Regional Belo Horizonte

De 13 a 27 de janeiro de 2013, as Santas Missões Populares Vicentinas tiveram lugar na Paróquia do Senhor Bom Jesus do Monte, em Furquim, distrito de Mariana (MG), uma das mais antigas paróquias de Minas Gerais, cujas origens remontam ao começo do século XVIII (1706). A bucólica localidade, ornada de exuberante vegetação e pontilhada por muitas fontes naturais de água, é circundada de casarios coloniais, tendo ao centro a imponente igreja matriz. Pouco se conserva dos tempos agitados em que Furquim atraía a cobiça de ávidos mineradores à cata de ouro. Atualmente, o que se pode encontrar ali é um singelo patrimônio histórico-cultural, conservado graças à identificação afetiva de sua gente. Foi, com efeito, por causa desse bom povo que a Família Vicentina armou sua tenda em Furquim.

Sabíamos estar pisando nas pegadas de outros Missionários Vicentinos, a começar do venerando Dom Antônio Ferreira Viçoso, passando por outros Padres Lazaristas, que, em distintas épocas, ali estiveram anunciando a Boa Nova aos pobres. Atualmente, a paróquia é constituída de apenas 6 comunidades, perfazendo uma população de aproximadamente 2 mil habitantes. Desprovida da presença de um padre residente e de um acompanhamento pastoral mais assíduo, a paróquia é sustentada e dinamizada pela fé orante e engajada de leigos e leigas, especialmente mulheres, preocupados e comprometidos com o florescimento da comunidade.

Carências e urgências pastorais, bem como negligências no tocante às políticas públicas e ao atendimento de demandas indispensáveis da população foram amplamente constatadas nas andanças que preencheram todos os 15 dias das Santas Missões. Tal como em Folleville e Châtillon para Vicente de Paulo, também em Furquim os apelos à missão e à caridade ecoaram nos corações dos missionários e missionárias, suscitando perplexidades, despertando intuições e mobilizando iniciativas. Além das costumeiras visitas, indispensáveis ao desenvolvimento das Missões, foram realizados, em todas as comunidades, celebrações da Eucaristia e da Palavra, encontros temáticos com crianças, jovens, idosos e lideranças, momentos de diálogo e oração com outros grupos específicos e até mesmo uma noite cultural, com o intuito de integrar gerações e valorizar expressões artísticas do lugar. Em tudo, procurou-se alentar o desejo e o esforço de construir uma Igreja verdadeiramente missionária, enraizada na Palavra de Deus, alimentada pelos sacramentos, enriquecida pelo protagonismo dos leigos, empenhada na construção do Reino e na transformação da realidade.

Mais uma vez, os leigos e leigas da Família Vicentina foram os principais artífices de nossas Missões, encantando-nos e interpelando-nos pela liberdade, ardor e despojamento com que se lançam à obra da evangelização, movidos por aquela paixão por Cristo e pelos pobres que crepitava no coração de São Vicente. As Filhas da Caridade da Província de Belo Horizonte, significativamente representadas por um grupo de 12 Irmãs, testemunharam, com indescritível largueza de coração e criatividade apostólica, o significado e o alcance do lema inscrito por Santa Luísa no selo da Companhia: A caridade de Cristo Crucificado nos impele, podendo ver realizar-se o que, certa vez, escreveu a santa fundadora às primeiras Irmãs: “Quanto desejo que o povo vos ame! Isso é absolutamente necessário para poderdes fazer o bem nos lugares onde a Divina Providência vos chama!” (SL C. 488). Os seminaristas da Congregação da Missão não deixaram por menos e edificaram a todos pela disponibilidade, zelo e entusiasmo com que abraçaram esta obra de Deus. De Furquim, todos trouxeram preocupação e gratidão. Esperamos agora divisar os caminhos pelos quais o Espírito do Senhor nos conduzirá para oferecermos nossa contribuição na formação dos leigos e na animação missionária das comunidades.

Na Missa de encerramento, emoldurada pelo evangelho que motiva e ilumina a missão vicentina (Lc 4,14-21), foi entronizada uma nova imagem de São Vicente, que será colocada num dos altares laterais da igreja matriz como marco das Santas Missões. Dali, o insigne pai dos pobres e incansável formador do clero haverá de recordar aos que passam e aos que permanecem a comprometedora novidade do Evangelho: “A Igreja é comparada a uma grande messe que necessita de operários, mas operários que trabalhem. Não há nada mais conforme ao Evangelho do que reunir, por um lado, luzes e forças para a alma na oração e, em seguida, ir repartir este alimento espiritual com os outros. É fazer como Nosso Senhor fez e, depois dele, seus apóstolos (…). Eis como devemos fazer e eis como devemos demonstrar a Deus, com nossas obras, que o amamos” (SV XI, 40-41). Pe. Vinícius Augusto Ribeiro Teixeira, C.M. Pela Coordenação Regional da Família Vicentina

Na mencionada noite cultural promovida pelos Missionários, a jovem Nayra Francisca do Rosário Silva declamou esta singela poesia de sua autoria:

Boa noite, minha gente!

Missionários vieram nos alegrar,

trouxeram a Palavra de Deus

e a comunidade prestigiar.

Houve encontro com crianças,

jovens e famílias,

trazendo para todos

muita paz e alegria.

Também houve brincadeiras,

momentos de oração.

O importante nesta vida

é ter Jesus no coração.

Parabéns a todos vocês

que vieram evangelizar.

Sentiremos muitas saudades,

mas sei que um dia vão voltar.

Padres e seminaristas,

Irmãs e leigos presentes,

que Deus sempre os abençoe

e também os que estão ausentes.

Educação, saúde, lazer,

todos nós queremos ter.

Antes de tudo isso,

em Deus temos que crer.

Deus é meu patrão,

São Vicente meu gerente.

Com os dois ao meu lado,

faço feliz muita gente.