XXXIV ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES VICENTINOS – ENEV, BELÉM DO PARÁ, 2017

 Crônicas

21 de julho de 2017

Aos dias 21 de julho de 2017, às 19 horas, no Seminário São Vicente de Paulo, localizado na Travessa Manoel Evaristo, na cidade de Belém, capital do Estado do Pará, deu-se início o XXXIV Encontro Nacional dos Estudantes Vicentinos, com a Celebração Eucarística presidida pelo Pe. Luís Carlos do Vale Fundão, CM (PBCM), seguido de um jantar e momento de convivência com a presença de todos participantes.

Participam do ENEV os estudantes das três Províncias da Congregação da Missão presentes no Brasil. Da PBCM, o seminarista Allyson Giovanni Garcia, CM (quarto ano de Teologia), Hugo Silva Barcelos, CM (quarto ano de Teologia), Ramon Aurélio (terceiro ano de Filosofia) e Michel (terceiro ano de Filosofia); da CMPS, Pedro (segundo ano de Filosofia) e Gilberto, CM (terceiro ano de Teologia); e os anfitriões, PFCM, Ir. Artur Macena, CM (quarto ano de Teologia), Lenilton da Silva dos Anjos, CM (segundo ano de Teologia), Jonathan Igor Marques Ramos, CM (primeiro ano de Teologia), Djedje Joaquim Garrafão, CM (primeiro ano de Teologia), Gemerson Geraldo dos Santos, CM (primeiro ano de Teologia), José Willan da Silva Medeiros (segundo ano de Teologia), Anderson Aguiar Ferreira (terceiro ano de Teologia), Samuell Victor Soares Menezes (primeiro ano de Filosofia), Lucas Araújo de Lima (primeiro ano de Filosofia), Jeferson Gomes de Jesus (primeiro ano de Filosofia).

O tema a ser estudado neste ano é Teologia e a espiritualidade dos votos na Congregação da Missão, que será ministrado pelo Padre Luís Carlos, CM.

 

22 de julho de 2017

            Iniciamos este dia, às 7h, com a Oração das Laudes, seguida do café. Às 8h30 iniciou-se a primeira assessoria, cujo o tema foi: Seguimento de Jesus na Congregação da Missão. Esta formação se estruturou sobre três pilares, a saber: 1) Chamados por Jesus; 2) o Fim da Congregação da Missão; 3) Caminho de Santidade na Congregação da Missão.

O conteúdo apresentado, fundamentado na Palavra de Deus (Mc 3,13-19), nos possibilitou conhecer e/ou aprofundar as fontes da vocação cristã, que tem como base a pessoa de Jesus Cristo. Para uma vivência autenticamente cristã, ou seja, para um fecundo discipulado, é necessário o encontro com Jesus, que nos desperta para uma configuração de nossas vidas.

Nós, que queremos seguir Jesus Cristo, o Evangelizador dos pobres, na Congregação da Missão, temos que ter claro o fim desta companhia, como está em nossa Constituição:

“ O fim da Congregação da Missão é seguir Cristo evangelizador dos pobres. Este fim se realiza, quando os coirmãos e as comunidades, fiéis a São Vicente:

1.º procuram com todas as forças revestir-se do espírito do próprio Cristo (RC, I, 3), para adquirirem a perfeição conveniente à sua vocação (RC XII, 13);

2.º se aplica a evangelizar os pobres, sobretudo os mais abandonados;

3.º ajudam os clérigos e os leigos na sua própria formação e os levam a participar mais plenamente na evangelização dos pobres” (CC § 1)

É no serviço aos pobres que o missionário Vicentino se santifica. Para tal, é necessário esforçar-se para viver aquilo que São Vicente de Paulo recebeu de Deus por carisma: o amor e reverência para com o Pai; a caridade afetiva e efetiva para com os pobres; a docilidade à Providência; a prática das virtudes; e a vivência dos Santos votos.

Ao final desta primeira formação, o Padre Luís nos provocou com a seguinte pergunta “Para que servem os votos?”. A partir dos elementos apresentados e refletidos, concluímos que é para servir os Pobres por toda a vida na Congregação da Missão, e, por isso, emitimos os votos de castidade, pobreza e obediência.

Em seguida, fizemos uma pausa.

Retornamos às 10h30 para a segunda formação, cujo tema foi Estabilidade: voto de fidelidade na evangelização dos pobres.

