“Alarga o espaço de tua tenda, estende a tua lona — nada de economia —
estica a corda, finca a estaca!” (Is 54,2)

 

 

Aconteceu na Fazenda do Engenho, à sombra do Santuário do Caraça, entre o dia 05 e 09 de setembro, o retiro da Província Brasileira da Congregação da Missão, orientado pelo Padre Eli Chaves dos Santos, C.M., que atualmente está em Roma, Itália, trabalhando como Assistente Geral da Congregação.

 

Iluminados pelo texto do Profeta Isaías (54,1-5), o retiro possibilitou aos participantes uma fecunda experiência de Deus, que continua convocando seu povo e o atraindo para si. Eram pouco mais de 40 Coirmãos, vindos de quase todas as Comunidades da Província. Certamente, a experiência deste retiro levará a todas as Casas e Obras, e àqueles que por um motivo ou outro não puderam participar, as mais ricas graças e bênçãos de Deus.

 

Abrindo o retiro com a Celebração Eucarística, no dia 05, o pregador já deu as primeiras coordenadas da oração, meditando sobre o texto proposto de Isaías. Insistiu para que fôssemos capazes de estender os espaço de nossa tenda, abrigando o próprio Deus em nós, dando espaço, no tumulto do mundo, para a presença e a graça divinas. Disse que, em tempos de encurtamento das tendas, expressão usada para ilustrar os reducionismos, as divergências e os paradoxos do mundo atual, é preciso mais do que nunca esticar os espaços de nossa tenda, dilatando nosso coração em direção a Deus, aos irmãos e às grandes causas do Evangelho do Reino.

 

Na manhã do segundo dia, 06, a meditação apontou para a importância de se estender a lona da espiritualidade vicentina sobre nossa própria vida, quer dizer, acolher com fecundidade o dom que Deus nos deu como missão que é o carisma de São Vicente de Paulo. Apoiado na leitura do evangelho de Lucas (6,19; 8,43-48), a cena da mulher com hemorragia há dozes anos, o pregador comentou que Jesus era um carismático, sobre o qual estava permanentemente a tenda do Espírito de Deus. Assim como São Vicente, outro carismático que fez opção para ficar sob a tenda do Espírito, também nós assim devemos agir, colocando-nos sob a ação do Espírito de Deus e deixando que, a partir de nós, também saia para o mundo uma força transformadora e curativa.

  

Pela tarde, o tema foi “fixar a estaca da formação”, a partir do qual Padre Eli propôs a formação permanente como um caminho mais que fundamental para ser trilhado. Partindo do evangelho de Mateus (9,35-38), que retrata a cena em que Jesus sente compaixão da multidão, o pregador apresentou esta compaixão missionária como necessidade para todos nós. Se queremos ser missionários vicentinos de verdade é preciso adquirir, pela graça de Deus, esta compaixão, que nos invada e incomode, levando-nos a um compromisso mais decisivo com os Pobres. Comentou também sobre a expressão do documento final da Assembleia Geral de 2010 que diz que somos “bens dos Pobres”. Dos Pobres são nossos bens, nossas propriedades, nossa missão e o horizonte de nosso carisma. Especialmente, nós somos dos Pobres. E exatamente por causa disso, a formação permanente é uma urgência. É um dever dos consagrados e um direito da Igreja, do povo e dos Pobres, que merecem missionários “santos e sábios”, verdadeiros discípulos e missionários audazes.

 

Na manhã do terceiro dia, 07, a partir do evangelho de João (17,10-33), Padre Eli apresentou-nos a “estaca da comunidade”. Relembrando a todos a importância de construirmos comunidades sadias e felizes, baseadas no amor e na corresponsabilidade, o pregador salientou a necessidade de transformarmos nossas comunidades em oásis de humanidade, para que todos possam crescer e se desenvolver humana e espiritualmente. É preciso reforçar a cada dia e a todo instante o amor que constrói o humano pela mediação da comunidade. Nessa mesma linha, tanto o encontro com Deus quanto a missão são mediados pela comunidade. E isso é fundamental para se garantir os valores evangélicos e para que ninguém se perca na defesa de conveniências subjetivas e interesses particulares.

Na parte da tarde, a partir do evangelho de Marcos (6,34-44), sobre a compaixão de Jesus pelas multidões e a partilha do pão para alimentar as multidões, Padre Eli nos convidou a “fixar a estaca da criatividade ministerial”, afirmando que o futuro da Congregação da Missão está ligado à abertura aos novos desafios dos Pobres. Para tanto, convidou-nos a sermos cúmplices dos Pobres, em suas lutas e vitórias, desafios e dramas.

  

Na manhã do dia 08, sob a proteção de Nossa Senhora, cuja Natividade celebramos, fomos convidados pelo pregador a “esticar as cordas da reconfiguração e da mudança de estruturas”. A partir do evangelho de Marcos (2,18-22), que trata dos odres e dos vinhos, dos tecidos e dos remendos, Padre Eli afirmou a urgência da reconfiguração na vida da Congregação, mas não só no que se refere a Províncias, mas a Obras, práticas, atitudes e convicções. A inflexibilidade diante das Obras e das próprias atitudes é um desserviço à Missão. Ao contrário, a abertura aos novos desafios e às novas perspectivas garante a existência da Congregação e sua atualidade e importância no cenário mundial e eclesial.

 

Na parte da tarde, a partir do evangelho de Mateus (8,18-27), que mostra Jesus chamando alguns que não aceitaram de imediato seu chamado e, em seguida, atravessa o mar sobre as águas, Padre Eli nos conclamou a “esticar as cordas da colaboração congregacional e com a Família Vicentina”. Jesus chama a Congregação para, rompendo com as seguranças próprias e desejadas da vida, ser capaz de avançar para águas mais profundas, ultrapassando fronteiras e assumindo novos desafios. Apresentando as novas experiências interprovinciais e mundiais da Congregação e comentando sobre as Missões Internacionais, o pregador nos motivou a sermos capazes de romper com o sossego de nossa vida e obra para aprofundarmos nosso espírito missionário e nossa itinerância apostólica. No que tange à Família Vicentina, apontou quatro campos de atuação: a formação; a parceria; a partilha do carisma com os leigos, especialmente os jovens; e as ações conjuntas.

No último dia do retiro, 09, sob a proteção do Bem-Aventurado Antônio Frederico Ozanam, cuja memória celebramos, Padre Eli nos convidou a “estender-se na fecundidade de uma vida no Espírito de fidelidade criativa para a missão”. A partir do evangelho de Mateus (28,6-11), que trata da ressurreição, o pregador comentou que a voltar à Galileia é retomar o caminho de Jesus, longe do vazio espiritual da velha e elitizada Jerusalém. A partir dos sonhos que a Assembleia Geral apontou para a Congregação, Padre Eli foi comentando a importância da recepção criativa do documento final da Assembleia.

Finalmente, para encerrar nosso retiro, houve a Celebração Eucarística e a homenagem aos Coirmãos jubilandos de 2011. Presidida pelo Padre Geraldo Ferreira Barbosa, C.M., Visitador Provincial, a Missa cantou louvores a Deus pela vida, vocação e consagração de nossos irmãos. Para maior agradecimento pela vida dos Coirmãos jubilandos, durante a homilia, Padre Marcus Alexandre Mendes de Andrade, C.M., fez a saudação em nome de toda a Província. A todos estes Coirmãos, nossa gratidão e homenagem por tudo o que representam para nós e para a Igreja, especialmente os mais pobres.