Paris, 28 de junho – 16 de julho de 2010

FIDELIDADE CRIATIVA PARA A MISSÃO 

I. DOCUMENTO DE SÍNTESE

1 – A 41ª Assembléia Geral da Congregação da Missão se realizou em Paris, por ocasião dos 350 anos da morte de São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac. A escolha da cidade onde ambos inauguraram novos caminhos de missão e caridade foi um desafio a mais para conseguirmos realizar o tema proposto: Fidelidade criativa para a Missão (Constituições, art. 2).

2 – Reunidos de todas as partes do mundo, reconhecemo-nos depositários de um legado que busca revitalizar-se de formas novas num mundo que muda constantemente. Uma nova metodologia parece pedir que se favoreçam o diálogo e a troca de experiências no serviço e na evangelização dos Pobres. Em relação a nós, convida-nos a vencer o medo, a saudade do passado, a desilusão, e a confiar mais no Espírito Santo que continua agindo em cada um de nós. As celebrações litúrgicas e a oração, adornadas com o matiz internacional, a linguagem e os ritmos, não só enriqueceram nossos encontros como também invocaram o Senhor para guiar nossas reflexões, controlar nossos erros, agir e responder ao futuro com prontidão, coragem, entusiasmo e generosidade.

 O SENHOR NOS CHAMA NO GRITO DOS POBRES…

3 – Fidelidade a nosso carisma significa continuar o amor de Cristo e o serviço dos Pobres. Os Pobres chegaram até nós, de modo impactante, através dos vídeos que marcaram cada sessão. Os Pobres não são meras categorias, são pessoas reais, com necessidade e sofrimentos reais. Falam-nos porque esperam que os escutemos, que ouçamos suas histórias e não lhes viremos as costas. Nossa resposta irá mais além do minuto de interiorização, da oração pessoal e das celebrações litúrgicas. Como São Vicente, que contemplou o rosto de Cristo nos Pobres de seu tempo e procurou remediar seus sofrimentos, também nós devemos ser suficientemente valentes para partilhar sua pobreza. Movidos pelo amor, iremos aonde os Pobres nos chamarem, inclusive aonde outros não se atrevem a ir, e sempre encontraremos formas criativas para remediar as necessidades deles.

4 – Quem somos nós, que desejamos responder às necessidades dos Pobres? Somos “curadores feridos”. Vemos a diminuição do número de membros em algumas Províncias e aumentos animadores em outras; em algumas comunidades, os Coirmãos experimentam desencanto, ao passo que, em outras, se busca a plenitude no ministério fora da comunidade. Tudo isto exige que reafirmemos o significado de ser uma Comunidade para a Missão: a modo de amigos que se querem bem (Regras Comuns, VIII, 2), solícitos pelo bem de todos, reconhecendo a dignidade dos irmãos e promovendo sua participação plena na vida de comunidade e no apostolado, compartilhando a fé e fortalecendo-nos mutuamente pela oração. O Senhor nos chama a viver e a formar-nos em comunidade. Agradecidos pelo que o Senhor continua realizando conosco, somos animados a oferecer nosso estilo de vida como um valor para que outros o adotem e o sigam.

5 – O Senhor abençoa nossos esforços para sermos fiéis à nossa missão. Com nossas limitações, mas também com esforços generosos, vemos exemplos de criatividade nos ministérios de nossos Coirmãos:

a) na atenção aos Pobres em situação extrema de pobreza;

b) não apenas intervindo nas crises mas fazendo um processo de reabilitação;
c) nas respostas ao desafio da nova evangelização, como por exemplo, junto aos afastados e à juventude;
d) com novas formas de missão popular: missão itinerante e missão entre os povos indígenas;
e) oferecendo uma educação integral como caminho de libertação;
f) formando o clero e o laicato para o serviço da Igreja: serviço aos clérigos para além do apostolado do seminário;
g) pelo diálogo com a cultura no mundo de hoje, pelo compromisso com o ecumenismo e pelo trabalho pela justiça e pela paz.

