Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Monteiro – RJ

“Onde há povo, há missão.
Onde há missão, há razões de ser feliz.”
Dom Luciano Mendes de Almeida
(1930 – 2006)

Cerca de sessenta missionários, oriundos dos regionais da Família Vicentina do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, como também os seminaristas das províncias do Rio e do Sul da etapa da filosofia, que residem em Curitiba, celebraram, entre os dias 14 e 28 de janeiro de 2017, as Santas Missões Populares Vicentinas (SMPV) na Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Monteiro, situada na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.

santas_missoes1

A paróquia missionada é composta por nove comunidades distribuídas em quatro setores, seguindo assim o modelo de rede de comunidades. Neste ano, as SMPV atingiram dois setores e cinco comunidades. No setor Cantagalo, as comunidades missionadas foram: Nossa Senhora de Fátima e Santa Luzia, São José de Anchieta e São Sebastião; Já no Setor Jardim Monteiro: São Vicente de Paulo e São Paulo Apóstolo. Para atender às demandas, os missionários foram divididos em cinco equipes.

santas_missoes2

A realidade sócio-político-econômica é bem diversificada. Em um primeiro olhar nota-se uma enorme e plural área comercial, contendo até mesmo um shopping. No que se refere às moradias, há condomínios, casas luxuosas, casas de veraneios, sítios; mas através de um olhar mais profundo da realidade, constata-se uma enorme quantidade de casebres, ruas sem asfalto, sem saneamento básico e com esgoto a céu aberto, bem como casas em áreas de risco. Não há uma presença atuante do estado, faltando assim, as condições necessárias para uma vida digna, sobretudo para a população mais carente. Os postos de saúde, por exemplo, são insuficientes e quase que inoperantes, apontando para o grande colapso que a “cidade maravilhosa” vive, afetando principalmente os moradores dos subúrbios. No que se refere à violência, não parece ser um local perigoso, se comparado a outras regiões, no entanto a “ordem” é mantida por milicianos.

santas_missoes3

Durante estes dias, várias atividades foram realizadas, como visitas domiciliares, encontros com crianças, jovens, adultos, família, lideranças, celebrações eucarísticas, celebrações com a unção dos enfermos, celebração da misericórdia com confissões, adoração eucarística, tarde de espiritualidade, procissões, círculos bíblicos, noite cultural, confraternizações. Tivemos a oportunidade de festejar o padroeiro de duas comunidades, São Sebastião e São Paulo Apóstolo, como também os 400 anos de nosso carisma.

santas_missoes4

Podemos destacar e louvar a Deus o testemunho de todos os missionários, tantos os nossos, como os locais, que não mediram esforços, enfrentando o sol quente, as altas temperaturas, as longas caminhadas para anunciarem, com alegria, zelo e fé, o Reinado de Deus. As visitas domiciliares nem sempre foram marcadas por uma acolhida fraterna, sendo que poucas casas abriam as portas, outras éramos atendidos nos portões e uma pequena quantidade nos convidávamos para entrar. Mas nenhum obstáculo impediu a realização destas missões.

santas_missoes5

Várias pessoas e instituições favoreceram, direta e indiretamente, o bom êxito das missões, disponibilizando aquilo que era necessário. Um exemplo disso foi a presença constante do pároco, Padre André, um homem louvável, que dá um belo testemunho de pobreza e favorece aquilo que o Concílio Vaticano II, o Documento de Aparecida – que neste ano completa 10 anos – apontam e o Papa Francisco tanto nos incentiva: uma Igreja ministerial, em rede de comunidades, pobre, acolhedora, servidora, missionária, em permanente estado de conversão, em constante saída, que anuncie a Boa-Nova de Jesus Cristo, que escute os clamores da humanidade e que lute por justiça e paz. Outro fator favorável foi a comunidade das Filhas da Caridade que nos acolheu, no Colégio Rural São Vicente de Paulo, favorecendo um ambiente acolhedor, confortável, familiar e fraterno. Enfim, muitas pessoas dedicaram seu tempo nos trabalhos da cozinha, dando o melhor de si e provendo uma alimentação de qualidade para nossos missionários.

Ao encerrarmos este período das SMPV, o nosso coração fica radiante por todas as bênçãos e graças que Deus nos concedeu, fortalecendo a todos e nos conduzindo, com seu Santo Espírito, ao encontro dos nossos irmãos e irmãs, possibilitando-nos participar de suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças. As sementes foram lançadas. Sabemos que há muito a ser feito, que a missão não termina e que é extremamente necessário que cada batizado se encontre com Jesus e dê o testemunho alegre do seu Evangelho, talvez este seja o fruto maduro a ser colhido. Agora cada um retornando para suas casas, suas comunidades, continuarão sendo sal da terra e luz no mundo, para continuar anunciando o amor e misericórdia de Deus.

santas_missoes6

Com as graças de Deus, no próximo ano, estaremos aqui, em Campo Grande – RJ, novamente para continuarmos a celebrar as SANTAS MISSÕES POPULARES VICENTINAS.

santas_missoes7

Elpídio Júlio Cardoso
(2º ano de filosofia CMPS)

Hugo Silva Barcelos, CM
(4º ano de teologia PBCM)

Marlon Antônio Alves da Silva
(2º ano de filosofia CMPS)