Padre Luís fundamentou este tema no Evangelho de João 15,1- 6 e, em seguida, fez uma breve contextualização histórica da teologia dos votos e da Vida Consagrada, como também na nossa Congregação.

O conceito do voto de Estabilidade nos coloca no serviço aos pobres, por toda a vida, na Congregação da Missão. Sempre abertos aos apelos que Deus faz a companhia. A finalidade dos votos se sustenta sobre três pilares: 1) fidelidade e perseverança por toda a vida; 2) na Congregação da Missão; 3) no serviço aos pobres.

Os efeitos do voto de Estabilidade na vida do Missionário: 1) confirma nossa decisão, cotidianamente, a nossa disposição para permanecermos no serviço aos pobres na CM; 2) no aspecto psicológico nos dá força e capacita para superar as dificuldades e momentos de crise; 3) ele dá sentido missionário aos conselhos evangélicos, já que a CM se dá na e para a missão. Sendo assim, os conselhos evangélicos tomam uma conotação apostólica junto aos pobres; 4) função profética: compromisso por toda vida em uma sociedade líquida e sinal de solidariedade com os fracos e desprezados.

Por fim, os caminhos para vivermos bem o voto de estabilidade. Buscando em São Vicente, podemos constatar todo o seu esforço para motivar cada missionário em viver o carisma, que é o mesmo do Filho de Deus. Vicente não titubeava em animar seus missionários no constante trabalho aos pobres, superando as limitações e tudo que se opõem a tal serviço. Hoje, somos chamados a superar todo o negativismo e a nos animarmos mutuamente.

O elemento deste caminho é viver apaixonado por Jesus, promovendo um espírito fraterno de diálogo e fraternidade, no cultivo e cuidado mutuo entre nós, membros desta companhia. É necessário cultivar isso entre nós, coirmãos, para que as comunidades missionárias consigam vivenciar o carisma e tenham um ecossistema saudável.

Outro fruto apresentado é a manutenção do caráter vicentino de nossos ministérios, independentemente da obra em que o missionário esteja. Isso deve estar nítido, e deve nos diferenciar.

É no contato direto com os pobres que adquirimos condições de viver e perseverar na vocação. Por fim, faz-se necessário colaborar com outras pessoas que trabalham com os pobres, ou seja, envolver-se, seja com a Família Vicentina, seja com outros movimentos e carismas da igreja ou seculares que promovem os pobres.

Encerramos esta parte da manhã com um delicioso almoço, arroz, feijão tropeiro e peixe frito com açaí, pratos típicos de Belém.

Às 14h30 retomamos ao nosso estudo. Desta vez, o tema foi Castidade e amor no celibato. Em Mt 19,1-12, o próprio Jesus constata a sexualidade como parte integrante do ser humano. É algo que não se pode negar e lutar contra. Assim, a sexualidade deve ser vivida de maneira integrada. A castidade é comum aos casais, não no sentido da privação de relação, mas no sentido conjugal, como também para os celibatários. A vida celibatária não é algo meramente da vida religiosa, mas é uma vocação que pode ser vivenciada por todos.

Ao longo do tempo, o sentido da castidade foi ampliado. Ela rompe sua mera etimologia que significa castrar. Antes do Concílio Vaticano II tinha-se uma visão bastante negativa da sexualidade. Aos religiosos era algo que deveria ser suprimido. As religiosas, por exemplo, eram praticamente masculinizadas. Entre os homens, as demonstrações afetuosas eram praticamente excluídas. Toda a rigidez da formação, quase que obsessiva, era uma forma de inibir qualquer expressão afetiva.

O Vaticano II retoma a perspectiva da castidade com uma conotação positiva, auxiliado pela psicologia e uma nova antropologia. Isso hoje reflete no modo de ser, no cuidado, na singeleza das comunidades, por exemplo.

O voto de castidade é um grande testemunho, é um valor. Em um contexto no qual o sexo deixa de ser tabu e vai para um outro extremo, que o banaliza, a nossa proposta de vida é um testemunho que nos ajuda a estabelecer relações libertadoras. Neste sentido, a castidade torna-se fonte de vida, ajuda nas relações saudáveis, na fraternidade, na comunhão.

A castidade tem várias dimensões. Primeiramente é fruto da graça, nós a recebemos quando nos dispomos em vivê-la na sinceridade. Depois, não depende meramente de nós, de nossas forças. Uma terceira dimensão é que ela é eclesial, pois nos ajuda na entrega cotidiana ao reino de Deus e a sua Igreja. É um testemunho profético.

