemunha dela

            Desafiar para que haja uma nova ordem no mundo.

 

Sabedoria Familiar

            “São Vicente também oferece um mundo alternativo e nos pede que entremos nele: é um mundo onde os Pobres são os patrões e onde somos os servos. É um mundo onde os últimos são os primeiros e os primeiros são os últimos. É um mundo que em certo sentido está de pernas para o ar. Santa Luísa usava uma bonita expressão: O Pobre é o primeiro na Igreja. É o príncipe e o senhor, sendo algo assim como a encarnação do Cristo pobre. Devemos servi-los com respeito, sem levar em conta seu caráter e seus defeitos. Temos que amá-lo” (J. Calvet, Louise de Marillac par elle-même).

            “Deus me concedeu tão grande estima pela simplicidade que a chamo meu Evangelho. Tenho uma especial devoção por dizer as coisas como são” (São Vicente).

            “Uma das máximas do mundo é não ser suficientemente aberto para os outros. Mas as pessoas de bom coração expõem seu parecer com toda simplicidade. Suas palavras não contradizem seus sentimentos. Mas a máxima do mundo consiste em enganar os outros. As pessoas boas agem retamente sem usar rodeios. É desse modo que devem agir” (São Vicente).

 

Modelo de estratégias

 

            Ter uma atitude profética: anunciar, denuncia e, trabalhando em redes, engajar-se em ações que façam pressão para obter mudanças.

            Construir modelos estruturais e institucionais, em que as comunidades possam identificar seus recursos e suas necessidades, tomar decisões bem fundamentadas, intercambiar informações e estratégias eficazes dentro da comunidade e entre distintas comunidades.

 

            Partilhe alguma outra percepção ou ação que você se sente desafiado a enfrentar.

            Estas estratégias são parte de nosso modo de agir?

 

Oração da Família Vicentina

 

Senhor Jesus, tu que te fizeste pobre,

faze que tenhamos os olhos e o coração voltados para os Pobres

e que possamos reconhecer-te neles,

em sua sede, em sua fome, em sua solidão e em sua dor.

 

Suscita em nossa Família Vicentina

a unidade, a simplicidade, la humildade

e a chama da caridade

que inflamou o coração de São Vicente de Paulo.

 

Dá-nos a força para que, fiéis à prática destas virtudes,

possamos contemplar-te e servir-te na pessoa dos Pobres

e um dia unir-nos a ti e a eles no teu Reino. AMÉM.

 

Canto (opcional)

 

(Tradução do original inglês pelo Pe. Lauro Palú, C. M.)



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