6 – Reconhecemos a presença reduzida ou, em alguns casos, a ausência de nossos Coirmãos em ministérios tradicionais como as missões populares ou os seminários. Por um lado, talvez isto se deva a mudanças demográficas, culturais e religiosas. De outro lado, são desafios que devemos descobrir ou respostas pastorais que temos que reexaminar para as novas formas de pobreza. Vendo o que o Senhor fez e faz por nosso intermédio, nós, ao jeito de São Vicente, queremos fazer e ser mais para os Pobres. A chamada à criatividade está, para nós, a serviço de fidelidade à missão.

… A RESPONDER COM MAIOR CRIATIVIDADE À MISSÃO E À CARIDADE
7 – Todos nós e nossos bens pertencemos aos Pobres, se cremos verdadeiramente, para além das simples palavras, que são nossos amos e senhores. A formação permanente estuda a melhor utilização de nossos melhores recursos, os Coirmãos, para a evangelização e o serviço dos Pobres. Esta disposição explica a paixão com que constantemente nos configuramos com Cristo, o evangelizador dos Pobres, num processo que implica a transformação de toda a pessoa. Vemos a comunidade como lugar onde valorizamos nossos dons, estimulamos iniciativas e desenvolvemos nossas capacidades para a vida comunitária e o apostolado. Neste trabalho, os textos normativos servem como guias de ação e devemos aproveitar todas as oportunidades que as comunidades locais oferecem, dentro das Províncias e em toda a Congregação.

8 – Os recursos materiais da comunidade são o patrimônio dos Pobres, recorda-nos São Vicente. A administração inteligente dos recursos, por um lado, deve adequar-se às normas básicas da justiça dentro da comunidade e, por outro lado, deve assegurar a viabilidade do trabalho da missão e da caridade. Estruturas auxiliares dentro da Congregação, como a Central de Solidariedade Vicentina, apoiam os projetos da comunidade e entram em associação com doadores e organizações financeiras, assegurando uma distribuição eficaz e equitativa dos recursos.

9 – Onde quer que se encontre um serviço mais eficaz do Pobre, exige-se que fortaleçamos a colaboração em toda a Congregação. Isto se expressou de vários modos:

a) No âmbito das Conferências de Províncias, existem programas de formação inicial, de formação permanente de pessoal estratégico (superiores, ecônomos, formadores, diretores espirituais, coirmãos jovens, etc.), de promoção da espiritualidade vicentina, de colaboração em missões ad gentes, de reforço às estruturas internas das Conferências e de maior comunicação entre as Províncias.
b) Também se assumem preocupações comuns em Conferências particulares: secularização e reevangelização, fundamentalismos religiosos, tribalismo étnico e intolerância cultural, descobrindo o “rosto” do carisma e da formação vicentina, a Palavra de Deus como elemento-chave na evangelização e na formação.
b) Igualmente há numerosas iniciativas nas Províncias ou nas Conferências de Províncias, que beneficiam toda a Congregação: intercâmbio de pessoal, apoio à formação de Coirmãos noutras Províncias, aprofundamento dos estudos vicentinos.

10 – Conseguir a fidelidade criativa à missão é a razão fundamental para a reconfiguração na comunidade. No âmbito mais alto, a reorganização interna da Cúria Geral, com responsabilidades concretas para cada Assistente Geral, é a resposta à necessidade de uma coordenação mais eficaz das preocupações de toda a Congregação. A revisão dos Estatutos é uma resposta normativa ao panorama em constante mutação da distribuição do pessoal e do compromisso que se dá na Congregação. A reconfiguração é uma resposta criativa quando orienta o pessoal e os recursos para uma missão e uma caridade mais eficazes, e não é simples manutenção ou consolidação de estruturas e programas que foram comprovadamente ineficazes. Justifica-se não só por utilizar melhor os recursos, mas também por fortalecer um sentido revitalizado de pertença à comunidade e um sentido renovado de plenitude entre Coirmãos, inclusive quando diminui o número deles.