Os fundamentos teológicos e vicentinos do celibato nos ajudam na compreensão desse estilo de vida, que deve ser assumido com um coração indiviso, em favor dos pobres. Mais do que um modo de vida, é um dom assumido na liberdade.

É necessário bem compreender este dom para vivê-lo, assumi-lo e trabalhá-lo. Isso é um bom antídoto contra toda forma de possessão, amargura e relações desequilibradas. É um auxílio para aqueles que querem amar e servir de maneira integra, profunda e fecunda.

Nos seus escritos, São Vicente deixa transparecer sua ternura, cuidado, espírito de amizade e bem querer. Um missionário realizado e feliz é como um vale que atrai para si toda a água da montanha, parafraseando São Vicente.

É necessário estarmos atentos aos nossos sentimentos, para que eles não nos traíam e também para com os sentimentos dos outros. Pessoas mal trabalhadas tendem a confundir qualquer manifestação de amor e cuidado como algo de ordem genital. Há também aqueles que têm tendências de possessão, que são controladoras, manipuladoras.

Alguns relatos evangélicos nos ajudam a compreendermos a forma como Jesus expressava sua sexualidade. No Evangelho de Jo 11, no relato da morte e ressurreição de Lázaro, a relação íntima de Jesus com aquela família mostra que ele não tinha apenas discípulos, apóstolos, mas também amigos; Jo 8,1-11 também é um bom exemplo disso, quando Jesus rompe com uma forma machista e legalista de julgar; Jo 4,1-16, acompanhamos o diálogo de Jesus com a samaritana. A exemplo de Jesus devemos ser capazes de perceber o que o outro sente e de darmos amor sem nos perdermos e criar pessoas dependentes. Ou seja, relações que não objetivam as pessoas e nós, mas que garantem a alteridade.

Os meios para vivenciarmos o celibato na castidade são: 1) relação íntima com Cristo. Devemos viver enraizados em Jesus, tendo-o como modelo de maturidade, saudável e livre. Um homem que não tinha “neuras”, mas que amava, se consumia, sem se perder e objetivar as pessoas; 2) a liberdade para o apostolado. Alguém que se relaciona com todos, não se sente ameaçado por outras lideranças, que não é rude, grosso, centralizador, mas fecundo e dinâmico; 3) vida em comunidade. A comunidade torna-se um ecossistema saudável, lugar de respeito e acolhida, de relações não superficiais, lugar de amizade; 4) amizade e prudência. É necessário amar e sentir-se amado, superando toda dureza e amargura como São Vicente mesmo viveu; 5) humildade e mortificação. Amar em verdade, renunciando toda a vivência genital da sexualidade. Ter clareza de nossas fraquezas, não nos enganando, mas trabalhando e nos formando para estar aptos para servirmos da melhor maneira possível; 6) sinceridade. Viver a castidade a partir de sua realidade.

Encerramos a assessoria deste dia as 16h. Por volta das 17h30 rezamos as Vésperas e, em seguida, nos dirigimos para um momento em comunidade em uma pizzaria, concluindo assim as atividades do dia.

23 de julho de 2017

O nosso segundo dia de encontro foi iniciado com a oração das Laudes, às 7h, e, em seguida, com o café. Às 8h30, retomamos nossos estudos.   O tema desta quarta formação foi A vivência do voto de Pobreza como participação na vida dos pobres. Por esquema temos o seguinte:

Mt 8, 18-22

  • O voto de pobreza a partir do Evangelho;
  • O voto de Pobreza na Vida Consagrada;
  • O voto de Pobreza na Congregação da Missão;
  • Meios para a vivência dos votos.

Iluminados pelo Evangelho, podemos ver que, para um seguimento mais radical de Cristo, há de se ter condições. Não basta mera vontade, disposição, mas perseverança. Não longe de nós, vários são os que rompem com a vida na CM, para seguir outro estilo de vida cristã, que também é legítimo e caminho de santidade.

As Constituições, no artigo 31, há a citação desta passagem bíblica. A leitura reforça a necessidade de estarmos livres perante os bens e dependentes apenas de Deus para vivermos o nosso carisma.

Filipenses, no hino cristológico, mostra a kénosis de Cristo, que se torna pobre, para nos enriquecer. É homem livre, e por isso se dá por inteiro, sem reservas. Viver como Cristo, que assumiu plenamente nossa humanidade, é proposta para todos nós, que o temos como regra da Missão. Sendo assim, o maior bem que podemos possuir é aquilo que somos e será isso que apresentaremos a Deus.

Os bens que possuímos são meios para a evangelização. Devemos fugir dos mecanismos de dominação que o capitalismo neoliberal apresenta. Estamos no mundo, mas não somos do mundo. O voto de pobreza não é força de acúmulo, mas sinal do Reino, que nos convida a partilhar.

Jesus é modelo da pobreza virtuosa. Nasce pobre, vive pobre, convoca os seus e propõe a pobreza como estilo de vida. Vários são os homens de posses que abrem mão de seus bens para seguir Jesus. Mas há aquele, jovem rico, que embora vivesse os mandamentos, tornou-se inapto a seguir Jesus, pois era aprisionado aos seus bens. A Igreja Primitiva já tem isso em suas bases, “os cristãos tinham tudo em comum, dividiam seus bens com alegria”.

A proposta de uma vida pobre é para toda a Igreja. Toda a comunidade dos discípulos de Jesus é convidada a não se apegar ao fascínio da riqueza. “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”; “É mais fácil um camelo passar em um buraco de agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”…

A vida consagrada vê a pobreza como um testemunho evangélico. A VRC deve ser um sacramento do Reino, que na pobreza, diminuem as distâncias; na partilha, cria unidade. Para bem vivê-la, sem desequilíbrios, é necessário ter Jesus ante seus olhos. A pobreza pela pobreza não é sinal.

A vivência dos votos sempre nos incomoda, pois é força que não permite acomodação. Todos os quatro votos que fazemos são vividos de maneira harmônica, dinâmica. Não se vive um e outro, mas todos.

A pobreza, assim como a castidade, é motivo de incompreensão por pessoas externas. Para o mundo é uma loucura. Como viver uma vida sem acumular? Para o modelo neoliberal é algo inadmissível. O consumir é sinal de bem-estar, de felicidade, de poder para tal sistema.

Como nos outros conselhos evangélicos, a pobreza, é compreendida por nós, para a missão. Ela não tem força em si, mas só se pode ser entendida e vivenciada se estiver a serviço dos mais pobres. Ela garante nossa pertença ao mundo dos pobres.

Em esfera pessoal, abraçamos a pobreza para seguir Cristo. Assumimos uma vida pobre para caminharmos com o Mestre. O desapego e a renúncia são consequência e garantia para escutarmos e respondermos àquilo que Deus interpela. O desejo de viver a pobreza não pode ser uma imposição institucional, mas uma disposição interior. Não é mera abstenção disso ou daquilo.

A pobreza deve ser responsável e consciente. Não deve ser meio para justificar a ausência de elementos necessários para uma vida confortável, não luxuosa, dos coirmãos. Precisamos dos bens para servir. Precisamos estar saudáveis para nos ofertar.

Para todos nós, é necessário viver como um trabalhador vive. Tudo que ganhamos que vem de nosso ministério, deve ser colocado em comum. Se houver o entendimento de usufruir, que seja pedido ao superior, e dada a devida licença.

A vivência da pobreza deve ser pautada por um discernimento. O que aqui foi dito, não o esgota.

Assim como os outros votos, a CM nos apresenta alguns meios para bem vivê-los. Seguem as indicações sobre o voto da pobreza: 1) evitar o acúmulo dos bens; 2) por nossos bens a disposição dos outros; 3) contato pessoal e sensibilidade com os pobres; 4) depender da comunidade. A comunidade tem que garantir a vivência do missionário. Para tal, cada um tem que ter a responsabilidade de fazer um honesto discernimento; 5) ajuda à comunidade. Deve levar em conta os bem-estar dos outros membros da comunidade. O que recebemos de nossos ministérios, deve ser posto em comum. Como também o que recebo da família, não me pode colocar em uma condição melhor que os demais membros; 6) avaliação frequente, comunitária e pessoalmente, o emprego dos bens e a vivência da pobreza. Aqui também vale destacar a prestação de conta, que permite que todos estejam a par dos bens que a comunidade e a província dispõem.

Após uma breve pausa, retomamos nossos estudos com a quinta formação: Obediência: voto de fidelidade e discernimento para a missão, estruturada pelo esquema:

Jo 17, 1 – 19

  • Obediência nos evangelhos;
  • Breve histórico do voto de obediência na Vida Consagrada;
  • O voto de obediência na Congregação da Missão: discernimento e escuta;
    • Procurar antes de tudo a vontade o Pai: Pessoal e Comunitária;
    • Diálogo franco e responsável;
    • Corresponsabilidade;
    • A obediência é o ponto de encontro entre a castidade e a pobreza;
    • Não identificação da vontade pessoal com a de Deus;
    • Ouvir a comunidade;
    • Instrumento de libertação.