11 – A mudança dos sistemas de estruturas indica claramente que não há unicamente pessoas que são pobres, mas também que existem na sociedade estruturas que mantêm os Pobres oprimidos e empobrecidos. Como prática pastoral, centra-se em romper o ciclo da pobreza em suas causas e capacita os Pobres para que se responsabilizem pela direção de seu próprio destino.

São Vicente disse aos Coirmãos: “se há alguns entre nós que pensem que estão na Missão para evangelizar os Pobres e não para cuidar deles, para remediar suas necessidades espirituais e não as temporais, dir-lhes-ei que temos que assisti-los e fazer que os assistam de todos os modos, nós e os demais” (conferência de 6 de dezembro de 1658). A mudança dos sistemas de estruturas é um marco para a caridade organizada e eficaz. Implica uma relação entre a proclamação da Palavra de Deus, as atividades pastorais e o compromisso com sistemas que afetam os Pobres. Projetos de mudanças estruturais nos põem em contato com pessoas, agências e instituições de fora da comunidade. Devemos, por conseguinte, discernir constantemente as implicações de tal colaboração em nossa vida comunitária, até nos comprometermos com essas agências e instituições.

12 – A Família Vicentina é formada por leigos e comunidades de vida consagrada que se inspiram na vida e no carisma de São Vicente e compartilham o ethos do serviço amoroso ao Pobre. O que une todos os membros da Família é o amor apaixonado pelos Pobres no jeito de São Vicente e Santa Luísa. Servindo aos Pobres, experimentamos que temos muito que aprender uns dos outros, sem esquecer que somos evangelizados pelos mais pobres a quem servimos. A colaboração se constrói sobre o respeito pelo específico da missão de cada ramo e pela competência de seus líderes. Ao mesmo tempo, escutamos a expressão da necessidade da animação dos líderes e de sua formação na espiritualidade vicentina. Deve-se buscar essa colaboração em todos os níveis, para garantir o essencial: que se sirvam os Pobres, como uma revelação do amor do Deus compassivo.

II. LINHAS DE AÇÃO – 2010-2016

            A 41ª Assembleia Geral da Congregação da Missão, celebrada em Paris na ocasião dos 350 anos da plenitude da vida de São Vicente de Paulo e de Santa Luísa de Marillac (1660-2010), com o tema “Fidelidade criativa para a Missão”,
– Sabe-se responsável por um grande patrimônio, desde São Vicente e dos primeiros Coirmãos, até hoje
– Sendo dócil ao Espírito Santo, quer dinamizar sua fidelidade criativa para a Missão.
– Compromete-se a recriar o carisma, atenta aos sinais do nosso tempo.

            Seguidores de Jesus Cristo, evangelizador dos Pobres, deixamo-nos modelar pela voz da Palavra, pela criação e pela história; pelo rosto da Palavra, Jesus Cristo e os Pobres; pela casa da Palavra, a Igreja e a comunidade; peloscaminhos da Palavra, a Missão (cf. 12ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Mensagem final. Roma, 2008).

I – FIDELIDADE

“…não que eu tenha alcançado a meta nem conseguido a perfeição, mas continuo minha corrida na esperança de alcançá-la, tendo sido eu mesmo alcançado por Jesus Cristo… Irmãos, … qualquer que seja o ponto aonde tenhamos chegado, continuemos pelo mesmo caminho” (Fl 3, 13, 16).