A oração sacerdotal de Jesus, pelo menos na perícope que foi nos apresentada (Jo 17, 1 -19), mostra sua obediência, fidelidade e discernimento da vontade do Pai. Em toda sua vida estas três disposições eram presentes. Por isso, o Cristo foi fiel. A obediência jamais exclui a liberdade. Jesus assumia tudo na plena liberdade.

Não obstante, obediência, fidelidade e discernimento devem estar presentes na vida de todos os “amigos de Jesus”. Enquanto membros da Congregação da Missão, o voto de obediência é condição e sinal do nosso compromisso com a evangelização dos pobres.  Jesus é o foco, é a regra da missão que Ele nos ensina neste caminho. Por isso é possível e necessária para todos.

Ao longo da história, os votos foram um meio para vivência da radicalidade cristã. Mas também tomou sentidos distintos, sobretudo a partir do segundo milênio e do Concílio de Trento. A obediência tornou-se cega, excluindo o diálogo e sendo lugar que anulava a subjetividade e a alteridade, por exemplo, e tornava-se, muita das vezes, lugar de expressão de desafetos e autoritarismos. Nesta dinâmica de obediência cega, os votos se tornaram apáticos, criando, desse modo, uma lacuna entre o Reinado de Deus e o mundo dos homens.

Com o Vaticano II, com a nova compreensão antropológica, com a psicologia, a obediência se dá por meio da alteridade. Não há mais manuais. Por outro lado, há a necessidade de diálogo, discernimento, cabeças bem formadas, pessoas equilibradas e saudáveis, cristãos disponíveis a escutar do Mestre sua vontade. Não é algo fácil, mas indispensável.

Buscar a vontade do Pai é um esforço tanto pessoal, quanto comunitário, o que demanda um diálogo franco e responsável. Na comunidade, ninguém deve ser alheio, mas sentir-se corresponsável. Os artigos 37 e 38 de nossas constituições reforçam a necessidade de um esforço pessoal e comunitário para ouvir, discernir e assumir a vontade de Deus.

A obediência missionária nos dá condições de sermos pessoas que acolhem a vontade de Deus e se disponibilizam em concretizá-la. Nos ajuda na descentralização de nossos interesses para abraçarmos a vontade do Pai. Deus quer contar conosco e precisa de pessoas vivas, alegres, entusiasmadas. Por isso, os votos, e aqui, de modo particular, o de obediência, é um instrumento de libertação.

Retornamos nosso estudo às 14h30, rezando e partilhando as interpelações que ficam em nossos corações a partir dos elementos estudos nestes dois dias e da leitura do documento Vita consecrata. Às 18h, participamos da Eucaristia na Paróquia São Raimundo Nonato e, em seguida, voltamos para o seminário para o jantar e momento de convivência.

24 de julho de 2017

Às 5h30 saímos para a praia do Caripí. Foi um passeio agradável, sendo uma boa parte de balsa e o restante em nossos veículos. Lá, fomos agraciados com a beleza do local, com a convivência fraterna e um excelente almoço. Às 13h30 retornamos para Belém.

Às 18h, fizemos nossa avaliação do encontro. Vários foram os pontos positivos: acolhida, fraternidade, a pauta do encontro que foi bem equilibrada possibilitando estudo, convivência e cultura, a assessoria do Padre Luís Carlos. Avaliamos também, que para o próximo ENEV, a comunicação que antecede o encontro pode ser melhorada.

O próximo ENEV será em Curitiba- PR, entre os dias 22 e 27 de julho de 2018 e o tema A missão vicentina e o magistério de Francisco: reforços e novas perspectivas. Alguns nomes de coirmãos foram sugeridos como assessores: Pe. Eli Chaves, PBCM, Pe. Adriano e Evaldo da PFCM e padres Ilson e Antônio, CMPS.

Às 20h tivemos nossa noite cultural.

 

25 de julho de 2017

Neste dia fizemos um passeio pela cidade de Belém: Estação das Docas, Ver-o-peso, Catedral Metropolitana, Forte do Castelo de Belém, Mangal das Graças e Basílica de Nazaré. Voltamos para o seminário para o almoço. A tarde ficou livre para descanso. E na madrugada de terça para quarta, os estudantes retornaram para suas respectivas províncias.