“Enquanto vamos caminhando” (cf. Lc 24, 13-14), como os discípulos de Emaús na manhã da Páscoa, descobrimos com Jesus, o Senhor, o sentido de quanto vivemos nos últimos anos:

a) Em nível social

– O aumento da pobreza e da miséria.
– O incremento da vulnerabilidade entre os Pobres, as crianças, as mulheres, os jovens e os idosos.
– O impacto econômico, ecológico e humano da atual crise financeira mundial.
– A influência das mudanças socioculturais no compromisso de estabilidade, na vida de oração e na vida comunitária dos Coirmãos.
– A nova sensibilidade em torno dos “Objetivos do Milênio”.
– A busca de paz com justiça social.

b) Em nível eclesial

– A busca de Deus fora da Igreja e das experiências religiosas tradicionais.
– A fome da Palavra de Deus.

c) No nível da Congregação

– A revisão de nossa vida à luz das Constituições, na Assembleia Geral de 2004, e a revisão dos Estatutos da Congregação, nesta Assembleia de 2010.
– O sofrimento com e pelos irmãos em dificuldades.
– O impulso de experiências formativas interprovinciais.
– O intercâmbio de Coirmãos, nossa principal riqueza, e de recursos econômicos entre as Províncias.
– A reflexão sobre a reconfiguração para a vitalidade das Províncias.
– O fortalecimento das Conferências de Visitadores.
– A consolidação de fundos econômicos para a formação, a missão e os Pobres.

 II – CRIATIVIDADE

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8).

            Ao escutar Jesus, o Senhor, que veio “evangelizar os Pobres” (cf. Lc 4, 18) e assim “fazer novas todas as coisas” (cf. Ap 21, 5), renovamos nossa CONVICÇÃO: “Em razão de seu fim, tendo em vista o Evangelho e sempre atenta aos sinais dos tempos e aos apelos mais urgentes da Igreja, a  Congregação da Missão procurará abrir caminhos novos e empregar meios adequados às circunstâncias dos tempos e dos lugares. Além disso, terá o cuidado de avaliar e organizar suas obras e ministérios, de modo a permanecer em estado de renovação contínua”  (Constituições, art. 2).

            Os rostos sofridos dos Pobres são rostos sofridos de Cristo (Mt 25, 40). Interpelam nossa vivência do carisma vicentino, já que o que se refere a Cristo passa pela opção evangélica pelos Pobres e que tudo o que se relaciona com os Pobres remete a Jesus Cristo.

            A partir destas CONVICÇÕES sonhamos com o futuro da Congregação e com a Congregação do futuro: mais enraizada na experiência de Deus; mais comprometida com a sorte dos Pobres e com a formação de sacerdotes e leigos; mais identificada com a unidade e diversidade na Trindade (Constituições, art. 20); mais mística e profética; mais audaz e engenhosa; menor, mas com um estilo de vida mais testemunhal e animador… em vista de construirmos o reino de Deus entre os Pobres.

III – PARA A MISSÃO

“Jesus voltou à Galileia com o poder do Espírito… no sábado foi à sinagoga, como era seu costume… desenrolou o livro e encontrou a passagem onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me ungiu para levar boas notícias aos Pobres, para anunciar a liberdade aos cativos e a recuperação da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos…” (Lc 4, 14-18).

“Nesta vocação vivemos de modo muito conforme a Nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo parece, quando veio a este mundo, escolheu como principal tarefa assistir os Pobres e cuidar deles. E se se perguntasse a Nosso Senhor: Que viestes fazer na terra? responderia: Assistir os Pobres… E se se perguntasse isso a um Coirmão, não seria para ele uma grande honra dizer como Nosso Senhor: O Senhor me mandou evangelizar os pobres? Estou aqui para catequizar, instruir, confessar, assistir os pobres” (SVP XI, 33-34).

            Como Missionários, “discípulos do Senhor” (cf. 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Aparecida, 2007), que veio “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10, 10), os membros da Congregação da Missão nos propomos desenvolver, nos próximos seis anos, as seguintes LINHAS DE AÇÃO:

1.  A Formação contínua (inicial e permanente):
1. 1.   Colocar a Palavra de Deus e Jesus Cristo, a Palavra, a Regra da Missão, no centro de nossa vida e missão, como eixo transversal da formação, da espiritualidade e da ação evangelizadora (cf. Regras Comuns, II).
1.2.    Fortalecer em nossa espiritualidade e em nosso compromisso a dimensão místico-profética e de comunhão.
1.3.    Criar programas formativos que fortaleçam nossa fidelidade à vocação e nossa resposta às necessidades do século XXI.
1.4.    Assumir nossa formação permanente como compromisso de cada dia, a partir da oração, da reflexão sobre nossas experiências, da vivência de nosso ministério.
1.5.    Favorecer a abertura à oportunidade que nos oferecem as novas linguagens e as técnicas do mundo digital, com sentido crítico e em função da Comunhão e da Missão.
1.6.    Impulsionar o intercâmbio de experiências de formação no nível das Conferências de Visitadores e de toda a Congregação.
1.7.    Refletir, no nível das Comunidades locais, das Províncias e das Conferências de Províncias sobre novos espaços ministeriais para a vocação dos Irmãos.

2. A Reconfiguração
2.1.    Aprofundar, nas comunidades locais, nas equipes provinciais de governo, nas assembleias provinciais e nas Conferências de Províncias, o estudo da reconfiguração no que se refere ao âmbito interno da Província e às relações para o futuro da Congregação.
2.2.    Cultivar o sentido da pertença à Congregação, vital e concreto, para além do sentido de pertença à comunidade local e provincial.
2.3.    Criar espaços de colaboração interprovincial em nível administrativo.
2.4.    Compartilhar os recursos humanos e financeiros.

3. O diálogo com os Pobres e com a Família Vicentina
a) Com os Pobres
3.1.  Escutar os Pobres em cada um de nossos ministérios e esforçar-nos para participar na vida,                                                                                            nos sofrimentos e nas esperanças deles.
3.2.  Esforçar-nos por compartilhar com os Pobres os processos que lhes permitam ser sujeitos de
sua própria história, protagonistas de seu destino e agentes de sua libertação.

b) Com a Família Vicentina e como Família Vicentina
3.3.  Impulsionar a reflexão teológica sobre os desafios e os bens que brotam da partilha do nosso carisma com os leigos.
3.4.   Intensificar a colaboração com a Família Vicentina na formação, especialmente em relação com a espiritualidade vicentina, a Doutrina Social da Igreja e a liderança dos leigos, que assegure sua presença transformadora na sociedade em favor dos Pobres.
3.5.  Comprometer-nos a trabalhar na evangelização dos Pobres, junto com os membros da Família Vicentina e com os outros grupos eclesiais, e participar também de organismos sociais na defesa e promoção dos Pobres.

4. A criatividade nos ministérios
4.1.  Rever nossos ministérios e a estrutura de nossa vida comunitária e reforçar sua dimensão              missionária.
4.2. Fomentar a disponibilidade pessoal e a itinerância para participarmos em projetos missionários novos e ousados.
4.3.    Empreender novas formas de serviço ao clero, desde a acolhida, o apoio pastoral e espiritual, a mútua colaboração e a formação missionária.
4.4.    Apoiar provincialmente as obras de vanguarda.
4.5.    Manter processos pastorais centrados na Palavra de Deus, na atenção aos sinais dos tempos e no protagonismo dos leigos.
4.6.    Empreender novas obras de evangelização em relação com as novas culturas emergentes e o diálogo ecumênico e interreligioso.
4.7.    Ir aos mais afastados, Missão “ad gentes”, e aproximar-nos dos mais afastados, Missão “inter gentes”.
4.8.    Participar, em nível provincial e de Conferências de Províncias, em comissões de justiça, paz e integridade da Criação.

5. A metodologia da mudança de sistemas de estruturas
5.1.    Privilegiar os trabalhos que promovem mudanças de estruturas na sociedade: reforço do autogoverno local, formação de grupos de autoajuda, programas de microcréditos autóctones.
5.2.    Estar atentos aos sinais dos tempos no contexto global atual: para que as estruturas sociais se impregnem de uma orientação evangélica e a participação cidadã se centre no clamor dos Pobres, em fidelidade às formas de intervenção que São Vicente de Paulo empreendeu em seu tempo.
5.3.    Favorecer o trabalho em equipes e em redes.
5.4.    Formar missionários com espiritualidade e metodologia que favoreçam a conversão pessoal e pastoral e a mudança estrutural.
5.5.    Proporcionar assistência legal para a defesa dos Pobres e a promoção da justiça.
5.6.    Criar programas que detenham o tráfico de pessoas e assegurem a promoção da vida, o acesso universal à sanidade social, o cuidado do meio ambiente, a dignidade das mulheres e das crianças, os direitos dos emigrantes e a participação cidadã.

            Durante a Assembleia Geral, reunimos-nos por grupos continentais e, depois de haver considerado estas Linhas de Ação, propusemo-nos os seguintes COMPROMISSOS:

III. COMPROMISSOS CONTINENTAIS

CONFERÊNCIA DOS VISITADORES DA ÁSIA E DO PACÍFICO (APVC)

Comprometemo-nos com:

1. A formação contínua

a) Continuar a formação dos Formadores, complementando-a com experiências de imersão em  temas relacionados com o contexto da Ásia e do Pacífico.
b) Abrir uma página “web” (APVC), para ajudar os Coirmãos em sua formação contínua e para favorecer o diálogo de nossas comunidades.

2. A reconfiguração

a) Estudar as possibilidades de uma formação inicial comum dos candidatos nos distintos níveis, sempre que seja possível.
b) Estudar as possibilidades de compartilhar nossos recursos profissionais de pessoas em nossas  Províncias.

3. O diálogo com os Pobres e com a Família Vicentina
a) Criar estruturas que nos permitam escutar as dificuldades reais dos Pobres e compartilhar os  programas efetivos que já existem em nossas Províncias.
b) Organizar atividades comuns de formação entre os membros da Família Vicentina, facilitadas pelos representantes continentais da Congregação da Missão a toda a Família Vicentina da região.

4. A criatividade nos ministérios
Explorar novas formas de missões populares que tenham relação com as necessidades de nossos tempos em diferentes contextos.

5. A metodologia da mudança de sistemas de estruturas
Explorar as possibilidades de ministérios comuns entre os trabalhadores deslocados (refugiados) ou emigrados nos países da Ásia e do Pacífico.

CONFERÊNCIA EUROPEIA DOS VISITADORES DA MISSÃO (CEVIM)

Comprometemo-nos com:

1. A formação contínua
Continuar a formação contínua atual, especialmente a dos Coirmãos que trabalham em Ministérios Pastorais. A próxima reunião será com os Coirmãos que trabalham com a juventude.

2. A reconfiguração
Explorar as possibilidades de estabelecer um Teologado Interprovincial em nível europeu ou, pelo menos, para os países mediterrâneos, utilizando uma só língua básica.

3. O diálogo com os Pobres e com a Família Vicentina
Na Europa, há grande diversidade de grupos e experiências que têm sua origem no carisma vicentino. Queremos:

– Estudar a extensão desta diversidade
– Passar algum tempo conhecendo-os melhor e estudando suas vidas
– Escutar, dialogar e estabelecer novos laços de união
– Desenvolver um programa de avaliação

Isto quer dizer organizar um encontro europeu e convidar os representantes desses grupos que compartilham nosso carisma.

4. A criatividade nos ministérios
Explorar a possibilidade de estabelecer uma Comunidade Interprovincial em nível de CEVIM, para ir introduzindo um ministério ou ministérios em nossas missões que já existem na Europa.

5. A metodologia da mudança de sistemas de estruturas
Realizar três sessões em distintas línguas (inglês, espanhol e italiano) sobre metodologia da mudança de sistemas de estruturas que atinja toda a Família Vicentina que vive em áreas européias em que se falem essas línguas.

CONFERÊNCIA LATINO-AMERICANA DE PROVÍNCIAS VICENTINAS (CLAPVI)

Comprometemo-nos com:

1. A formação contínua
Apoiar as distintas promoções de formação que já existem na CLAPVI e participar delas.

2. A reconfiguração

a) Rever nossas obras, para que nos permitam ter mais Coirmãos disponíveis para apoiar os  ministérios fundamentais.
b) Apoiar os projetos interprovinciais já existentes de colaboração e ajuda.

3. O diálogo com os pobres e com a Família Vicentina

a) Estimular o encontro direto com os Pobres para escutá-los e participar de algum modo na situação deles.
b) Criar em cada Província uma escola de formação laical aberta à Família Vicentina.

4. A criatividade nos ministérios
Criar uma página @ que nos permita compartilhar os distintos ministérios da Província.
5. A metodologia da mudança de sistemas de estruturas
a)Rever nossas obras sociais à luz dos critérios de mudança de sistemas de estruturas.
b) Criar uma equipe em nível interprovincial que nos ajude a encontrar e multiplicar os  conteúdos e os processos da mudança de estruturas.

CONFERÊNCIA DOS VISITADORES DA ÁFRICA E MADAGASCAR (COVIAM)

Comprometemo-nos com:

1. A formação contínua
a) Continuar o programa de formação de Formadores e abri-lo à formação para outros   ministérios.
b) Aprofundar a espiritualidade vicentina na África e em Madagascar, através da formação permanente, e animar os Coirmãos a se dedicarem mais aos estudos vicentinos.

2. A reconfiguração
Promover a formação interprovincial já existente.

3. O diálogo com os Pobres e com a Família Vicentina
Continuar colaborando com a Família Vicentina em sua luta contra a malária, a AIDS-HIV e a fome.

4. A criatividade nos ministérios
Aprofundar nossas atividades pastorais de reconciliação entre as tribos ou os diferentes grupos que lutam uns contra os outros e, quanto pudermos, criar ministérios que promovam a paz, em conformidade com o segundo Sínodo da África.

5. A metodologia da mudança de sistemas de estruturas
Trabalhar com os Coirmãos nas Nações Unidas e com a Família Vicentina, para encontrar caminhos que reduzam o problema do tráfico de mulheres na África e em Madagascar.

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS VISITADORES DOS ESTADOS UNIDOS (NCV)

Comprometemo-nos com:

1. A formação contínua
Sob a direção da NCV e de seus Conselhos:

a) Oferecer a nossos Coirmãos os assuntos tratados na Assembleia Geral e seus frutos.
b) Planejar sessões de formação contínua bianual para os membros que hajam emitido os votos  ou se tenham ordenado durante um período de um a cinco anos.

2. A reconfiguração

a) Continuar o Programa de Formação Nacional (inicial)
b) Continuar o processo de reconfiguração:

– Província Ocidental, a criação de uma nova cultura provincial e a compreensão de   reconfiguração.
– Província Oriental, Nova Inglaterra e Oeste: continuar dialogando sobre a colaboração e sobre uma futura reconfiguração.

3. O diálogo com os Pobres e com a Família Vicentina
Em nível provincial, restabelecer a comunicação regular com os líderes da Família Vicentina na América.

4. A criatividade nos ministérios

a) Estabelecer reuniões de Coirmãos de ministérios semelhantes para avaliar seu apostolado em conformidade com as Linhas de Ação, item 4.
b) Sob a direção da NCV, promover um ministério criativo baseado nas Linhas de Ação, item

5. A metodologia da mudança de sistemas de estruturas

a) Aproveitando “Zafen”-Haiti de empréstimos para microprojetos, animar os Coirmãos a participar e a aprender mais sobre a mudança de sistema de estruturas.
b) NCV explorará outras iniciativas em Haiti.

            Senhor Deus onipotente, Pai dos Pobres, fazei que possamos ser sinais de esperança para muitos, como foram São Vicente e Santa Luísa, simples companheiros de viagem pelo mar da vida. E que Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, “que compreendeu, mais profundamente que todos os crentes, os ensinamentos evangélicos e os tornou realidade em sua vida” (Constituições, art.49) e em cuja casa celebramos nossa Assembleia, anime nosso caminho de fidelidade criativa para a Missão.